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Algumas coisas são verdade, quer você acredite nelas ou não." City of Angels
► Recadinho aos leitores:E então queridos? Estão gostando do romance da Cassia? Poxa... acho que não, vocês nunca comentam!Então por essa razão só vou publicar o próximo capítulo se vocês comentarem algo sobre a história e/ou sobre o trabalho na Cassia. Não é justo eu disponibilizar uma coisa, ser cobrada por ela, mas não ter o mínimo de reconhecimento de vocês né? Então, se querem que o próximo capítulo saia bem rapidinho... deixa ai seu comentário!Beijos ~Raíssa

19. LÁGRIMAS DE UM ANJO


  


“Não posso acreditar que te estou a perder.
O sol não pode cair do céu.”


RyanDan



  
    Eu ainda estava pensando no que Sammy havia dito há pouco. Por que ela disse aquelas coisas?pensei enquanto andava de um lado para outro.
- Pare de andar – Bryan interrompeu meus devaneios – Está me deixando enjoado – o ignorei – Arthur, pare com isso, se não pego você e colo seu traseiro no sofá – ele rosnou.
- Bryan, não achou esquisito o que Sammy falou? – virei para ele e perguntei de cenho franzido.
- Arthur, sinceramente? – assenti e ele continuou – Ela nunca se encaixou na questão normalidade.
- O quê? – perguntei irritado.
- Cara, considerando todas as coisas que já aconteceu com ela! – ele virou as palmas das mãos para cima – Ela tinha medo de você! Alguém normal não teria.
- Ela estava sendo manipulada!
- Mas nem que ela esteja hipnotizada pela maior força do mundo! Arthur você não coloca medo nem em um camundongo!
- Não dá pra conversar com você, parece uma criança! – ralhei. Bryan levantou as sobrancelhas.
- Então por que pediu minha opinião? Você devia se preocupar com nossas irmãs!
- Você tem razão – suspirei – À noite ligo para ela - Bryan revirou os olhos – Vou para o quarto, qualquer coisa, estou lá.
  Deitei na cama e coloquei os braços atrás da cabeça. Fechei os olhos querendo poder dormir e que quando acordasse minhas irmãs estivesse rindo de alguma banalidade ou levando bronca por não terem dado notícia.
  Mas ao contrário do normal, minhas pálpebras não estavam negras, ela se distorcia no rosto da garota que eu amava. Sammy veio à minha cabeça, mas não era uma lembrança comum. Minha mente repassou cada palavra e gesto de minutos atrás. Ela estava tão triste!
  Bryan – pela primeira vez desde que o conheci – tinha razão. Eu devia estar preocupado com Ash e Mel. O que havia acontecido? Como é que alguém desliga o celular em pleno século XXI?
  Minha cabeça começou a doer tentando criar explicações. Por fim desisti. Abri os olhos e já havia passado quase duas horas. O céu estava escuro, mas a chuva havia cessado. Com um suspiro de preocupação com aquelas duas, me dirigi à varanda. Olhei para o céu, as árvores que balançavam com o vento e me perguntei onde elas estariam. No mesmo segundo ouvi um barulho de motor.
- Finalmente – disse enquanto corria pela sala.
- Elas chegaram – Suzan disse sorrindo. Bryan levantou e correu até a porta.
- Aqui é a casa dos Mason? – uma moça mais ou menos da altura da Sammy, magra e de cabelos escuros na altura dos ombros, encarava Bryan com olhos perturbados.
- Sim – ele respondeu desconfiado – Quem é você?
- Kamilla Handerson – ela falou apressada – Você é Arthur Mason? – ela perguntou em dúvida.
- Sou eu – respondi atrás de Bryan.
- Preciso falar com você. Olhe, suas irmãs...
- O que você sabe sobre elas? – Bryan interrompeu.
- Jany as sequestrou.
- Você está me dizendo que Jany...
- Jany? – Bryan perguntou – Esse não é o nome...
- É – interrompi – É sim.
- Onde estão minhas filhas? – Suzan perguntou chorando.
- Pelo que sei, ela as levou para o subúrbio, num galpão abandonado na rua de uma livraria.
- Então vamos logo – Suzan falou.
- Como saberemos que está falando a verdade? – Bryan perguntou.
- Eu acho que vocês sabem quando alguém está mentindo – ela nos olhou sugestivamente. Olhei para Bryan por um segundo.
- Vamos – respondi – Suzan, venha comigo. Bryan vá em seu carro com Kamilla.
- Ok – ele pegou as chaves na estante – Arthur – olhei e ele me jogou as chaves do Jaguar– Como Jany pôde fazer isso? – Bryan questionou enquanto abria a porta do Audi.
- Não sei. Também queria saber o motivo – disse entrando no Jaguar. Quando chegamos na frente de nossa casa, Kamilla e Suzan estavam agoniadas.
- Vamos – Kamilla disse a Suzan na escada do terraço.
- Esperem. Elas voltaram! – Suzan apontou com um sorriso no rosto. Saí do carro e vi o Audi da Melissa vindo em alta velocidade. Contornei o Jaguar e esperei. Ashley abriu a porta e saltou sem esperar Melissa desligar o motor. Ashley correu aos prantos e me abraçou.
- Ashley, Ashley! Você está bem? – perguntei afastando-a.
- Arthur, Sammy... – ela voltou a chorar.
- Ela não está aqui, foi para casa – Ashley soltou um gemido de dor – Ashley? – perguntei preocupado.
- Ela não está em casa Artur – Melissa também chorava ao se aproximar.
- Como? – perguntei confuso.
- Jany está com ela. Foi tudo uma armadilha pra pegar Sammy! Ela ficou no nosso lugar. Trocou sua vida pela nossa! Jany vai matá-la! – Melissa estava desesperada.
  Encarei os olhos da Melissa, absorvendo o que tinha acabado de ouvir. A garota pela qual eu vivia, estava morrendo no lugar de minhas irmãs? Meu mundo parecia ter parado de girar, todo o sentido da minha vida havia se dissipado.
- Temos que impedir! Arthur, me escute! – Ashley estava aos prantos.
- Ela já pode estar morta. Tivemos que voltar ao galpão pra chegar aqui – Melissa disse.
- Como assim voltar? – perguntei indo para o carro.
- Estávamos no galpão com Jany – enquanto ela falava eu entrava no carro e ela também. Ashley entrou no banco de trás e Bryan veio para a janela do meu lado – Ela pegou Sammy lá. Estávamos na estrada, quando ela nos deixou. Não estávamos tão longe do galpão e fomos correndo. Sozinhas não iríamos conseguir salvá-la.
- O que Diabos vocês foram fazer por lá? – olhei colérico para ela – Bryan pegue o carro, vamos! Logo! Você vai me seguindo – Bryan desapareceu da janela.
- Não estávamos lá. Alguém nos desmaiou e dirigiu nosso carro.
- Quem? – perguntei arrancando com o carro.
- Não sei. Mas não era Jany.
- Oi – Suzan disse – Ok – ela olhou para mim pelo retrovisor.
- O que foi? – perguntei.
- Deixe Bryan ultrapassar você. Kamilla sabe onde fica o galpão.
- Mas ela não está lá.
- Mas pode haver uma pista de onde ela esteja.
  Diminui a velocidade e logo Bryan estava à minha frente.
- Por que Sammy fez isso? – murmurei sem forças.
  Não houve resposta. Todos estavam igualmente perplexos. A estrada parecia longa demais e por mais rápido que fossemos, sentia que não era o bastante. Milhares de imagens vieram à minha cabeça, desde o primeiro dia que a vi até o... último. Agora eu entendia o motivo de suas palavras. Era um adeus.
  Pensar nela fria e sem vida me fez ficar sufocado e precisei apertar o volante pra me concentrar. Eu havia cometido tantos erros para ficar com ela, tudo seria em vão? Já não me importava que ela fosse minha missão, na verdade, desde que comecei a amá-la não me preocupava muito com isso.
  Ela era muito mais do que um dever a cumprir. Eu não deixaria que ela morresse. Eu não morreria.
- Arthur, acha que ela está viva? – Suzan perguntou angustiada.
- Não sei – a dúvida implantada em minha mente era torturante. Não saber se eu chegaria a tempo de salvá-la me deixava impotente. Não podia fazer nada além de correr pela estrada deserta. A noite caia fria e silenciosa, assim como meu coração que suportava cada batida em um ato heróico.
Deus, nunca lhe pedi nada, mas preciso do Senhor. Deixe-me colocá-la viva em meus braços, supliquei.
- Você está chorando? – Melissa perguntou ao meu lado.
- Não – respondi com a voz abafada.
- Sim, você está. Não precisa esconder – olhei para seu rosto vermelho – Ela está bem – sua voz falhou na última palavra.
- Você mente muito mal – passei grosseiramente a mão no rosto e voltei minhas atenções à estrada, que ficava cada vez mais mal iluminada.
- Vamos conseguir filho – Suzan repousou a mão em meu ombro direito – Ninguém irá tirá-la de você, ela é sua missão.
- Estou pouco me importando que ela seja minha missão. Eu a amo – mexi o ombro para tirar sua mão de cima.
  Era tudo silêncio. Às vezes ouvia Ashley fungar e quando olhava pelo retrovisor podia vê-la passando as mãos pelo rosto. Ashley gostava dela mais do que imaginei. Mas quem seria capaz de não gostar?
  Sammy era delicada, com um rosto modelado com extrema perfeição. Mas além de um rosto e corpo bonitos, seu coração era puro. Sammy havia cuidado durante quinze anos de seu pai e irmã, ela era muito mais forte do que pensava. Será que ela conseguiria ser forte agora? Eu queria isso com todas as minhas forças. Que ela suportasse até o segundo em que eu a pegasse nos braços.
  Minha mente havia se tornado uma tela escura, completamente vazia. Entrei pânico e procurei por alguma lembrança, algo que me fizesse ficar ilusoriamente mais perto dela. Em algum momento consegui achar meu passado. Todo o tempo que passei ao lado dela inundou minha mente, entorpecendo meu cérebro com cada pequeno fragmento das memórias. Prendi-me ao dia em que a vi dormir, no dia em que ela acordou com um buquê de flores ao lado de seu corpo. Quando ela me puxou no corredor e me beijou. Lembrei de como sua pele era macia, sua voz melodiosa, de seu sorriso e do modo como embaraçava seus dedos em meus cabelos e na maneira como passava a mão nos dela.
  Agora tudo parecia fazer parte de uma outra época. O que eu faria se não chegasse a tempo? Meu coração latejou com essa possibilidade.
Como serei “eu”, sem ela?pensei enquanto finalmente chegávamos às ruas escuras do subúrbio.
  Bryan virou à esquerda e fiz o mesmo. Meu coração batia compulsivamente, parecia ter inchado e agora preenchia todo o espaço entre minha garganta e caixa torácica. Assim que entrei na rua indicada por Kamilla, vi o Chevrolet da Sammy.
  Estacionei atrás dele, enquanto Bryan parava atrás de um carro preto do outro lado. Desci às pressas assim como os outros.
- Onde é? – perguntei à Kamilla.
- Na esquina, do lado esquerdo.
  Corri até lá. Abri uma porta de alumínio e entrei, seguido pelos outros. Procuramos por algum sinal, algo que nos indicasse o próximo lugar para onde elas foram, mas nada. Baixei a cabeça, derrotado. Como iríamos achá-la?
- Sammy me perdoe – pedi chorando.
  Em meio a meus olhos turvos vi algo cintilando no chão. Andei até ele e me abaixei. O colar que Sammy usava estava caído, o feixe tinha quebrado. Segurei-o perto do coração, a pequena asa que a representava.
“Assim como um pássaro não pode voar sem uma das asas, não posso ir a lugar algum sem meu coração. E é essa a parte que sempre estará com você...”
 “... Isso significa que agora, você é o meu anjo da guarda. Pra sempre.”
- Sammy, por favor – implorei em meio às lágrimas, lembrando suas palavras ao me dar metade do pingente – apertei-o em minha mão – Eu só preciso saber onde você está. Por favor, não sei como te dizer adeus.
- Olhem! – Kamilla chamou – Jany deixou isso cair.
  Era um pedaço de papel amassado. Kamilla desamassou e vi três palavras escritas numa letra conhecida.


           MichiganCentral Station

- O que é isso? – Ashley perguntou pegando o papel de sua mão.
- Não faço a menor ideia. Jany não me disse nada sobre isso. E essa não é sua letra – Kamilla respondeu.
- Já vi essa caligrafia em algum lugar – Melissa semicerrou os olhos para o papel.
- Vimos essa letra na Inglaterra. Ele escreveu isso – Bryan disse chocado.
- Não, por favor não! – Ashley começou a chorar.
- Me dê isso – peguei o papel da mão de Kamilla – Sabia dele? – perguntei enquanto íamos para a porta.
- Não. Eu sabia que ela estava conversando muito com um rapaz ultimamente, mas não sabia que era pra isso – Kamilla disse tentando acompanhar meu passo.
- O nome dele? – perguntei.
- Iron Reidy – ela sussurrou.
- Por que você não falou isso logo? – virei para ela quase gritando. Kamilla se assustou e deu um passo para trás.
- Eu não sabia, Arthur. Desculpe, eu... – ela não tinha mais palavras.
- Arthur, não é culpa dela – Bryan interviu colocando Kamilla atrás dele.
- Que seja – fuzilei-o com os olhos.
  Entrei no carro e entreguei o bilhete a Ashley que agora estava ao meu lado.
- Veja como chegar – disse passando-lhe o bilhete.
- Arthur, leva mais de doze horas – Ashley colocou a mão na boca – Se fomos muito rápidos chegaremos lá, pela manhã.
- Então vamos muito rápido – pisei mais no acelerador.
- Essa trilha atravessa o Canadá – Melissa disse no meio do banco de trás, apontando para o GPS.
- O quê? – Ashley e eu perguntemos na mesma hora.
- É o caminho menos longo.
- Droga – bati no volante.
  Voltamos para East Boston e peguei John. Ele ficou horrorizado com o que tinha acontecido e disse que ficaria para contar aos pais de Sammy. Fiquei apavorado com a ideia, mas ele não voltou atrás.
- Confio em você – ele disse pondo a mão em meu ombro – Agora vá e salve Sammy. O amor que você sente por ela é o que irá salvá-la. Você vai conseguir. Vá!
  Suzan também ficou e partimos na mesma hora. Ashley dizia para onde devíamos ir enquanto a noite se arrastava.
- Arthur – disse Melissa acordando –, acho que deve parar. Deixe-me dirigir um pouco. Já é quase uma da manhã e você não descansou nada.
- Não – disse com as mandíbulas cerradas. Eu queria poder dormir, mas não aguentaria fazer isso sabendo que Sammy corria perigo. Pelo menos agora, eu sabia que ela estava viva... ainda.  Até o amanhecer, que pelos nossos cálculos, seria a hora em que Jany chegaria à estação.
- Arthur, você não consegue nem se concentrar direito nas coordenadas que digo – Ashley disse sonolenta.
- Encoste, vamos trocar de lugar. Venha aqui pra trás e tire um cochilo – Melissa tocou em meu rosto.
- Não – apertei o volante e acelerei.
- Arthur, deixe de ser teimoso. Você precisa de energia. Como vai fazer se chegar assim lá? Quer cair no sono assim que desligar o motor? – Melissa questionou.
- Encoste – Ashley pegou em minha mão.
 Acelerei.
- Encoste – as duas mandaram.
  Sabia que não podia contra as duas juntas. Se insistisse mais, elas mesmas parariam o carro e me colocariam no banco traseiro. Elas tinham força suficiente para isso. Desisti e parei o carro no acostamento. A estrada não estava deserta, tinha poucos carros. O suficiente para me fazer pensar se Sammy poderia estar em algum deles. Mas não, elas estavam um passo à frente de nós.
- Perdeu play boy. Passa as chaves otário – um cara de capuz me parou quando abri a porta traseira do Jaguar.
- Vem pegar – Bryan passou por mim e diminuiu a velocidade.
- Quer morrer?
- Não, mas você sim! – dei um murro na cara dele. Ashley me olhou assustada enquanto Melissa descia do carro e assumia a direção.
- Você vai se arrepender – ele se recuperou e veio para cima de mim. O peguei pela gola da camisa e suspendi. Ele se assustou e vi que tentou puxar uma arma do cois da calça. Peguei-a e joguei na estrada, um caminhão passou por cima dela quase que instantaneamente.
- Você me pegou numa hora não muito boa – o joguei no chão.
- Arthur! – Bryan gritou. Ele tinha parado o carro no acostamento.
- Eu marquei você, cara! Acha que só por que é rico, tá livre de tudo? Você não compra a morte não, meu irmão! – ele disse tentando se levantar.
- E você não paga a conta do hospital – disse entre dentes. Era quase um rugido de raiva.
  Eu não queria fazer aquilo. Na verdade, nem sabia o que estava fazendo. Só tinha uma pessoa na minha mente. Sammy. Mais ninguém, só ela. Eu chutava o homem caído no chão e o via se encolher a cada vez que eu fazia isso. E a cada grito de dor dele, no fundo de minha cabeça, escutava um grito de dor dela. Ela não podia morrer, não podia. Eu tinha que poder salvá-la. Mas como? Doze horas! Doze horas estavam nos separando desde que saímos de East Boston!
Minha visão ficou embaçada e senti Bryan me prendendo, seus braços me puxando dali.
- Arthur, mano. Pare, nós vamos conseguir, pare! – ele gritou enquanto eu tentava voltar ao homem que tossia, sangue saindo de sua boca.
- Sammy! – pus as mãos no rosto e desisti aos prantos.
- Arthur, Arthur, venha. Temos que ir! – Ashley me rebocou para o banco de trás.
- Vá Bryan – ouvi Melissa dizer enquanto entrávamos.
- Vamos conseguir – Ashley sentou-se ao meu lado.
- Ashley – solucei e deixei minha cabeça cair em seu ombro.
- Shhh... Venha aqui – ela me puxou e me encolhi para deitar. Ela deixou que eu fizesse suas pernas cruzadas de travesseiro.
- Desculpe – sussurrei.
- Tudo bem, tudo bem – ela afagou meu cabelo.
- Vamos conseguir Arthur – olhei para o relógio. Eram uma e meia.
- Dirija mais rápido – murmurei sonolento.
- Arthur, já estou a quase cento e setenta. Bryan está logo na nossa frente! Calma, vamos chegar – Melissa disse – Durma um pouco também Ashley, consigo ver o GPS e dirigir. Qualquer coisa, sigo Bryan. Kamilla colocou o nome da estação no GPS também.
- O deixe dormir primeiro – Ashley sussurrou enquanto alisava uma mecha de eu cabelo.
  Peguei o pingente de Sammy do bolso e pendurei em meu colar. Ashley tocou neles.
- O que é isso?
- Ela me deu uma asa e ficou com a que coloquei agora. Estava no galpão – disse enquanto Ashley segurava na palma da mão a asa que tinha acabado de pendurar.
- O que significa a dela?
- Ela mesma.
- E a que ela te deu? – ela soltou o pingente que tilintou ao bater nos outros. Segurei o meu.
- Seu coração.
  Ficamos em silêncio por alguns minutos, Ashley passando a mão em minhas lágrimas silenciosas de um lado do rosto, enquanto as do outro caiam em sua calça. Por fim, meus olhos ficaram secos e o carinho que ela fazia em minha cabeça surtiu efeito. Fechei os olhos e adormeci.
  Eu podia vê-la. A via saindo de sua casa correndo e sorrindo direto para meus braços. Ela me abraçava e depois enrolava seus dedos em meu cabelo como sempre fazia. Depois sua boca estava na minha, eu sentia seus lábios nos meus.
  E depois escuro. Como uma peça de teatro que acaba sem aplausos.
  Alguém gargalhava ao fundo e o riso foi ficando cada vez mais alto, olhei para trás e vi Iron segurando Sammy nos braços, um lençol de seda branco cobrindo seu perolado corpo nu. Sua cabeça estava caída e quando Iron virou-se para me olhar, seus olhos eram negros. Totalmente.
  Eu corria para ela enquanto o cenário mudava. Jany me encarava sorrindo enquanto vinha para mim, deixando algum rastro no chão. Olhei mais atentamente e vi que suas mãos estavam banhadas de sangue, um corpo estendido logo atrás dela. Sammy.
  Corri até ela, dissolvendo a imagem de Jany ao passar por seu corpo. Caí de joelhos aos prantos e...
- Arthur, Arthur! – Ashley me sacudia.
  Abri os olhos num rompante e olhei ao redor. Não sabia se era de manhã ou ainda era madrugada. Tudo estava escuro, chovia baldes.
- Que horas são? – perguntei levantando de seu colo.
- Já amanheceu. É que a chuva não ajuda muito. Você estava tendo um pesadelo. Chamava por Sammy o tempo todo – ela respondeu.
- Se prepare, já estamos chegando. É logo ali – Melissa apontou.
  Vi a enorme construção e senti meu coração apertar. Era um edifício assustador. Uma névoa o circundava e suas paredes tinham mofo preto por todo lugar. O que tinha levado eles aqui? Um lugar a doze horas de onde eles moravam. Mas eu conhecia Iron. Sempre teatral. Ele podia ter escolhido um parque de diversões, um hospital, mas não. Ele tinha que ser o diferente.
  Sammy, eu estava perto dela. Pensar nisso me deu forças e algo dentro de mim me assegurou de que ela ainda estava viva. Seu coração ainda estava batendo.
  Vi um carro antigo estacionado bem na frente da estação e uma BMW X6 cinza grafite logo atrás. Devia ser de Iron. Se eles estavam ali, então... Sammy também estava.
- Estacione logo! – disse para Melissa. Ela parou o carro no mesmo instante e descemos, Kamilla e Bryan fazendo o mesmo.
- Vamos! – disse indo para a entrada. A chuva não dava trégua.
- Arthur, não devíamos ficar invisíveis? – Melissa perguntou.
- Não. Iron está aí, ele nos verá de qualquer modo – disse passando pela entrada.
  Ficamos em silêncio enquanto tentávamos escutar alguma coisa. Ao fundo, ouvi um leve barulho de alguma trava sendo quebrada.
- Você ouviu? – Ashley perguntou.
- O quê? – olhei para ela.
- Alguém desativou a trava de segurança de uma arma – Ashley me olhou nos olhos e começou a correr pela sala de entrada da estação.
- Vamos – corri seguindo-a.
- Oh, meu Deus – ouvi Kamilla arfar.
  Olhamos para ela e depois para o que ela via.
  Sammy estava amarrada a uma coluna e vi Iron olhando-a. Tinha algo em seu rosto que não soube identificar. Jany estava na frente dela, segurado uma arma apontada para sua cabeça.
  Kamilla andou devagar até ela e vi quando Iron a olhou e murmurou um palavrão. No mesmo minuto Bryan ficou invisível e saiu do campo de visão dele, indo para trás de Sammy – as colunas duplas escondendo-o.
- Jany – Kamilla chamou baixo. Jany a encarou e vi Sammy virar o rosto. Não podíamos fazer nada, não até ela largar aquela arma. E até lá, Ashley, Melissa e eu tínhamos que ficar invisíveis por conta de Jany e fora da visão de Iron.
- O que você está fazendo aqui? – ela perguntou ficando nervosa, sua respiração acelerada. Olhei para Sammy e nos olhos dela, me vi.
- Arthur – Sammy pronunciou as palavras, que saíram sem som.
  Olhei para Melissa pasmo. Como ela tinha me visto?
- Jany, solte essa arma – Kamilla pediu se aproximando mais.
- Saia, eu tenho que atirar nela.
- Por que tem? – Kamilla perguntou – Só por vingança? Mesmo que você a mate, Arthur nunca será seu. Pare com isso Jany.  O que você quer?
- Mate logo ela, Jany – Iron mandou – Por mim – ele a olhou nos olhos tentando convencê-la.
- Jany, não vale à pena. Você não é má – Kamilla tocou em sua mão e pegou a arma. Jany estava trêmula e vi que chorava. Kamilla jogou a arma no chão e abraçou Jany de lado.
- Droga - Iron gritou.
- Saia daqui Iron – disse aparecendo.
  Bryan só estava esperando que Jany largasse a arma para sair de trás da coluna. Ele pegou Sammy nos braços e saiu. Ela estava viva. Eu havia conseguido.
- Ela não vai sobreviver. Tenho uma promessa a cumprir. Pode não ser hoje Arthur, mas ela vai morrer.
- Você não vai fazer isso.
- Fazer o que? Matar quem você ama? É Arthur, é?
- Você não vai matar minha razão pra viver – disse entre dentes.
  Iron começou a gargalhar. Jany empurrou Kamilla e pegou a arma no chão, fazendo-a de refém.
- Eu te amei Arthur, muito.
- Jany – Ashley e Melissa disseram.
- Volte aqui Bryan, ou então essa daqui morre – passou-se um segundo de silêncio – Volte aqui! – Jany estava quase louca.
  Vi Bryan aparecer novamente, mas não carregando Sammy. Ela vinha na frente dele, se esforçando até para respirar.
- Não Sammy – implorei. Ela me encarou.
- Eu te amo – ela sussurrou e depois não estava mais lá, assim como Iron e Jany.
- Não! – Gritei. O que ele havia feito?
 O ouvi gargalhar e corremos seguindo o eco de seu riso. O prédio parecia ter centenas de andares e corredores que eram quase labirintos. Ele ia matá-la. Se ele a matasse na ausência de um guardião, ele não tinha por que temer.
- Droga, pense! Pra onde ele iria? – minha mente estava vazia. Kamilla estava sendo carregada por Bryan, ela nunca conseguiria nos acompanhar enquanto corríamos nessa velocidade.
- Para o topo – ela disse. Olhei para Kamilla por um segundo, agradecendo-a.
  Corremos até lá e vimos Iron segurando o rosto de Sammy, Jany logo atrás.
- Solte-a – disse no pátio que tinha no teto. Não chovia mais, só nuvens densas pairando acima de nossas cabeças. A estrutura dali parecia a de torres de castelos e atrás de mim estava o vitrô aos pedaços da sala de espera. Iron me olhou por um instante e percebeu que não havia saída. Ou ele iria embora, ou morreria.
  Sammy me encarou e vi Melissa mandando-a vir em nossa direção, o braço estendido para ela.
- Tarde demais – Jany disse.
- Não, Jany, não! – Iron e eu gritamos; nossas vozes sobressaindo a dos demais.
  Houve um disparo. Ouvi Sammy arquejar, mas ela estava a salvo.
  Eu usara meu último recurso para protegê-la.
  Na nebulosidade da manhã, um passaredo de corvos voou assustado da estrutura que sustentava o vitrô.

Um Romance de:

~CONTINUA~

► Recadinho aos leitores:E então queridos? Estão gostando do romance da Cassia? Poxa... acho que não, vocês nunca comentam!Então por essa razão só vou publicar o próximo capítulo se vocês comentarem algo sobre a história e/ou sobre o trabalho na Cassia. Não é justo eu disponibilizar uma coisa, ser cobrada por ela, mas não ter o mínimo de reconhecimento de vocês né? Então, se querem que o próximo capítulo saia bem rapidinho... deixa ai seu comentário!Beijos ~Raíssa

3 Comentários

  1. Eu estou adorando, cassia mariana escreve muito bem. por favor poste o proximo capitulo logo

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  2. estou amando o despertar,quero ler mais....*-*

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