Bom dia, Corujinhas! Como vão as coisas? 

Aqui a coisa ta insana, mas consegui um tempinho para falar um pouco de poesia com vocês. Acho que ao contrário de muitas pessoas, meu primeiro contato com a literatura se deve a poesia e por ela nutro certo carinho, não apenas por ter me introduzido aos recônditos de minha alma, mas por saber que minha avó materna, a quem não cheguei a conhecer, ser uma grande apreciadora de versos nascidos da alma e ter passado para minha mãe esse belo hábito de sentir as palavras com o coração. Minha mãe tem outras duas irmãs, mas nenhuma passou tempo suficiente com a vovó para aprender a gostar como a filha caçula a quem ela colocava para recitar versos, enquanto passava horas exaustivas em sua velha máquina de costurar trabalhando. Minha avó se foi, mas deixou seu legado... sua velha máquina de costuras e sua filha caçula lendo versos para a filha que estava para nascer e cá estou eu continuando o legado... rsrs... 

Por essa razão, quando Lucas Zaparolli de Agustini me procurou para ajudar na divulgação de seu trabalho independente, senti-me honrada em ajudar. Lucas é tradutor e poeta que com a ajuda da namorada trouxe de forma independente para os amantes de poesia os trabalhos de Delmira Agustini na publicação intitulada de O Rosário de Eros. Não se sinta mal caso não saiba a diferença entre poema e poesia... nem ser amante de poesia, entregue-se a magia, leia os versos, abra o coração, pois não há como não se emocionar. Poesia não foi feita para ser lida de qualquer forma, foi feita para ser lida com o coração. Confesso que pouco sei das regras portuguesas para a junção de versos, mas sei me entregar ao sentimento do poeta quando o leio e isso me basta. 

Delmira, para quem não sabe, foi uma jovem poetisa uruguaia de 27 anos, assassinada com dois tiros no rosto pelo ex-marido no dia 06 de julho de 1914 por volta das 18h. Seu assassino suicidou-se em seguida sendo seu corpo encontrado sobre o da mulher. Por essa razão, ontem, aqueles que apreciam sua obra comemoraram o centenário de sua morte e para não ficar de fora, eis-me aqui contando um pouquinho de cada coisa para vocês. Suas obras são voltadas para o erotismo e o que chocou um pouco a sociedade de seu tempo, mas há um vídeo (sem legendas) ao final dessa postagem para que vocês possam conhecer um pouco. Brevemente trarei mais versos de Delmira, já comecei a ler O Rosário de Eros, mas por conta do hospício que minha vida virou nos últimos meses, mal sei quem sou, quem dirá ter cabeça para me entregar a poesia. :p

Um pequeno trecho a seguir de As Asas de Delmira Agustini. Interessados em conhecer um pouco mais sobre a obra clique AQUI.

Um dia, raramente 
Desmaiada à terra, 
Eu adormeci nos felpos profundos deste bosque... 
Sonhei divinas coisas!... 
Um sorriso teu me despertou, parece-me... 
E não sinto minhas asas!... 
Minhas asas?... 

 – Eu as vi desfazerem-se entre meus braços...

O vídeo abaixo é uma breve história sobre a poetisa - Em Espanhol (há imagens de sua morte).

2 Comentários

  1. Oi, eu não conhecia essa poetisa, pelo verso, deu para notar que ela é ótima, que bom que a sua bisavó, fazia isso com a sua mãe, tenho certeza de que ela tem um enorme talento com os versos, eu sempre gostei, mas ninguém me influenciou nisso.
    Beijos!!!!

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  2. Conheci agora pouco as obras de Delmira Agustini e de cara me apaixonei. Ela é um exemplo de mulher para todas nós. Apesar de sua época não valorizar as mulheres ela lutou e fez a diferencia não se calando diante de uma sociedade machista.

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