♥ Sete Dias Sem Fim ♥ Ed: 02 - Editora Arqueiro
Judd Foxman pode reclamar de tudo na vida, menos de tédio. Em questão de dias, ele descobriu que a esposa o traía com seu chefe, viu seu casamento ruir e perdeu o emprego. Para completar, seu pai teve a brilhante ideia de morrer. Embora essa seja uma notícia triste, terrível mesmo é seu último desejo: que a família se reúna e cumpra sete dias de luto, seguindo os preceitos da religião judaica. Então os quatro irmãos, que moram em diversos cantos do país, se juntam à mãe na casa onde cresceram para se submeter a essa cruel tortura. Para quem aprendeu a vida inteira a reprimir as emoções, um convívio tão longo pode ser enlouquecedor. Com seu desfile de incidentes inusitados e tragicômicos, Sete dias sem fim é o livro mais bem-sucedido de Jonathan Tropper. Uma história hilária e emocionante sobre amor, casamento, divórcio, família e os laços que nos unem – quer gostemos ou não.

"Achamos que temos todo o tempo do mundo, 
e então nosso pai morre. Achamos que estamos muito bem casados, 
e então nossa mulher vai pra cama com nosso chefe.
Achamos que nosso irmão é um babaca, 
mas então descobrimos que na verdade os babacas somos nós."
pág. 242


Pedi esse livro em parceria com a Editora Arqueiro em setembro pelo simples fato de que ao ler sua sinopse já imaginei a bagunça que ia ser isso. Infelizmente, o correio extraviou meu pedido e como já expliquei, só agora pude ter na mão todos os exemplares que pedi e não vieram.

Confesso que li resenhas exacerbadamente positivas quanto ao livro e como todas as minhas expectativas estavam na comédia do livro, então não tive decepções que pudessem me fazer desgostar do livro, mas também o que li não me fez cair de amores como se esse fosse o melhor livro do mundo. O livro é ótimo, realmente muito bom. Toda a moral da história e o desenrolar de tudo foi muito interessante e acho que foi por essa razão que gostei bastante do livro, sem me apaixonar por ele. Aprendi muitas coisas, não posso negar.

Jonathan Tropper, nos narra a história de Judd Foxman um romântico homem de trinta e seis anos que acaba de pegar a mulher na cama com seu chefe e logo depois perde o pai.  Judd não é um mocinho politicamente correto, pelos quais muitos leitores buscam em suas leituras. É apenas um cara rumando para os quarenta anos, desempregado, que não se acha bonito, que já está perdendo o brilho da juventude e que ama desesperadamente uma mulher que o abandona. Ele tem muitos problemas com a família também. Isso te lembra alguém? Qualquer semelhança é mera coincidência... ou não.

A família de Judd é completamente desunida, seu irmão mais velho o odeia e ele nem sabe direito o porque, mesmo desconfiando que um acidente do passado e o fato dele ter tirado a virgindade da esposa do irmão já sejam motivos suficientes para que Paul o despreze. Ele também tem uma irmã Wendy, casada com três filhos que ainda é apaixonada pelo ex-namorado que coincidentemente é vizinho dos seus pais. E tem Phillip, o caçula, o irmão comedor, que ninguém sabe o que faz, nem por onde anda... apenas que da última vez que o viram ele havia sido preso por cultivar maconha.

Ah! E já ia me esquecendo de Hillary, a mãe dessa cambada. Uma psicoterapeuta sessentona,  famosa por seus livros sobre como criar os filhos, siliconada que se veste como uma menina de vinte, fala abertamente sobre sexo com os filhos e decide revelar a todos que tem um caso com sua melhor amiga e vizinha.

Uma loucura não? Agora junta esse povo todo, durante sete dias em uma casa... morte na certa! Ou quase isso. A forma como o autor vai nos revelando cada um dos personagens sob o prisma de Judd faz com que caiamos na risada e o sarcasmo é palpável.

Logo na primeira página, Judd, recebe a notícia sobre a morte de seu pai. Ele está mal, há poucas semanas ele havia retornado para casa e pego sua amada e idolatrada Jen na cama com o cretino do seu chefe. Está perdido, mergulhado em ódio, rancor e alto piedade quando recebe a noticia de que seu pai havia morrido e ao que parece subitamente resolvera se tornar devoto de um Deus que passara muitos anos de sua vida fingindo nem acreditar. ** Confesso que a parte da auto piedade estava me dando nos nervos e pulei ela **

Ele está de partida para o enterro do pai quando Jen o procura para contar que está grávida. Eles havia perdido um filho algum tempo antes e saber que ela havia engravidado do chefe dele e que ambos tinham um caso a mais de um ano fizeram que com Judd ficasse um tanto quanto amargo e rancoroso. Seus instintos animalescos estão aflorados tudo que ele quer é matar todo mundo a sua frente e ter de agir como um cara normal no enterro do pai chega ser um tanto quanto cômico para ele.

Segundo o rabino, era de vontade do falecido que a família realizasse o Shivá, um ritual de luto judeu em que a família do morto passa sete dias, praticamente sentados ao chão, recebendo as condolências de amigos e vizinhos. E passar sete dias na casa em que fora criado com os irmãos que não se davam e com a mãe excêntrica não estava nos planos de Judd, mas aquela fora a vontade de seu pai, então todos a cumpririam.

Durante esses sete dias de convivência todos tem de aprender a se aturar e Judd tem de arrumar uma forma de descobrir como lidar com a sua vida agora que seu casamento havia acabado. Ele acaba reencontrando ex-namoradas e reencontrando velhos sentimentos. Ele sabe que passou a vida inteira fugindo de Wendy, seu grande amor da adolescência e saber que ela estaria esperando por ele era um alívio, pois pra quem acreditava não ter mais nenhum motivo para viver... ele descobrira que tinha outros tantos motivos para se reencontrar e retornar a viver.

Muita gente achou o Judd um banana e eu também achei, mas a forma como ele lidou com o fato de descobrir que a esposa estava grávida dele, pois o chefe não podia engravidar ninguém... foi interessante. Até mesmo a forma como lidou com sua ex e tudo o mais. Sim, ele é apaixonado pela esposa, mas a confiança fora ruída, o perdão era certo, mas ele não podia simplesmente voltar e fingir que eram uma família feliz. Aquele tempo entre os irmãos mostrou a ele o quanto ele amava aqueles caras e o quanto ele se afastara de todos eles com o passar dos anos. Por mais maluco que tudo possa parecer, por mais surreal que possa ser Sete Dias Sem Fim, é a verdade nua e crua do ser humano, não devemos acreditar que as coisas só acontecem com as outras pessoas... elas podem acontecer com qualquer um. E aí e está o Judd para mostrar a você que a vida é uma confusão independente de quem seja.

Seus medos, suas dúvidas suas atitudes... tudo foi válido. Ele teve todos esses momentos e medos dele e muitos ainda residem ali, mas ele aprendeu que o que já passou não tem mais volta e como o próprio Judd mesmo falou: "- O passado é um prelúdio e o futuro, um buraco negro. (...) Tudo pode acontecer."

Leia esse livro sem a cegueira da hipocrisia e você descobrirá muitas lições nele. Basta querer ver e elas estarão lá. Talvez seus medos sejam os mesmo do Judd, as circunstâncias podem ser idênticas ou adversas, mas uma coisa ou outra você vai encontrar e entre elas algumas boas risadas para amenizar.

Vale muito a pena ler esse livro e brevemente voltarei para falar do filme com vocês.


book cover of 

This Is Where I Leave You
Este livro não fui publicado em Portugal ainda.


6 Comentários

  1. Raíssa moçoila tô ensaiando comprar este livro a algum tempo, mas agora depois da resenha, acho que vou só terminar este comentário e ir lá na Submarino olhar rsrsr Fiquei meio receosa mas Tõ louca pra ler rsrsr

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    1. Não vá com muita a sede ao pote.. rsrs... O livro é bom, mas você tem de estar aberto para receber o que ele tem a oferecer... rsrs

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  2. Oiee Raíssa!
    Menina confesso que estou mais para ver o filme do que ler o livro.
    Pela sua resenha ele me parece ser bom, mas não me identifiquei com a leitura então por enquanto vou deixar no talvez.
    Bjokas!

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    1. Tenho certeza que o filme vai ser beem diferente... certeza... kkkkkkkkkkkkkkk

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  3. Oii Raíssa :)
    Ah, eu já estava afim de ler o livro (e também assistir ao filme), mas jamais imaginei que fosse tão bom!
    É verdade que é pura confusão, e que a família dele é um tanto diferente e hilária, mas acho que exatamente tudo isso deixa o livro muito bom !
    Ah, espera, o filho é dele? Ou do chefe? Fiquei confusa kkkk Eu realmente gostei! Agora é esperar a oportunidade de comprar, mas com certeza vou ver o filme antes ! :)
    Beijos :*

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  4. Logo que vi este livro lembrei de se beber não case, pela capa mesmo. Jonathan logo de início tem uma vida trágica no livro, a família ser de fato desunida é bem tenso também e fora relacionamentos ruins. Jonathan parece ficar bem furioso com as coisas que andam acontecendo, mas quem não ficaria?
    gostei bastante do enredo e não sabia nem que tinha filme, vou querer assistir ^^
    Beijos Raíssa, ThayQ.

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