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Algumas coisas são verdade, quer você acredite nelas ou não." City of Angels

► Recadinho aos leitores: E então queridos? Estão gostando do romance da Cassia? Ainda foram poucos os comentários por essa razão só vou publicar o próximo capítulo quando mais pessoas comentarem algo sobre a história e/ou sobre o trabalho na Cassia. Não é justo eu disponibilizar uma coisa, ser cobrada por ela, mas não ter o mínimo de reconhecimento de vocês né? Então, se querem que o próximo capítulo saia bem rapidinho... deixa ai seu comentário!Beijos ~Raíssa



                                  26. HUMANIDADE




  Havia cartazes espalhados por todo o colégio.
  Não havia dois alunos do último ano desanimados para a formatura do dia seguinte. Dois. Por que um existia: Samantha Anne Brandow.
  Para mim, não tinha nada de especial. O período escolar iria acabar, meus amigos iriam para partes diferentes do país, era uma despedida! O que havia de bom, fora o fato de eu ir para Harvard University? Todo aquele clima de final de semestre me lembrava Arthur. Mesmo dizendo a todos que eu não iria, ainda tinha quem insistia comigo.
- Sammy, você tem que ir – Sophia reclamou.
- Não vou pra ficar carrancuda sentada em uma cadeira, Sophia.
- Você é impossível – ela resmungou.
- Se quer ir, vá. Você não nasceu agarrada comigo!
  À noite foi a mesma coisa. Papai, Nathália e eu estávamos na mesa, quando o telefone tocou. Nathália quem atendeu.
- Sammy, é pra você – levantei e ela me entregou o telefone.
- Alô?
- Sammy? – Richard disse.
- Oi, Rick.
- Vou chamar Sophia para o baile, o que acha?
- Hoje é a véspera, tem certeza de que ela não tem par?
- Tenho sim. O par dela não vai poder ir.
- Então chama. Ela aceita. Ela deve estar desesperada, vai aceitar qualquer oferta – brinquei.
- Não teve graça.
- Desculpe – sorri.
- Na verdade... – ele estava inseguro – Eu queria ir com você.
- Já falamos sobre isso.
- Desculpe – ele fez uma pausa – Está bem. Se não quer ir, não posso obrigá-la. Se mudar de ideia...
- Você será meu par na formatura.
  O dia amanheceu perfeito. O sol não estava muito forte – afinal era outono – mas o suficiente para não precisar de casaco. Peguei uma blusa preta de algodão, de manga curta e botões, um short jeans e tudo o que precisaria para tomar um banho. Depois de me arrumar, peguei uma maçã na cozinha e me joguei no sofá, ligando a TV.
  Assisti a todas as séries que passavam no horário e aproveitei para ver a programação da tarde – já que hoje não tinha aula para o último ano – mas não teria nada que prestasse.
  Almocei e subi para o quarto. Eram quase duas horas quando fiquei agoniada de não fazer nada. Peguei um casaco no guarda roupa – na praia devia estar frio – e ao descer, olhei a fechadura após pegar a chave.
- Como sempre papai deixou aberta – resmunguei. Abri a porta e saí de casa.
  Fiquei paralisada. Era uma miragem. Eu devia ter ficado louca.
  Na minha alucinação vi Arthur andando de um lado para outro na entrada de carros, uma mão no bolso e a outra mexendo no cabelo louro, liso e desgrenhado. Pasma, deixei a chave cair de minha mão e ao ouvir o barulho do metal, acordei para a realidade.
  Não estava vedo coisas. Soube disso no instante em que seus olhos azuis encontraram os meus e ele sorriu ao me ver estagnada na varanda.
- Sammy! – ele disse correndo até mim. Suas mãos seguraram meu rosto e ainda em choque, senti seus lábios tocarem os meus.
  Aquele corpo e aquele beijo eram familiares. Minha consciência e meu coração aceitavam de bom grado.
  A adrenalina percorreu meu sangue e me arrancou do estado de choque. Minhas mãos procuraram cobiçosas por seus cabelos, onde prendi meus dedos e o puxei para mais perto de mim. Arthur apertou a base de minhas costas e me beijando, andou comigo para trás, até que entramos em casa e ele fechou a porta com um chute.
  Sua boca deixou a minha por um instante e beijou meu rosto, indo para o meu pescoço. Tentei respirar, mas não tinha vontade e mesmo com meus batimentos audíveis, me retorci até minha boca tocar a sua.
  Quando realmente necessitava de ar, afastei meus lábios um pouco dos seus e ofeguei. Notei que não era a única com problemas para respirar.
- Você não me esqueceu? – ele perguntou respirando, as mãos em meu rosto.
- Não ter te esquecido foi o que manteve viva – respondi. Um sorriso encheu seu rosto.
  Ele estava ali, em meus braços. O amor da minha vida havia voltado.
- Quase morri sem você – sua voz era devastadora.
- Arthur... – murmurei. Percorri o desenho de seu rosto com os dedos, sentindo cada detalhe.
- Estou aqui – ele sorriu e fitei seus olhos.
- Sim, você esta – retribui seu sorriso.
- E agora é para sempre.
- Como? – perguntei confusa. Ele me soltou e segurou minha mão, me conduzindo até o sofá. Sentei ao seu lado e esperei que falasse.
- Tive uma missão depois da sua. Mas não conseguia te tirar do centro da minha mente e isso acabou tornando as coisas bem difíceis. Não posso contar com detalhes, tenho que manter segredo, mas...
- Mas? – incentivei.
  Ele sorriu e chegou mais perto de mim, inclinando-se para falar em meu ouvido.
- Sou humano agora. Totalmente. E fiz isso por você. Não aguentava mais viver um segundo sem seu cheiro – ele beijou meu pescoço –, sem seu corpo. Não aguentava não ver seu sorriso e ouvir sua voz.
- Você se tornou humano por mim? – perguntei sem saber o que dizer. Ele se afastou e encarou meu rosto.
- Sim. Nunca mais vou te deixar.
  A campainha tocou no mesmo segundo e com medo de que ele desaparecesse em uma nuvem de fumaça, andei devagar até a porta e abri um pouco.
- Richard!  -arfei.
- Oi Sammy – ele sorriu.
- O que veio fazer aqui? – sibilei.
- Sei que já respondeu, mas vim perguntar se você mudou de ideia – ele parecia envergonhado.
- Não vou. Era só isso? – fechei um pouco a porta.
- O que está escondendo? – ele perguntou unindo as sobrancelhas.
- Nada – minha voz falhou. Ele inclinou a cabeça um pouco para o lado e estreitou os olhos – O que foi?
- Conheço você. Tem algo que não quer que eu veja.
- Não tem nada – disse sufocada.
- Então me deixe entrar – ele desafiou.
- Você não perdeu nada aqui dentro. Já perguntou o que queria? Então, tchau – tentei fechar a porta, mas ele a empurrou, entrando na minha casa e ficando em choque ao ver Arthur.
- Arthur? – Richard perguntou sem acreditar – O que veio fazer aqui? – ele perguntou com raiva. Arthur se levantou e olhou confuso para Richard.
- Richard, o que...?
- Veio magoá-la de novo? Acha que pode deixar as pessoas e depois voltar do nada? Tem noção de como ela ficou sem você? – ele disse entre dentes – Ela não falava, o sorriso desapareceu, sua voz era sem vida, assim como seus olhos. E o pior: Ela estava aos pedaços e teve que aprender a viver sangrando. Tinha pesadelos e acordava no meio da noite morrendo. Você não tem ideia do que ela fez pra sobreviver. Ela obrigava o coração a continuar batendo todos os dias, sem que nenhum sangue passasse por ele – Richard estava furioso, mas eu não podia fazer nada. Ele sabia como eu havia ficado. Encolhi-me esperado que ele acabasse – Você não sabe de nada. Mas ela sabe como é! – ele apontou pra mim. Senti os olhos dos dois e meu rosto. Arthur me olhava suplicando perdão, enquanto Richard esperava por alguma reação minha – O que você vai fazer?
- Richard... – disse me desculpando.
- Sabia que na primeira oportunidade você ia rastejar aos pés dele. Você tem algum amor próprio? – ele marchou pra fora de casa. Olhei nos olhos de Arthur por um segundo e fui atrás de Richard.
- Richard, espera! – gritei enquanto ele entrava no Jeep – Richard! – corri até ele, que arrancou com o carro e saiu cantando pneu.
  Eu havia magoado de novo quem me manteve de pé quando eu não tinha chão para pisar. Arrasada, voltei para dentro e encontrei Arthur no mesmo lugar. A diferença é que ele estava de cabeça baixa.
- Desculpe pelo que causei – ele me olhou quando toquei seu rosto – Não devia ter voltado. Deveria ter... morrido. Não era eu ter me tornado humano.
  O que ele disse doeu mais do que qualquer palavra que Richard havia dito. Meu peito latejou e de repente fiquei sufocada. Lágrimas encheram meus olhos e minha mão caiu.
- O quê? – disse entre dentes – Você escutou o que disse? O que Richard falou? – minha voz aumentou – Você queria ter morrido? Você... Você é um louco! – gritei – Eu quase morri sem você! Esse último ano foi o pior de minha vida! Você acha que fez a escolha errada?  - olhei colérica pra ele – Então saia daqui – gritei e o empurrei – Não quero que tenha pena de mim, saia! – comecei a esmurrar seu peito e soluços saíram de minha garganta.
  Arthur segurou meus pulsos e olhei para ele surpresa. Seu rosto era sério ao me fitar e meu choro cessou.
- Shhh... – ele franziu o cenho – Vou ficar. Ainda tenho uma missão que não cumpri.
- Mas você é humano – contestei.
- A missão de ter amar nunca terá um fim – ele tirou o colar de dentro da camisa – É o seu nome que está aqui. E sempre estará – ele sorriu e me puxou para seus braços – Eu senti sua falta, muito.
- Eu também – aninhei meu rosto em seu peito.
  Arthur me afastou e encarou meu rosto. Seus olhos o percorreram e depois seus lábios estavam nos meus.
  O beijo começou normal, assim como eu me lembrava. Mas achava que havia algo diferente. Arthur me apertou contra seu peito.
  Ele agora era humano e estava agindo ainda mais como um.
  Puxei seu rosto para o meu e senti que andávamos um pouco, até ele me afastar e sorrir.
- Com licença? – ele sorriu maliciosamente e se abaixou um pouco. De repente eu estava em seu ombro.
- O que está fazendo? – perguntei enquanto ele subia as escadas sem nenhum esforço. Ele parecia carregar uma criança. Arthur entrou em meu quarto e me colocou no chão – Você enlou... – minha boca foi tomada pela dele.
- Eu te amo, eu te amo, eu te amo – ele balbuciou enquanto me beijava.
- Verdade? – escapei por um segundo de sua boca.
- Vai ver – ele me tomou nos braços e deu um passo para frente. Desequilibrada como sempre, caí em cima da cama, levando ele junto.
  Sua boca deixou a minha e desceu por meu pescoço, onde fez uma trilha em brasa que chagava ao coração. Inspirei um pouco de ar e ele voltou à minha boca. Uma das mãos pairadas em minhas pernas, a puxou, encaixando-a em seu corpo e o senti se afastar de mim.
- O que foi? – perguntei ofegante. Raramente ele parava. Esse era o meu papel.
- Vivi muito tempo sem ver você – ele respondeu respirando – Mas posso viver um pouco mais – ele sorriu de lado.
Me icei , ficando meio que sentada e o puxei para mim. Sua boca colou na minha e obriguei meus pulmões a não precisarem mais de ar.
  Minhas mãos desceram por seu pescoço, percorrendo seu peito, até que chegaram à barra de sua camisa. Apressada, a levantei e não precisei fazer mais nada. As mãos em minhas pernas sumiram e ele a tirou. Seu corpo era milhares de vezes mais bonito do que eu me lembrava. Prendi minhas mãos em sua cintura e o puxei para meu corpo enquanto sua boca envolvia a minha. Ele tombou de lado e fiquei por cima dele. Deixei seus lábios por um segundo e beijei seu queixo percorrendo todo o caminho em beijos até metade de sua barriga. Em meio a seu arquejo, ouvi um gemido baixo e ele envolveu minhas pernas novamente, encaixando-as mais uma vez em seu corpo. Agora ele estava mais uma vez por cima de mim.
  Arthur sorriu levemente antes de encostar sua boca na minha e seus lábios tomaram os meus. Apertei suas costas com as mãos e senti as suas entrando por baixo de minha blusa, chegando à curva de minha cintura, onde parou. Meus dedos acariciaram suas costas, até que chegasse em seus cabelos novamente.
  Ali, em seus braços, percebi que nada no mundo realmente importava. Enquanto ele me beijava, eu esquecia tudo o que estava ao meu redor e me tornava inteira novamente, sem cicatrizes. Eu agora o tinha para sempre.
  Arthur se ajoelhou na cama e me levou junto, segurando minhas pernas para que elas não se desenrolassem de seu corpo e beijou meu pescoço, sua boca afastando a blusa para chegar à minha clavícula e ir até o ombro. Também beijei seu pescoço e percorri com minhas mãos o caminho até seu peito. Ele arfou e minha boca estava novamente na dele. Suas mãos apertaram minhas pernas e eu estava deitada novamente. Ele soltou minha boca para me dar chance de respirar e senti quando suas mãos saíram de minhas coxas e levantaram minha blusa, seus lábios beijando minha pele. Ofeguei e seus lábios subiram, desta vez por cima da blusa.
  Só minutos depois, quando nossos pulmões já estavam doendo por falta de ar, que sua boca deixou a minha. Abri os olhos e o vi me fitando, os olhos azuis em brasa.
- Amo você – ele sussurrou acariciando meu rosto.
- Eu também – murmurei e me retorci embaixo dele, até que fiquei sentada.
  O Iphone tocou e relutante o peguei em cima do criado mudo.
- Arthur voltou? – Sophia perguntou.
- Como sabe? – perguntei incrédula.
- Richard disse ao Bernard, que disse à Beatriz, que me contou.
- Nossa – murmurei – Sim, é.
- Então vai pro baile?
- Sophia, não. Mesmo que eu fosse. Não tenho vestido.
- É verdade. Mas se corrermos, pegamos um no shopping.
- Não dá. Você sabe como eu demoro pra escolher.
- Droga – ela resmungou – Tchau .
- Ok.
- Ei!
- Oi?
- Sabe dizer se todos voltaram?
- Não sei. Por quê? – perguntei curiosa.
- Curiosidade mórbida – quase pude vê-la revirando os olhos lentamente.
- Certo – fingi que acreditei.
- Tchau.
- Hoje é a formatura? – Arthur perguntou.
- Sim.
- E você não vai?
- Não – respondi. Ele me encarou em silêncio – O que foi?
- Estou olhando para seu rosto. Você é a única que quero ter todos os dias – sorri e me inclinei para falar em seu ouvido.
- Eu te amo. E mesmo que o para sempre não exista, seguirei te amando mesmo assim – seus braços me evolveram e retribui seu abraço.
  Fechei os olhos e repousei minha cabeça em seu ombro. Concentrei-me nos batimentos de meu coração. Ele estava inteiramente curado das fissuras de um ano atrás. Os braços que me envolviam me amavam e agora nunca mais me abandonariam. Senti Arthur afundar o rosto em meus cabelos, mas não abri os olhos, algo muito importante era liberado de algum lugar minúsculo de minha consciência, inundando minha mente.
  Só naquele segundo a ficha caiu. Arthur estava em meus braços e não ficaria mais fora do alcance deles. A nuvem negra que estava sobre mim foi dissolvida no minuto em que vi novamente seus olhos, em que toquei sua pele dourada e senti seus cabelos em meus dedos. Não havia como explicar a alegria que me dominou e quando vi estava chorando, soluços baixos saindo de minha garganta.
- Sammy? – Arthur disse alarmado e me afastou. Ele me olhou preocupado e passou as mãos delicadamente por meu rosto, tentando enxugar as lágrimas que insistiam em cair – Por favor, Sammy. O que aconteceu? – ele desistiu e segurou meu rosto com as duas mãos, um toque de desespero em sua voz perfeita.
- Eu... – solucei.
- Você...? – ele incentivou nervoso.
- Arthur! – voltei a abraçá-lo me sentindo uma completa idiota por estar agindo desse jeito. Ele afagou minhas costas e beijou minha cabeça.
- Você está me deixando maluco – ele sussurrou. Respirei fundo e tentei falar.
- Estou feliz por você estar aqui – murmurei. Ouvi seu suspiro de alívio e ele me abraçou mais forte.
- Eu voltei e nunca mais direi adeus – ele falou e beijou meus cabelos.
  Fiquei por mais alguns minutos abraçada a ele, esperando que meu estoque de lágrimas acabasse.
- Melhor? – ele perguntou quando me afastei.
- Sim – sorri de leve. Ele sorriu e memorizei cada detalhe.
- Sammy – ele ficou sério – Me perdoe pelo que fiz. Sei que nunca vou conseguir apagar de sua mente o tempo em que ficou sozinha, mas saiba que me arrependo muito. Não foi fácil pra mim, também – ele baixou o rosto. O encarei por alguns segundos e toquei sua bochecha. Ele me olhou e pude ver tristeza em seu olhar.
- Não fique assim. Não há nada o que perdoar. Eu sabia que você teria que partir e um dia eu ia melhorar. Eu sofri, muito, mas no instante em que vi você, tudo o que aconteceu ficou num passado bem distante. O presente é que importa.
- Obrigado – ele beijou minha testa. Seus braços me puxaram delicadamente e repousei a cabeça em seu peito, escutando o som de seu coração – Se eu te convidar para o baile, você aceita? – ele perguntou inseguro.
- Claro que sim – bufei. Ele me afastou e pegou minha mão.
- Você me deixa te conduzir esta noite? – ele perguntou com um sorriso torto. Sorri e baixei a cabeça e internamente satisfeita voltei a olhá-lo.
- Todas as noites – sussurrei. Arthur sorriu e levantou minha mão para beijá-la.
- Preciso falar com Ashley – ele disse após um segundo.
- Todos voltaram?
- Sim e antes que pergunte, todos são humanos também – ele pegou o celular no bolso da calça.
- Nossa – disse atordoada.
- Ash? – ele disse – Sim, estou com ela – Arthur olhou para mim – Ok – ele me entregou o celular – Ela quer falar com você.
- Oi Ash!
- Sammy, quantas saudades de você! Como está?
- Bem. Também senti muito sua falta.
- Quero te ver. Vai ao baile?
- Sim – franzi o cenho – Eu acho.
- Hmmm... Arthur ainda está por perto? – olhei para ele e o vi vestindo a camisa.
- Sim – respondi – Arthur? – lhe entreguei o celular.
- Fala.
  Arrastei-me para trás até que minhas costas encostaram no espelho da cama. Arthur sentou no colchão e segundos depois deitou de barriga pra cima e repousou a cabeça em meu abdômen.
  Fiquei alisando seus cabelos enquanto ele falava com a irmã e após um longo tempo, desligou.
- Como ela fala, nunca vi! – ele resmungou, colocando o celular ao seu lado.
- Arthur, acho que temos um problema – murmurei. Ele se mexeu, ficando de bruços, os cotovelos apoiados na cama.
- Qual? – havia um vinco em sua testa.
- Não tenho roupa pra ir – passei o dedo em seu cenho franzido, sua testa voltando ao normal com meu toque.
- Não se preocupe, minhas irmãs cuidarão disso – ele sorriu e piscou.
- Não quero ser o brinquedo da Ashley de novo.
- Ela está controlada – Arthur sorriu e se aproximou, deitando o rosto em minha barriga. De boa vontade, voltei a passar os dedos por seu cabelo.
  Conversamos por um bom tempo. Melissa ligou perguntando de que cor – fora azul – eu gostava, disse que estava com saudades e que dali a duas horas iria me buscar para irmos à mansão.
  Estávamos na cozinha – Arthur e eu sentados à mesa – quando papai chegou com Nathália, que ria de alguma coisa.
- Sammy? – ela chamou.
- Na cozinha – respondi.
- Oi Sam... – ela olhou para Arthur de boca aberta. Nathália pestanejou antes de se recuperar – Arthur? – ela sorriu.
- Oi Nathália – ele sorriu e levantou – Como vai?
- Bem e você? – ela andou até ele e o abraçou.
- Bem.
- Arthur? – papai disse em choque. A expressão dele não era nada receptiva.
- Pai... – murmurei. Ele olhou para mim e balancei a cabeça negativamente – Está tudo bem.
- Como vai rapaz? – papai sorriu levemente – É bom tê-lo de volta – ele apertou a mão de Arthur – Sammy ficou muito sem você, espero que isso não se repita.
- Pai – Nathália e eu falamos ao mesmo tempo.
- Não irá se repetir – Arthur o olhou nos olhos.
- Como está sua família?
- Bem, Todos ansiosos para vê-la – ele olhou pra mim.
- Quero vê-los também. Pôr a conversa em dia.
- Claro.
- Pai?
- Sim, Sammy?
- Vou ao baile – mordi o lábio esperando por sua resposta.
- Já previa isso – ele sorriu gentilmente – Mas h[á um problema.
- Qual?
- Vamos para o Texas hoje à noite visitar Lucy e Nicolas – papai disse se desculpando.
- Não pode ser amanhã?
- Não. Foi difícil conseguir passagens de avião para lá, esse era o único horário vago.
- Sr. Brandow?
- Sim, filho?
- Sammy poderia ficar na minha casa. Tenho certeza que todos vão adorar.
- De jeito nenhum! Filho, não estou falando de você, porque sei que tem juízo e Sammy também, mas já fui adolescente e sei como as coisas funcionam.
- Pai, eu nunca... – disse com um nó na garganta – Por favor, não me faça dizer essa frase – Nathália riu.
- Eu falo por ela, pai. Olhe, ela virgem, ok?
- Nathália! – baixei a cabeça envergonhada.
- Vão por mim, as coisas mudam – papai disse prendendo o riso. Não tive coragem de olhar para Arthur.
- Pai! – grunhi.
- Sr. Brandow pode ficar tranqüilo, meus pais e irmãos estarão em casa e eu nunca faltaria com respeito à sua filha. Se quiser, ligo para meus pais e o Sr. fala com eles.
- Não é necessário, confio em você.
- Isso quer dizer que ela pode ir? – Arthur perguntou.
- Sim – papai respondeu relutante – Voltaremos no domingo, no final da tarde – ele disse me olhando.
- Ok. Mande lembranças minhas e boa viagem pra vocês.
- Cuidado.
- Ok, pai – revirei os olhos – Vou arrumar minhas coisas, você vem? – perguntei a Arthur.
- Claro – ele respondeu colocando o celular no ouvido.
  Arthur ligou para John e explicou toda a história, enquanto eu pegava tudo o que precisaria para passar o final de semana na mansão dos Mason. Ele estava fechando minha mochila, quando sentei ao seu lado na cama.
- Sabe de uma coisa? Eu poderia ficar em casa – dei de ombros.
- Não vai ficar sozinha aqui – ele me encarou – Se não fosse eu, alguém da minha família daria a sugestão – ele colocou uma mecha de meu cabelo para trás.
- Mas...
- Sammy, não vou fazer nada que não quiser – ele franziu o cenho.
- Arthur! – reclamei ficando vermelha e dei um tapa em seu ombro. Ele riu de mim.
- Sammy? – Nathália chamou entrando no quarto.
- Oi.
- Melissa chegou com Ashley e John – ela disse apontando para trás.
- Ok, vamos.
- Sammy! – Ashley sorriu ao me ver e me abraçou.
- Oi Ash! – respondi animada.
- Quanto tempo! – Melissa me abraçou.
- Como vai Sammy? – John perguntou sorrindo quando Melissa se afastou.
- Bem e você? – lhe abracei.
- Tudo ótimo – ao me afastar ele olhou para meu pai – Então e isso, Rudolf. Estamos indo e mais uma vez: Não se preocupe, ela estará em boas mãos. Tentaremos cuidar dela do mesmo modo que é tratada aqui.
- Obrigado, John – papai apertou sua mão – Sei que ela ficará bem.
  Nem Melissa e muito menos Ashley quis ir no banco da frente para dar espaço a Arthur, que acabou tendo que ir ao lado de John.
  Fui recebida extremamente bem por Bryan – que me apertou ainda mais que o comum – e Suzan.
  Melissa me rebocou até seu quarto, onde em cima da cama estava estendido um vestido roxo – que quase chegava ao preto – uma gargantilha de estrelas, no chão um salto alto preto com detalhes em strass lilás numa das laterais de cada um e salto transparente. Fiquei parada na porta tentando calcular o preço de cada peça, lembrando a mim mesma que elas só compravam roupas nas grifes mais caras.
- Gostou? – Ashley perguntou entusiasmada.
- É lindo.
- Vamos, não temos muito tempo – Ashley pegou minha mão.
- De novo, não – grunhi enquanto íamos para o banheiro que era quase do tamanho do meu quarto.
- Pronto – Melissa disse após terminar de ondular a última mecha de meu cabelo – Está faltando alguma coisa – ela me encarou.
- Mel, está ótimo – suspirei.
- Coloca isso – Ashley trouxe um prendedor médio, puxou a parte da frente do lado direito de meu cabelo e colocou algo que parecia uma estrela de muitas pontas com uma pequena pedra roxa em forma de diamante.
- Agora sim – Melissa disse – Ash, já que você está quase pronta, ajuda Sammy a se vestir.
- Vem Sammy – levantei da cadeira e olhei para Ashley. Ela estava num vestido tomara que caia cinza brilhoso, que ia até o joelho. Seu cabelo estava preso de lado com vários fios soltos.
- Você está linda – elogiei.
- Obrigada.
- De que tamanho é o vestido da Mel?
- Um pouco acima do joelho, por quê? – ela perguntou confusa.
- Por que só o meu é longo?
- Ele não é longo – ela sorriu – Observe – Ashley foi até a cama e quando pegou o vestido entendi o que quis dizer. Ele era curto na frente.
  Ela me ajudou a vesti-lo, para que eu não desmanchasse o que Melissa havia feito em meu cabelo e rosto. Depois que o vesti, calcei os sapatos e coloquei a gargantilha.
- Você está linda – Ashley sorriu.
- Obrigada – andei até o enorme espelho de Melissa e fiquei de olhos arregalados. Não parecia comigo. Melissa tinha me transformado numa estrela de Hollywood sem nenhum esforço. Baixei o olhar para meu corpo. Meu colo estava nu, destacando a gargantilha, assim como a parte da frente até metade de minhas pernas estavam descobertas, deixando o scarpin chamar atenção.
  Eu ainda estava em choque quando Melissa voltou ao quarto usando um vestido rosa escuro que valorizava seu corpo.
- Você está perfeita – ela andou até mim, seus cachos grossos balançando.
- Você também.
- Já está na hora – Ashley disse.
- Você devia ver. Arthur está andando de um lado para outro e Bryan está prestes a jogar uma bomba nuclear nele – Melissa riu.
 Suponho que tenhamos que acabar com esse plano de Bryan – Ashley disse enquanto íamos para as escadas.
  Andei um tanto devagar – com medo de tropeçar e sair rolando até os pés de Arthur – e ao chegarmos no topo da escada principal, Melissa e Ashley teatralmente entraram na minha frente para que Arthur não me visse. Quando desceram o último degrau e saíram de seu campo de visão, pude ver um sorriso encher o rosto dele.
  Seus olhos azuis brilharam e ele veio até mim, segurou minha mão e a beijou, sem tirar os olhos dos meus. Sorri ao vê-lo mais de perto e ele repousou a mão em meu rosto.
- Você está linda – ele disse me fitando.
- Você também – Arthur vestia um smoking cinza grafite de risca.
- Estou a sua altura.
- Vamos? – Bryan perguntou.
- Vamos – Arthur respondeu ficando ao meu lado e envolvendo meu braço ao seu.
  Arthur ma ajudou a entrar no Jaguar e não pude deixar de notar o modo como ele me olhava, parecia me idolatrar. Fui sozinha com ele no carro, enquanto Bryan nos seguia levando Ashley e Melissa. Ao chegarmos ao colégio, vi que tinha caprichado na decoração. Algumas coisas haviam sido do baile dos alunos, mas a maioria era inédita.
- Acho que chegamos atrasados – disse ao descer do carro.
- Não importa – ele segurou minha mão.
- Nunca vou me acostumar com você assim – Arthur murmurou.
- Assim como?
- Você parece uma pedra preciosa. Na verdade você é minha pedra preciosa – Arthur levantou nossas mãos entrelaçadas e tocou meu rosto.
  Haviam colocado algo como uma escadaria na saída do refeitório – que tinha se transformado na entrada do baile – e estava parecendo com as festas que existiam em castelos, na época de reis e rainhas.
  A primeira pessoa que vi foi Sophia. Ela estava ao lado de Miguel e vi quando ela ficou surpresa e o chamou. Miguel olhou para mim e vi sua boca abrir um pouco. Aos poucos vi os olhares de todos em mim. Envergonhada, desviei o olhar e meus olhos encontraram os de Richard.
  Ele estava com uma taça na mão e me olhava pela fenda que era seus olhos.
- Você veio! – Sophia atirou os braços em meu pescoço.
- É, eu vim – sorri.
- Que bom – ela sorriu ao se afastar – E você, Arthur? É bom te ver novamente! – ela o abraçou.
- Senti sua falta – ele disse.
  Ficamos conversando por um longo tempo e num segundo que olhei ao redor, vi Richard encostado num canto do refeitório olhando para mim. Sem que ninguém percebesse, saí de onde estava e fui até ele.
- Saia daqui – ele resmungou sem me olhar.
- Não – disse.
- Não quero falar com você.
- Mas eu quero – insisti.
- Saia – ele disse entre dentes e me encarou.
- Não – me aproximei mais dele, nossos rostos quase colados.
- O que você quer? Passar na minha cara tudo isso? – ele grunhiu.
- Não, mas Richard... Não é possível, você devia saber que seria assim se ele voltasse.
- Eu devia saber que ia ser enxotado da sua vida?
- Não – o encarei – Richard, você sempre soube que eu nunca senti nada a mais que amizade por você. Se alguém te iludiu, foi você mesmo.
- Sammy, eu queria poder te abraçar como antes, dizer pra você que eu sempre vou te salvar de tudo, mas agora não tenho mais lugar na sua vida. E vou ter que aprender a conviver com isso.
- Não!
- Como não, Sammy? Acha que Arthur vai aceitar, vai achar bonitinho nós dois juntos? – ele desafiou. Segurei seu rosto com as duas mãos e o fiz me encarar.
- Você é meu melhor amigo e nada vai mudar isso. Porque mesmo que Arthur tenha voltado, nunca vou esquecer aqueles meses em que a única coisa que me fazia levantar da cama era saber que você ia estar me esperando lá fora.
- Sammy, não dá...
- Se você não que ser mais meu amigo, ok. Vou ter que me acostumar.
- Não...
- Mas se um dia você achar que sente minha falta e se perguntar em que lugar do planeta eu estou, saiba que vou esperar por você no nosso refúgio – disse prendendo as lágrimas – Eu te amo, Richard. Não é o amor que você quer e sinto muito por não poder fazer nada em relação a isso, mas é o melhor que posso fazer. É o amor mais forte que posso te dar – soltei seu rosto e me virei. 
  Richard puxou minha mão e me fez ir contra seu corpo, seus braços me envolvendo.
- Você não devia ter esse poder sobre mim – ele disse com um sorriso na voz.
- Você que me deu muito espaço – sorri.
- Sammy? – Ashley chamou atrás de mim.
- Ashley – disse envergonhada ao me soltar de Richard.
- Será que eu poderia falar com ele? – ela perguntou insegura.
- Claro – respondi e saí de perto, indo para junto de meus amigos.
- Está tudo bem? – Sophia perguntou quando fui para seu lado.
- Sim, acabei de fazer as pazes com Richard.
- Será que agora ele se conforma? – ela perguntou tendo uma resposta negativa em mente.
- Espero que sim. Ele perguntou por mim?  -olhei sugestivamente para Arthur, que conversava com os irmãos.
- Perguntou e dissemos que tinha ido ao banheiro.
- Ele não me viu?
- Não. Bryan o manteve de costas pra você e Rick.
- Melhor assim.
  Após um tempo, Arthur me chamou para dançar.
  Enquanto nos movíamos pelo refeitório, vi o final feliz de cada amigo meu: Sophia dançava com Bryan e vi quando ele segurou seu rosto e a beijou. Miguel falava algo no ouvido de Bianca, que sorriu e deitou o rosto em seu ombro. Myllena, Melissa e Anita conversavam com três rapazes bonitos, Beatriz e Bernard estavam na mesa e ele acariciava seu rosto enquanto ela falava algo.
  Procurei por Richard e vi quando ele pegou a mão de Ashley e a chamou para dançar. Ela sorriu e beijou seu rosto, mas quando se afastou, ele a puxou e  beijou. Sorri levemente ao ver a cena. Ashley o ensinaria a amá-la.
  Encostei meu rosto no peito de Arthur e o senti repousar o queixo em minha cabeça. Quando outra música começou, olhei para ele. Seu rosto era o mais lindo que eu já vira.
- O que foi? – ele perguntou ao notar que eu o encarava.
- Nada – pus meus braços em volta de seu pescoço.
- Eu te amo – ele sussurrou em meu ouvido e continuamos a dançar, nossos corações pulsando no mesmo ritmo.
  Era quase meia noite quando voltamos. Ashley me acomodou no quarto de hóspedes que ficava no mesmo andar do de Arthur. Eu estava muito cansada e depois de tomar banho, caí na cama sem nem esperar o cabelo secar. Poucas horas depois, senti alguém se deitando ao meu lado. Num rompante abri os olhos e arfei.
- Shhh... – Arthur encostou dois dedos em meus lábios – Sou eu, calma – ele beijou minha testa.
- Será que não se pode deixar a porta destrancada? O que você está fazendo aqui? – murmurei para que ninguém nos ouvisse.
- Não consegui segurara vontade de dormir com você. Só que acabei te acordando – ele passou a mão por meus cabelos.
- Posso voltar a dormir.
- Me faria um grande favor – ele sorriu e me aninhou nos braços. Deitei a cabeça em seu peito e ele abraçou meu corpo. Por alguns minutos o senti afagar minhas costas, depois parou. Fechei os olhos e esperei pelo sono. Sua mão repousou em meu rosto e o acariciou.
- ... Dentro deste antigo coração você vai ser sempre uma parte de mim;
Boa noite meu anjo agora é tempo de sonhar
E sonhe como linda sua vida será
Um dia seu filho vai chorar e se você cantar essa canção de ninar
Então em seu coração sempre haverá uma parte de mim.
Algum dia nós todos iremos partir
Mas cantigas de ninar seguem indefinidamente
Elas nunca morrem e é assim que eu e você seremos...
Arthur cantarolou enquanto uma água escura e profunda me levava para longe dali, sua voz me chamando para a inconsciência.
- Sempre serei seu guardião – o anjo que eu amava sussurrou.



 Um Romance de:

~CONTINUA~


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