"Algumas coisas são verdade, quer você acredite nelas ou não.
City of Angels
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12. PRESENTEADA.



  Ao chegar em casa já se passava das seis. Arthur fez questão de falar com meu pai, alegando que seria falta de educação não cumprimentá-lo. Após muita insistência, deixei que ele entrasse.
- Pai, cheguei. Você tem visita – disse colocado as chaves na mesa de canto.
- Olá Sammy. Quem é?
- Sou Arthur Mason, Sr. Brandow – ele respondeu por mim.
- Admiro ter vindo aqui filho. Não ter esperado que seus pais marcassem uma data – papai sorriu gentilmente e apertou sua mão – Sente-se – fiquei ao lado de meu pai e Arthur sentou na poltrona.
- Na verdade vim fazer as duas coisas. O jantar foi marcado para amanhã em nossa casa, se estiver tudo bem para o Sr.
- Muito conveniente. A que horas?
- Oito.
- Ótimo – meu pai sorriu. No mesmo instante o celular de Arthur tocou.
- Com licença – ele pegou o celular – Alô? Oi Ashley.
- Por que não me falou do jantar? – papai murmurou.
- Ia falar, mas ele é insistente e queria contar. Desculpe.
- Tudo bem. Ele é bem formal, não acha?
- Não, ele só está nervoso. Olha a postura dele.
- Ele deve pensar que vou expulsá-lo daqui a tiros. O que andou falando de mim? – ele sorriu.
- Nada pai.
- Sr. Brandow? – Arthur chamou.
- Sim? – papai ainda estava sorrindo, o que ajudou. Arthur relaxou um pouco a postura.
- Minha irmã está precisando de mim – ele me olhou rapidamente – Terei que ir.
- Não se preocupe. Eu entendo.
  Meu pai o levou até a porta e fui logo atrás dele com os braços para trás. Arthur me olhava repetidas vezes e eu começava a ficar agoniada.
- Volte quando quiser, filho. Mande lembranças minhas a seu pai.
- Sim senhor.
- Pode me chamar de Rudolf, garoto – papai sorriu levemente.
- Está certo – ele esboçou um sorriso.
- Até amanhã.
- Até – eles trocaram um aperto de mãos.
- Tchau Sammy – Arthur disse. Por um segundo vi estampado em seu olhar que algo estava errado.
- Até – ele se virou e atravessou a entrada de carros, indo para o Jaguar – Pia, posso falar com ele rapidinho?
- Claro, vá – ouvi o estalo baixo da porta ao fechar enquanto eu andava.
- Arthur?
- Sim? – ele virou para mim.
- O que aconteceu?
- Por que a pergunta?
- Você parece preocupado. O que Ashley disse que te deixou assim?
- Nada Sammy. É impressão sua – ele desviou o olhar.
- Eu conheço você. O que aconteceu? Talvez eu possa ajudar – toquei seu rosto. Ele pegou meu pulso e abaixou minha mão.
- Não, não pode – seus olhos eram frios – Tenho que ir – ele se virou.
- Arthur – peguei sua mão. Ele continuou de costas.
- Ashley está me esperando – ele puxou a mão e o deixei ir – Até mais – ele disse ao entrar no carro.
- Falou com ele? – papai perguntou quando fechei a porta, encostando a testa nela.
- Sim – murmurei.
- Tudo bem?
- Não sei, acho que Ashley falou algo que o deixou preocupado, mas ele não quis contar.
- Não fique assim. Talvez depois ele conte.
- É. Vou tomar um banho.
  Acordei para a manhã de domingo com meu celular vibrando embaixo de meu travesseiro e dois bipes soando no quarto.
- Quem manda mensagem há essa hora? – peguei o Iphone e abri a mensagem.

Ainda deve estar dormindo, mas é hora de acordar. Os vestidos chegaram e estou indo levar o seu. Beijo, Ashley.

  Dei um gemido baixo e levantei, cambaleando por causa da leve tontura que passou por mim. Meio sonâmbula, peguei uma muda de roupas no guarda roupa e tudo o que precisaria para tomar um banho.
- Bom dia Sammy! – papai disse quando cheguei à cozinha.
- Bom dia, pai – peguei uma torrada que estava em cima da mesa.
- Acordou cedo hoje, anda são oito horas.
- É. Ashley me acordou com uma mensagem dizendo que estava vindo para cá. – peguei o leito na geladeira.
- Ah.
- Vai gostar dela – disse me sentando – Onde está Nathália?
- Ainda dormindo.
- Alguma boa notícia aí? – papai estava com seu laptop enquanto tinha o New York Times ao seu lado.
- Na verdade estou vendo como anda a bolsa – ele tomou um gole de café.
- Boa sorte com seus cálculos. Vai sair hoje?
- Sim, vou à casa de um velho amigo. Faz anos que prometo ir vê-lo e nunca vou.
- Conheço?
- Você era muito pequena quando o conheceu. Ainda morávamos no Texas.
- Ele se mudou para cá, como nós?
- Não, ele sempre morou aqui.
- Ah.
  Não tinha muita coisa para se fazer no andar de cima, então depois que escovei meus dentes fui para o quarto e peguei meu laptop em sua mesa. Eu estava vendo um episódio de Supernatural, quando o telefone tocou.
- Oi Ash.
- Já estou chegando. Recebeu minha mensagem?
- Sim, ela foi meu despertador.
- Ok. O sinal abriu, tchau.
  Estava quase na metade do episódio quando escutei a buzina da Mercedes de Ashley. Fechei o laptop e desci as escadas.
- Bom dia Sammy! – ela estava radiante ao se inclinar para me dar um beijo no rosto.
- Oi Ashley!
- Aqui está seu vestido, vamos provar? – ela balançou uma sacola de papel reciclado com umas fitas de cetim rosa choque penduradas.
- Vamos. Você deixou exatamente como estava no papel, certo?
- Claro que sim. Essa embalagem é de outra coisa que comprei para você – ela sorriu.
- Ashley, você não... – grunhi.
- Olá Sr. Brandow. É um prazer conhecê-lo. Sou Ashley Mason, irmã de Arthur – ela tagarelou com um sorriso enorme para meu pai.
- Olá Ashley! Entre, seja bem vinda. Como vai?
- Bem – ela sorriu e olhou para mim e para a sacola em suas mãos.
- Pai, temos que subir, ela trouxe minha roupa de hoje.
- Claro, fique à vontade – ele falou pra ela – Sammy, vou indo. Até mais tarde.
- Tchau pai.
-Foi um prazer conhecê-la Ashley. Até de noite.
- Até Sr. Brandow.
- Só Rudolf. Sammy, qualquer coisa me ligue – ele me deu um beijo, trocou um até logo com Ashley e foi embora.
- Seu quarto é lindo, mas precisa de mais decoração – Ashley analisou.
- Meu quarto tem uma parede roxa, quadro de fotos, duas luminárias, uma prancha com porta retratos e a lâmpada parece com um globo de boate. O que mais você quer?
- Falta alguma coisa, ainda vou descobrir o que é – ela falou alisando o queixo. Revirei os olhos.
- Arthur mandou isso pra você – ela tirou algo parecido com um envelope de dentro da sacola e me entregou. Era um adesivo para laptop da Apple. Peguei o notebook ao meu lado e comecei a colar a estátua da liberdade com I ♥ NY.
- Obrigada.
- Vamos ver sua roupa?
- Claro!
  O vestido era lindo, exatamente como pensei que ficaria O tecido era suave e se ajustou ao meu corpo.
- Está lindo – Ashley disse atrás de mim no espelho – Agora vamos ver os acessórios.
- Não precisa me emprestar os seus, eu tenho.
- Não são meus. São mimos que comprei para você – ela piscou e tirou algumas caixinhas de dentro da sacola.
- Ashley, não posso...
- É um presente. Agora seja boazinha e os aceite, como fez com o vestido.
- Não foi um presente, vou pagar por ele.
- Arthur já pagou.
- O quê?
- Vamos ver isso aqui, sim?
- Não, não quero. Vocês não deveriam pagar essas coisas.
- Pare de ser criança. Agora sente nessa cama e fique quieta.
- Ashley...
- Samantha... – ela disse entre dentes
- Ok – obedeci amuada.
- Ótimo – ela sorriu – Você vai usar esses brincos - Ela tirou da caixa pequena uma libélula e colocou em cima de minha cama. Depois pegou outra caixa e tirou um sandália com o salto enorme e extremamente fino.
- É muito alto.
- 12 cm – ela se abaixou e pegou meu pé – Posso? – ela calou em mim as sandálias – Levante.
- Você está parecendo uma anã – brinquei.
- Blá. Não tem graça – ela fez uma careta – Consegue andar?
- Sim – mostrei a ela – Tem mais?
- Não, acabou.
- Ainda bem. Já estava começando a imaginar o que viria.
- Posso me arrumar aqui?
- Pode, mas você não tem que estar lá antes de nós?
- Saio antes de vocês.
- Perguntinha: Se vai se arrumar e ir para lá antes de nós, por que não se arruma na mansão?
- Vou fazer sua maquiagem, lembra?
- Droga, é verdade. Não exagere, ok?
- Confie em mim.
- Sei...
- Sammy...
- Ok, ok.
  Nathália acordou quase ao meio dia e à tarde saiu para comprar sua roupa com Brenda. Assistimos um filme e depois Ashley começou a me preparar desnecessariamente para a noite. Lavei meu cabelo novamente, ela disse que tinha que fazer algumas coisas nele. Relutante, atendi a seus caprichos.
- O que vai fazer comigo?
- Vai ver, não se preocupe – ela disse animada e beliscou de leve minha bochecha.
  As horas passaram e nada de Ashley acabar com a tentativa de me transformar em Barbie. Nathália voltou e depois de quase brigar com Ashley, conseguiu entrar em meu quarto e me mostrar o vestido rosa que tinha comprado.
- Acabei. Pode abrir os olhos e se levantar – disse Ashley.
- Finalmente – levantei e andei até o espelho – Nossa. Essa sou eu – A Samantha que estava refletida no espelho não era a mesma de horas atrás. Parecia uma mulher. Meu cabelo estava preso por uma trança desfiada de lado e a franja contornava meu rosto até o queixo. Mesmo parecendo mais velha, podia ver toques delicados em minhas bochechas levemente rosadas.
- Obrigada, Ashley.
- Falei que ficaria bom.
- É, eu sei.
- Pode esperar cinco minutos? Vou ver como Nathália está.
- Ok.
- Sammy?
- Oi pai – ele estava no meio do meu quarto vestindo uma camisa de manga longa e gravata – Você está bonito – elogiei.
- Você está lindo – ele disse admirado – Já são sete e meia e Nathália já está quase pronta. Onde está Ashley?
- Aqui – ela atravessou o quarto e se postou a meu lado – Ela está linda, não está?
- Sim, bom trabalho.
- Vou indo, até daqui a pouco. Quando eu ligar, vocês vão, certo?
- Ok.
- Até logo – ela sorriu e saiu desfilando em seu vestido colado.
  Tentei me ocupar com alguma coisa, mas já começava a ficar nervosa. Algum tempo depois, Ashley ligou e fui para o quarto de Nathália.
- Já está pronta?
- Sim.
- Vamos, Arthur está nos esperando – disse.
- Espera, vem aqui – ela balançou minha máquina digital.
- Vamos garotas! – papai chamou do andar de baixo ao terminarmos de tirara algumas fotos.
  O caminho até a mansão parecia estar mais longo. Minhas mãos suavam e de segundo em segundo eu mordiscava a ponta de minha unha vermelha escarlate.
- Falta muito? – Nathália perguntou por mim.
- Não, é logo ali.
  Mais alguns minutos se passaram e avistei as árvores e o passeio do jardim imenso. A casa estava iluminada e assim que papai desligou o motor, uma silhueta apareceu na porta da mansão.
- Quem é aquela? – Nathália perguntou.
- Suzan, eu acho. É a mãe de Arthur.

- Boa noite. Sejam bem vindos. Sou Suzan, mãe de Arthur – ela nos recebeu.
- Boa noite Sra. Mason. Sou Rudolf Brandow e essa é Nathália – ele trocou um aperto de mãos educado.
- Suzan, por favor – ela sorriu para papai – Como vai Nathália?
- Bem, obrigada.
- Vamos entrar, sim? – todos os Mason estavam na sala. Pude ver Arthur me procurando, mas papai e Nathália estavam em seu campo de visão. John veio em nossa direção e papai encurtou a distância, saindo de minha frente. Arthur me encontrou e pude ver que por alguns segundos ele ficou admirado.
- Sammy – sua voz me idolatrava. Sorri para ele.
- Olá Arthur.
- Está linda – ele murmurou e beijou minha testa.
- Cunhadinha! – Bryan gritou atrás de Arthur.
- Oi Bryan – sorri – Ele se enfiou entre Arthur e eu e me abraçou, quase me sufocando – Bryan, ar – sussurrei.
- O quê? – ele perguntou animado.
- Eu preciso de ar – disse sem fôlego.
- OPS. Desculpe – ele me soltou. Só percebi que meus pés estavam no ar, quando os senti retornar ao chão.
- Ela vai ficar amassada! Passei o dia arrumando ela pra você com um abraço acabar com tudo! – Ashley reclamou ao lado de Bryan. Ele revirou os olhos.
- Oi Sammy – Melissa sorriu levemente – Acho que sou a única educada – ele me abraçou.
- Será que vocês podem me dar espaço? – Arthur resmungou atrás de todos.
- Ah, Arthur – Melissa franziu o cenho – Você está aí? Não tinha te visto. Você devia estar fazendo uma média com seu sogro.
- E você não devia se meter tanto na vida dos outros. Agora... comlicença... Bryan – ele tentou passar pelo espaço entre Bryan e Ashley.
  Ouvimos risos vindos do outro cômodo – que ficava na entrada de acesso à garagem e sala de jantar –, andamos até lá e vimos Suzan, John, Nathália e meu pai sentados à mesa conversando como velhos amigos. Ouvi um suspiro baixo atrás de mim, olhei para trás e vi Arthur.
- Confesso que não esperava ver isso hoje – ele disse olhando para a mesa.
- Também não.
- O que acham de parar de fofocar? – Bryan disse alto – Vou falar com John – ele disse indo para a sala de jantar.
- Sammy! – Ashley balançou sua câmera lilás.
- Ok.
- Vem Mel – Ashley chamou.
- Calma, estou indo – Melissa ligou o som e foi para o lado de Ashley – Cheguei – ela passou o braço pelo ombro de Ashley.
-Fiquem assim – eu disse – Ash, me dá a máquina – elas ficaram paradas enquanto a foto era processada.
- Ok, agora quero uma sua com Arthur – Melissa pegou o braço dele e o coloco a meu lado. Arthur passou o braço por minha cintura e encostou a cabeça na minha.
- Perfeita – Melissa disse abaixando a máquina e depois e mostrou.
- Ficou ótima – eu disse.
- Ash, vem comigo – Melissa chamou.
- Sammy, você se importa de ir lá em cima comigo? – Perguntou ele me abraçando por trás. Senti meu pescoço esquentar.
- Pra quê? – Perguntei confusa. Espiei meu pai para ver se estava me observando, mas ele estava entretido na conversa com o John e o Bryan.
- Venha, quero lhe mostrar algo. – Ele pegou minha mão.
- Está bem – Revirei os olhos e o segui pela escada.
Subimos até o terceiro andar. Eu nunca tinha ido e fiquei curiosa pra saber onde ele estava me levando. Não durou muito, ele me parou numa porta do lado esquerdo. Virei-me para olhá-lo e ele sorriu.
- Este é o meu quarto – disse ele abrindo a porta.
- Você me trouxe até seu quarto?
- Algum problema? – a inocência tingia sua voz. Observei-o com desconfiança, dei um suspiro e passei pela porta que ele mantinha aberta para mim.
Seu quarto era incrivelmente grande, maior até que o da Melissa. Fiquei paralisada por um momento enquanto todas as luzes de seu quarto acendiam com a minha entrada. Olhei para ele, mas nem sequer tinha saído do lugar. Quando olhou meu rosto, entrou no quarto e se postou ao meu lado com um sorriso encantador. Olhei em volta e pisquei antes de começar a analisar o quarto. Tinha muita luz. Ele percebeu minha reação e pegou um pequeno controle em cima de seu criado mudo, onde tinha uma foto minha.
- Onde você pegou essa foto? Não me lembro de ter te dado nenhuma – perguntei observando a fotografia.
- Roubei do seu quadro de fotos no dia em que entrei em seu quarto e deixei flores. Lembra-se?
- Lembro. Posso fazer uma pergunta?
- Claro – ele deu de ombros.
- Por que seu quarto é tão...iluminado?
Ele riu.
- Por nada. – ele apertou um botão no controle e só a lâmpada maior - parecendo uma bola partida ao meio - que ficava no centro do quarto, ficou acesa, o quarto se tornando parcialmente iluminado com a luz fraca. Ele então pegou minha mão e me levou até a ponta da sua cama, fazendo-me sentar nela.
- Arthur, pra que tudo isso? – ele se ajoelhou na minha frente e sustentou meu olhar com o dele.
- Quero te dar algo – disse ele me olhando intensamente
- Arthur...
- Shhh... Você vai gostar, vai ver. Espere aqui, vou pegar – ele me deu um beijo na testa antes de ir até outra porta na frente de onde eu estava. Olhei para o lado e tinha uma varanda. A vista era perfeita. Uma lua cheia brilhava baixo no céu e lançava faíscas prateadas nela, feixes de luz que desviavam de seu caminho original por conta dos galhos das árvores que encobria algumas de suas partes. Levantei-me e deslizei a porta da varanda. Por alguns minutos fiquei contemplando o brilho da lua prateada. Agora parecendo maior que de costume.
- Voltei. – não tinha escutado o som de seus passos e o beijo que ele me deu na lateral do pescoço ao chegar, me fez suspirar e virei para ele. Seu sorriso era empolgado, pude ver isso mesmo com a pouca luminosidade.
- Como você consegue fazer isso comigo?
- Fazer o que? – ele sorriu
- Isso – peguei sua mão e a coloquei em meu peito. Meu coração pulsava rápido demais sob a mão dele e minha pele ficou quente quando ele a tocou.
Ele se limitou a olhar em meus olhos
- Não é nada, comparado ao que eu sinto por você – ia protestar, mas ele se inclinou e tocou seus lábios nos meus. Sua respiração soltou em minha boca e minha mão direita percorreu seu braço, até pairar em seu pescoço, meus dedos se enroscando em seus cabelos – agora brilhantes como ouro com a luz da lua – Sua mão que estava na minha, em meu coração, desceu por minha barriga, até se colocar em minha cintura, me puxando para ele. Minha mão estava em seu peito e pude sentir de leve o contorno de seus músculos.
- Ar... – sussurrei em seus lábios, mas antes de terminar de dizer seu nome ele me puxou mais, sua boca urgente na minha. Quando meu ar já estava escasso, seus lábios passaram para meu pescoço, fazendo uma linha da base dele até a ponta de minha orelha. Ele fez o circuito três vezes antes de eu tomar fôlego.
- Você não tinha ido pegar alguma coisa para mim? – perguntei, a voz fraca deixava seu volume mais baixo que um sussurro
 Ele deu um beijo em meu pescoço e suspirou se afastando um pouco de mim, as mãos me prendendo pela cintura.
- Desde quando você é ansiosa para receber presentes? Pelo que eu saiba você foge deles, não os cobra. – ele sorriu
- Eu precisava te distrair, você parece muito absorto quando está me beijando – suspirei, sentindo meu rosto ruborescer. Senti ele se aproximar mais de mim, seu corpo totalmente colado ao meu. – E então onde está?
- Você é incrível! – ele se inclinou e sussurrou em meu ouvido.
- Onde? – insisti, controlando a respiração.
 Ele grunhiu e se afastou.
- Em cima da mesa – respondeu ele relutante.
- Pois então vá pegá-lo – minha voz parecia travada na garganta. Ele riu de minha luta interior para parecer empolgada.
- Aqui - ele pegou uma caixinha e veio até mim – os olhos brilhantes, um sorriso lampejando em seu rosto esculpido com a mais perfeccionistas mãos – se postando na minha frente.
- O que você fez? – perguntei desconfiada ao vê-la mais claramente. A embalagem era azul marinho e era toda coberta de veludo. Estendi a mão para abrir.
- Não. – olhei para cima quando ele puxou a caixa de mim.
- Por que não? Não posso abrir?
Ele não respondeu. Abriu a caixa retangular e sorriu. Analisei o que havia dentro. Um colar extremamente delicado, com mínimas ondulações que brilhavam com a luz turva da lua, me tirou o ar. Estava bem claro que se tratava de uma jóia. Não toquei, parecia tão frágil que tive medo de que meu toque fosse brusco demais.
- Gostou? – ele perguntou – segundos depois – ansioso
- É lindo Arthur – minha voz era um murmúrio quase inaudível.
Olhei para seu rosto e percebi que havia umidade demais em meus olhos. Pisquei e lágrimas rolaram por minha face.
- Posso colocá-lo? – ele mal controlava a excitação que era explícita em seu olhar.
- Vá em frente – fiquei de costas para ele e senti seu leve toque afastando meus cabelos de meu pescoço. Sua mão afagou minha nuca antes de colocar o colar e tremi ao seu toque. Ouvi um mínimo barulho no colar e peguei o minúsculo pingente que eu não tinha visto.
- Um anjo? – perguntei para mim mesma. Sim, era um pequenino anjo que estava sentado no ar.
- Pensei em muitos pingentes para colocar e deduzi que o melhor era esse. Um anjo que estará com você em todos os lugares porque é seu.Inteiramente seu. É uma boa representação da realidade.
- Tem um detalhe que você não mencionou. Outra representação da realidade.
Seus lábios tocaram meu pescoço antes que ele formulasse sua pergunta. Um arrepio percorreu meu corpo, eriçando os pelos de meus braços. Fechei os olhos para pensar em como respirar, o coração batendo a um ritmo frenético.
- Qual detalhe? – seu hálito quente se tornou frio em minha pele. Todo meu sangue parecia concentrado em um único ponto. Respirei fundo antes de responder.
- É totalmente perfeito – sussurrei.
Ele riu; a risada que eu amava. Tranquila, suave. Virei para olhá-lo.
- O que foi? – sorri levemente.
Ele pegou meu rosto nas mãos – o riso cessado, os olhos de repente em chamas – e me encarou por um segundo. Minha mente estava muito compenetrada em seus olhos e não vi o segundo em que seus lábios se encontraram com os meus, mas quando me dei conta, uma labareda possuiu meu corpo, mas o fogo era mais intenso na pele exposta que tocava a dele. Dessa vez eu também me excedi. O puxei para mim com toda a força do meu desejo e ele retribuiu o gesto. Nossos lábios em um contorno apaixonado, sincronizado. Nossos corpos dominaram nossas mentes e de repente me vi sendo levantada por ele, minhas pernas enroladas em sua cintura e sem que eu me desse conta, estava deitada. Balancei a cabeça para poder me situar, mas eu não tinha como encontrar uma explicação e Arthur em nada ajudava. Sua boca beijava luxuriamente meu pescoço, meu ombro – fazendo trilhas em brasa onde seus lábios tocavam. Quando estava prestes a tentar pará-lo – quando percebi o que eu havia feito – minha voz estacionou na garganta, pois minha boca foi tomada pela dele, o fogo voltando ao meu corpo.
Sua mão passou por minha cintura, ondulando por meu quadril, até que estacionou em minha coxa e a suspendeu. Arfei em meio ao beijo, eu não estava acostumada com essa atitude dele. Ele era muito cauteloso ao me tocar, nunca passando dos limites. Minha mão estava na gola de sua camisa e eu sabia que a apertava com força, meus dedos emaranhados em seus cabelos. Sua boca passou a meu pescoço, descendo até minha clavícula. Tive chance de respirar. Lutei para ignorar meu corpo, eu tinha que me concentrar em minha mente.
- Pare Arthur – arfei.
Ele não respondeu. Sua mão deslizou por minha perna, fazendo o caminho de volta e parou em minha cintura.
- Por favor, você não... – gemi. Seus lábios estavam no canto dos meus.
Ele se afastou com um gemido. Fitou-me por um momento e saiu engatinhando para trás até que ficou em pé.
- Desculpe – ele lutava para controlar a respiração e o próprio corpo. Pude ver mesmo com a luz não muito forte que ele estava sendo sincero. Ele estendeu a mão e a segurei, me apoiando para ficar em pé também. Fiquei na sua frente sem saber o que dizer.
- Obrigada – toquei o pingente em meu pescoço.
- Não há de que – um sorriso lampejou em seu rosto – Sabe de que são?
- Não faço a mínima ideia, talvez topázio... – chutei
- Safira. Sabia que era sua pedra favorita e que azul era sua cor preferida. – disse ele orgulhoso. 
- Obrigada – repeti. Fiquei na ponta dos pés e lhe dei um beijo rápido. Olhei para ele e seus olhos estavam fechados. Coloquei minha mão em seu rosto e ele abriu os olhos me deixando sem ar. Eles eram de um fogo inebriante e senti minhas pernas tremerem. Ele me deu um beijo na testa e respirei fundo para controlar o coração.
- Não há nada na minha vida mais importante que você Sammy – ele sussurrou em meu ouvido.
  Arthur me puxou num abraço e ficamos assim por um momento, nenhum som além do vento que entrava pela varanda aberta e nos envolvia como um lençol frio, suave. Esperei até que meu coração se acalmasse para poder me afastar e olhá-lo, sabendo que ao fazê-lo meu coração reagiria exageradamente.
- Arthur, temos que descer. Já devem ter se dado conta de que não estamos.
- Vamos então – ele me beijou mais uma vez e entrelaçou seus dedos nos meus, a luz se apagando ao sairmos do quarto.


Romance de:

 
Continua...

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