🖤 As Horas Vermelhas 🖤
Ed. 01 - Planeta de Livros
Compre: Amazon
Sinopse:
Neste romance ferozmente imaginativo, o aborto é mais uma vez ilegal nos Estados Unidos, a fertilização in vitro é proibida e uma emenda constitucional concede direitos de vida, liberdade e propriedade a todos os embriões. Em uma pequena cidade pesqueira no Oregon, cinco mulheres muito diferentes vivem os dramas causados por essas novas imposições do governo enquanto levantam tradicionais questionamentos relacionados à maternidade, identidade e liberdade. Ro, uma professora solteira de ensino médio, está tentando ter um bebê sozinha, enquanto também escreve a biografia de Eivør, uma exploradora polar pouco conhecidas do século XIX. Susan é mãe frustrada de dois filhos, presa em um casamento prestes a ruir. Mattie, filha adotiva de pais apaixonados e uma das melhores alunas de Ro, descobre estar grávida sem saber a quem recorrer. E Gin é a talentosa curandeira da floresta, responsável por juntar os destinos dessas mulheres quando é presa e levada a julgamento em uma caça às bruxas moderna e frenética.


Dizem que somos programados para querer repetir. Para querer semente e solo, ovo e casca; pelo menos é o que dizem.”
 pág. 66

REFLEXIVO!

Me incomoda um pouco a classificação ‘distópica’ associada ao conteúdo desse livro, visto que seguindo a lógica que uso para classificar gêneros literários ele está bem longe do termo distopia, mas vamos lá.

Em As Horas Vermelhas seremos apresentadas a quatro mulheres distintas, que vivem sob o jugo das velhas regras conhecidas pelo público feminino. São elas a Biógrafa, A Filha, A Esposa e a Reparadora, seus dramas serão acompanhados de forma intercalada no decorrer da leitura.

Antes de entrar a fundo na trama, irei deixar claro aqui que ela traz muitos pontos que discordo, mas respeito e entendo onde autora quis chegar ao escrever esse livro. Apesar das minhas ressalvas sobre o que encontrei durante a leitura, basta saber que gostei do livro, o achei complexo e reflexivo, mas para mim está longe de ser tudo o que foi prometido.

O foco principal da trama é a história da Biógrafa, uma mulher de quarenta e dois anos, solteira, professora de história, que deseja ter um filho, porém as leis não colaboram muito para que isso aconteça. Ela também sonha em escrever a biografia de uma exploradora polar das ilhas Faroés e vamos acompanhando suas tentativas de manter a história da exploradora viva também.

Roberta, a biógrafa, é professora da Matilda, a Filha – uma jovem de quinze anos que tem que lidar com uma gravidez indesejada. Mattie é filha adotiva de um casal de idosos e não deseja decepcionar os pais. Sabe que levar a gravidez a diante destruirá suas chances de entrar para uma boa faculdade, mas sabe também que um procedimento de aborto pode leva-la para a cadeia se for descoberta. O medo de ser presa e o de ser descoberta faz com que a jovem entre em desespero e busque a Reparadora.

Gin é uma mulher estranha, conhecida por todos da cidade como Reparadora, ou bruxa. Apesar de jovem, sua figura é repulsiva para aqueles que não a conhecem, e para nós leitores também. Ela é muito estranha mesmo. Todas as mulheres da cidade buscam por sua ajuda quando precisam de seus conhecimentos com as plantas. Solitária, ela vive em uma cabana com seu gato, suas cabras, suas galinhas e com o corpo congelado da tia em um frízer.

Por fim, temos a esposa, a mulher perfeita, mãe de dois filhos lindos, mas que está de saco cheio do casamento falido que ela tem. Ela tenta de todas as formas fazer terapia de casal, mas seu marido não facilita as coisas. Ela deseja dar um basta em tudo, voltar a ter a vida para si, mas é covarde, não consegue dar o passo que encerrará com seu martírio.

Enquanto vamos acompanhado o drama de cada uma, suas histórias vão se entrelaçando. Seus medos e seus anseios vão sendo revelados a luz da sociedade que elas vivem, sob a sombra das leis que restringem os direitos das mulheres.

Como disse, o livro é reflexivo, de certa forma complexo. É cru, é real, é forte, é incomodo, mas de certa forma ainda faltou algo para que tudo fosse realmente impactante. No fim é apenas uma trama cotidiana, para nos fazer refletir sobre os acontecimentos a nossa volta.

O livro não é muito extenso o que torna a leitura rápida, acredito que a autora perdeu um pouco tempo relatando coisas sem relevância, mas no fim ela consegue te envolver na trama.

Então, se busca uma leitura que te leve a pensar e a questionar essa é a sua leitura.

Deixe um comentário