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Algumas coisas são verdade, quer você acredite nelas ou não." City of Angels

► Recadinho aos leitores: E então queridos? Estão gostando do romance da Cassia? Ainda foram poucos os comentários por essa razão só vou publicar o próximo capítulo quando mais pessoas comentarem algo sobre a história e/ou sobre o trabalho na Cassia. Não é justo eu disponibilizar uma coisa, ser cobrada por ela, mas não ter o mínimo de reconhecimento de vocês né? Então, se querem que o próximo capítulo saia bem rapidinho... deixa ai seu comentário!Beijos ~Raíssa



 ♥ 25. AMIGOS NUNCA DIZEM ADEUS ♥


Eu sabia muito bem que era um sonho, ainda assim, obriguei minha mente a navegar profunda e completamente nele, fazendo-o se fundir com a realidade, convencendo meu cérebro a aceitar aquilo sem questionar.
 Era noite e eu estava na praia – meu refúgio durante todo esse tempo – o céu era deserto sem o brilho da lua; suaves ondas frias acariciavam meus pés, o cheiro da maresia se confundindo com o aroma de meus cabelos. Eu caminhava pela areia umedecida enquanto as ondas vinham fortes e se acalmavam no fim. A única fonte de luz era o brilho das estrelas.
Andei para um pouco distante do mar e me sentei. Abracei minhas pernas enquanto fitava o horizonte, o modo como as ondas se formavam e depois quebravam na areia, sentindo o vento salgado bater em minha pele e ricochetear nas pedras, fazendo um zunido baixo quando passava por suas fendas. De repente senti a presença de alguém e algo tocou minha mão, baixei o olhar e dedos longos estavam sobre ela. Meus olhos subiram, percorrendo os contornos do corpo ao meu lado, até que cheguei ao seu rosto.
  Era Arthur. Ele estava com o olhar fixo em mim e quando o encarei, ele sorriu. Baixei a cabeça, olhando novamente para seu braço, os pêlos dourados e a pele que acompanhava o mesmo tom. Sua mão ainda estava na minha e me pareceu fria demais quando a outra tocou meu queixo e o levantou. Seus olhos – agora mais escuros por causa da luz escassa, chegando a quase um azul marinho – eram intensos nos meus.
- Arthur – sussurrei. Sua mão deslizou de meu queixo até minha bochecha, indo e voltando.
- Eu te amo Sammy – ele beijou minha testa e me puxou num abraço. Meus lábios beijaram seu ombro, seu pescoço, seu rosto, até que chegaram à sua boca.
 Quando meu fôlego esvaiu-se, virei à cabeça. Seus lábios tocaram meu pescoço em chamas e repousei a cabeça em seu ombro. Ele me apertou mais forte.
- Eu te amo – ele repetiu e num rompante meus braços estavam vazios, o vento frio demais em minha pele quente. Levantei-me alarmada e olhei para os lados, na esperança de encontrá-lo. Só segundos depois notei que ele não estava ali; ele tinha ido embora, aquilo era só um sonho e estava no fim, eu podia sentir outro amanhecer chegando, podia sentir que em cada nascer do sol eu o perdia, tendo que viver do que ainda restava daquele amor, tendo que suportar não poder arrancar da minha pele todos os beijos que um dia ele me deu.
  Tendo que aceitar não querer tirá-los de mim.            
 A praia desapareceu e com ela a noite, minhas pálpebras ficaram avermelhadas por dentro e abri os olhos. Tudo o que vi estava lá ontem, tudo em perfeita ordem. Virei-me de lado e senti que lágrimas escorriam de meus olhos.
Arthur tinha me ensinado tantas coisas, por que ele não me ensinou a viver sem a sua presença, sabendo que isso um dia seria necessário?

  Levantei da cama e parecendo uma morta viva, me arrastei até o banheiro. A água fria me fez reagir. Meus músculos se retesaram saí do box me vestindo às pressas. Ao voltar para o quarto e pegar o Iphone, vi que tinham três chamadas não atendidas de Richard. Disquei seu número enquanto descia as escadas.
- Richard? – disse quando atendeu.
- Olha, hoje não ai ter aula.
- Não? – parei no último degrau.
- Não pra gente. Os professores estão em reunião co o Sr. Davis.
- Ah – passei a mão livre pelo cabelo.
- Vem pra cá – ele sugeriu.
- Agora?
- É.
- Mas...
- Estou esperando, tchau – e não havia mais ninguém do outro lado da linha.
- Ok – disse em um suspiro.
  Peguei uma maçã e saí porta afora. Dirigi até a casa dele um tanto animada. Esperei alguns segundos até seus pais saírem e estacionei na entrada de carros.
- Oi Sammy – Richard abriu a porta e veio até mim enquanto eu descia.
- Oi! – sorri e o abracei.
- Como... – ele perguntou em meu ouvido.
- Estou hoje? – completei sua pergunta – Estou bem – sorri para ele ao me afastar.
- Vamos entrar – ele segurou minha mão.
- Por que está tão animado?
- Tenho uma coisa para fazermos hoje.
- O que é? – perguntei enquanto entrávamos na sala.
- Twister Moves. Gosta?
- Sim, eu jogava com Nathália quando éramos menores.
- Assim que eu fizer o almoço, a gente joga. Hoje é a folga da empregada – ele me olhou se desculpando.
- Você vai cozinhar? – perguntei incrédula.
- Sim – ele arregalou os olhos.
- Eu te ajudo. Vamos para a cozinha? – esfreguei uma palma na outra.
- Venha.
  Passamos pelo corredor curto e Richard fez um gesto amplo com o braço para me apresentar à cozinha.
- Negativo. Vou ajudar, não fazer – peguei um avental na bancada de mármore que havia no meio da cozinha e joguei outro para ele.
- Sem chance – ele colocou de volta na bancada.
- Ok. Se ficar melado a culpa não é minha – dei de ombros enquanto ele revirava os olhos – Tava pensando em fazer macarronada.
- Ótimo. De que precisa?
- Você não sabe?
- Acha que se eu soubesse, estaria perguntando? – ele levantou as sobrancelhas.
- Dá mais um coice, falta pouco pra eu chegar ao subsolo.
- Não foi um fora.
- Imagina – ironizei. Ele abriu a boca para falar – Vamos fazer o almoço – fui para a geladeira – Onde ficam os legumes? – perguntei olhando para o refrigerador cheio.
- Deixe-me ajudar – ele tocou em meu ombro e me afastei para lhe dar espaço – O que quer? – ele se abaixou.
- Tomate, cebola... Você nunca comeu uma macarronada? – perguntei surpresa. Richard olhou para trás e arqueou uma sobrancelha.
- Que foi? – perguntei. Ele revirou os olhou e virou.
- Eu falo isso. Pegue o que precisar no armário.
- Ok – abri as portas do armário e peguei o que usaria. Em alguns minutos a bancada estava cheia – Pronto – disse colocando a última panela em cima do mármore. Richard estava encostado no balcão ao lado da geladeira – os braços e pernas cruzados – e me olhava surpreso.
- Minha mãe não faz essa manifestação para fazer uma macarronada – ele olhou sugestivamente para a bancada.
- Isso é porque você não comeu da minha macarronada – peguei uma panela e colher de pau – Vamos ao trabalho? – passei por ele e dei um leve tapinha em seu peito coma colher.
- Vamos lá – ele suspirou e veio para o meu lado.
- Não achei o macarrão – olhei para ele.
- Você tinha que pegar aqui – ele abriu o armário acima de nós – Quantos pacotes quer? – ele olhou para mim.
- Um.
  Coloquei o macarrão para cozinhar e enquanto ele estava no fogo, comecei a preparar o que usaria no molho.
- Corta o tomate em cubos pequenos – peguei uma cebola e cortei no meio.
- Se vai colocar extrato de tomate, pra que o tomate? – ele perguntou enquanto pegava uma faca na bancada.
- Fica mais gostoso assim – soltei a cebola e mexi o macarrão.
- Como você vai saber que tá bom? – ele já havia cortado o tomate e tinha pego a metade da cebola que eu faltava cortar.
- Quando ferver e o macarrão se partir.
- Acabei e agora?
- Coloque isso em duas tigelas pequenas – disse terminando de mexer o macarrão.
- Aqui – ele pôs as tigelas em cima do balcão.
  Peguei uma panela maior e pus tudo o que eu precisaria para fazer o molho.
- As tigelas – estendi a mão para trás sem olhar. Coloquei o tomate, a cebola e comecei a mexer.
- Quer ajuda?
- Quero. Mexe esse molho, enquanto eu tiro o macarrão daqui. Amassa de leve o tomate – peguei a panela do macarrão enquanto ele ficava de olho no molho – mas não para de mexer, por que...
- Droga!
- Se não você vai acabar se melando – olhei para ele e sua camisa branca estava manchada. Coloquei a panela dentro da cuba, molhei a esponja de prato e passei nas partes meladas.
- Não vai sair, vou ter que trocar.
- Vai, eu dou conta disso aqui – coloquei a esponja no balcão.
- Já volto – ele foi para a escada.
  Peguei a colher e mexi o molho. Quando fui abaixar o fogo, a mistura borbulhou e respingou nas costas da minha mão.
– Ai! – gritei e soltei a colher. O molho borbulhou de novo e apressada, abaixei o fogo.
- Sammy? – Richard chamou da escada.
- Oi – virei para a entrada da cozinha. Ele vinha meio que correndo com a camisa suja na mão e uma limpa pendurada no jeans.
- O que foi? – ele se aproximou procurando – Você se queimou? – ele viu a bolha de molho em minha mão, largou a camisa suja na bancada, pegou minha mão e colocou debaixo da torneira – Está melhor? – ele perguntou após alguns segundos.
- Ainda está ardendo – olhei para ele. Richard pegou a camisa limpa e molhou.
- Coloque isso – ele fechou a torneira e enrolou minha mão com a camisa – Vou pegar o remédio no banheiro.
- Ok.
  Acompanhei com o olhar ele indo para a escada novamente. Não havia percebido, mas seu corpo era bem dividido, seus braços fortes. Senti cheiro de queimado e olhei o fogão. O molho ainda estava cozinhando. Desliguei o fogo e dessa vez esperei parar de borbulhar para mexer. Por sorte, não avia queimado.
- Achei – ele disse voltando para a cozinha, balançando uma embalagem – Me dê sua mão – estendi o braço e ele tirou a camisa aparecendo uma mancha vermelha – Pode arder – ele disse e começou a passar a pomada.
  Encarei seu rosto – observando o contorno – por alguns segundos, depois olhei para minha mão queimada. Quando acabou, voltei a olhá-lo e nossos olhos se encontraram. Ficamos nos encarando por alguns segundos, até que Richard sorriu.
- Pronto – ele soltou minha mão – Melhor?
- Sim – franzi o cenho.
- Ótimo – ele continuava a me encarar – Vou colocar essa roupa na lavanderia e guardar o remédio.
- Ok – murmurei sem desviar o olhar.
- Ok – ele repetiu. Segundos depois ele balançou de leve a cabeça e saiu da cozinha.
  Peguei o macarrão e coloquei no molho. Liguei o fogo e comecei a mexer.
- Deixe que eu faça isso – Richard voltou vestido. Ele pegou a colher de minha mão e começou a girar o macarrão.
- Não é assim. Desse jeito, vai se melar de novo – revirei os olhos. Fui para sua frente e coloquei minha mão em cima da dele – É assim – movimentei a mão dele – Entendeu? – olhei para trás, para seu rosto tão próximo do meu.
- Entendi – ele sussurrou.
  Depois que almoçamos e limpamos tudo, fomos para a sala. Richard abriu o jogo, tirou o centro do lugar e colocou o tapete cheio de bolas coloridas no chão. Lançamos o dado e começamos a jogar.
  Estávamos praticamente enganchados um no outro, quando pisei na bola vermelha. Desequilibrei e levei Richard para o chão comigo, eu caindo por cima dele.
- Você ganhou – disse rindo, o nó que eu havia feito em meu cabelo, se desfazendo.
- Acho que foi empate – ele sorriu. Nos encaramos e aos poucos nossas expressões ficaram sérias.
- Bem, acho que já deu a hora de eu ir – tentei levantar.
  Richard puxou minhas costas e bati contra seu peito.
- Não – ele sussurrou intenso.
- Richard... – comecei.
- Hoje não – ele me interrompeu e puxou meu rosto para o seu.
  Sua boca envolveu a minha e um calor aqueceu meu peito. Meu coração disparou e reagi a seu beijo. Minhas mãos percorreram seus braços, até que chegaram a seus cabelos e emaranhei meus dedos. Ele soltou um grunhido baixo, agora ele estava em cima de mim e pude sentir cada pedaço de seu corpo. Sua boca percorreu de leve meu rosto, até que chegou a meu pescoço. Ele fez o percurso duas vezes, fazendo minha inconsciência soltar uma palavra.
- Arthur – murmurei sem fôlego em seu ouvido e beijei seu pescoço.
  O corpo dele congelou e senti quando seus lábios saíram de minha pele. Abri os olhos e pisquei. Não era Arthur. Vi o rosto distorcido em dor de Richard e minha única reação foi encolher os ombros.
- Richard me... – disse desesperada. Ele fechou os olhos, abaixou um pouco a cabeça, suspirou e saiu de cima de mim, ficado me pé – desculpe – minha voz saiu arrastada. Ele me olhou, os olhos latejando de dor e virou as costas.
  Levantei rapidamente, ficado atrás dele.
- Rick...
- Vai embora – ele murmurou.
- O quê? – perguntei atordoada.
- Por favor... – ele grunhiu.
- Você me beija e ainda em manda ir embora? – disse com raiva.
- Você disse o nome dele – ele resmungou entre dentes.
- Por que era o beijo dele que eu queria, não o seu – falei friamente – Nunca quis e você sabia disso o tempo todo.
  Ele virou devagar para mim e seu rosto era uma mescla de dor e raiva. Talvez a fúria fosse mais evidente.
- Então por que sempre reage? – ele quase gritou.
- Por que eu também tenho esperanças de encontrar nem que seja uma minúscula parte de quem amo em alguém que nunca passará de um amigo – rebati. A raiva em seus olhos foi totalmente substituída por uma mágoa que emanava de seu rosto.
- Eu nunca vou ser bom pra você, não é? Nunca vou ser o bastante. Nada do que eu faça vai te mostrar que eu posso ter seu amor. Eu não devia ter ficado ao seu lado todo esse tempo.
- Como?
- Você só me quer por perto pra diminuir o buraco que aquele idiota fez em você – ele cuspiu as palavras.
- Não fale assim dele – disse entre dentes.
- A verdade dói, não é? – ele estava revoltado – Você esteve esse tempo todo mergulhada em seu mundinho patético de lembranças e só me quis por perto pra tornar mais divertidas as coisas. Mas não aguento. Não aguento ver você sofrer por ele, ver a garota que amo cair aos pedaços por alguém que não se importaria em atear fogo às partes que sobraram, as que eu não deixei serem destroçadas. E agora, você disse o nome dele – seus ombros caíram e vi seus olhos brilharem com as lágrimas – Eu te amo e iria até o inferno por você, mas não tenho mais forças pra olhar pra você e ter a certeza de que ele é seu único pensamento.
- Richard, não... – disse sufocada.
- Por favor, vai pra casa. Você não tem mais nada o que fazer aqui – ele encarou o chão.
- Richard... – pedi com lágrimas escorrendo por meu rosto.
- Agora – ele levantou a cabeça e me fitou – Dessa vez sou eu quem diz adeus.
  Encolhi-me e senti como se meu chão estivesse desabando. A areia movediça que era a dor estava me consumindo e não havia nada o que fazer. As cicatrizes que estavam se formando, os ferimentos que Richard havia sarado, tudo se rompeu e mal consegui respirar. Meu coração chorava e eu sabia que dessa vez não tinha ninguém pra me acolher da tempestade. Aquela era mais uma despedida pra minha coleção.
  Baixei a cabeça, peguei minha mochila no sofá e em silêncio, saí de sua casa. Rastejei até minha casa, tentando chegar viva até lá. Subi as escadas e corri para o meu quarto, trancando a porta e depois afundando na cama. Eu não conseguia controlar as lágrimas e vez ou outra, um gemido de dor irrompia por minha boca.
  Quando meu coração não aguentou mais sangrar, o choro cessou. Encarei o teto, enquanto a noite cai do lado de fora e concluí que dessa vez minhas chances de sobreviver eram quase nulas.
  Ao me conformar que iria definhar, levantei e fui tomar banho. Não comi nada e dei a desculpa de estar com dor de cabeça para justificar minha cara de morta.
  Eu estava no quarto, quando decidi que precisava falar com alguém. Peguei o Iphone e liguei para Sophia.
- Sammy? – ela parecia estar com raiva.
- Eu preciso muito...
- O que você fez? Pelo amor de Deus, o que diabos você tem na cabeça?
- O que...?
- Myllena acabou de me ligar aos prantos. Richard foi para o aeroporto, vai morar com o tio em Louisiana.
- O quê? – eu não tinha chão.
- Ele disse pra ela que não ia conseguir mais viver aqui. Ele disse também que tem a ver com você. Sammy, o que você fez? – ele suspirou pesadamente.
- Não – arfei. O celular escorregou por minha mão. Ouvi o ruído dela chamando por mim, mas não peguei o telefone. Corri porta a fora, desci as escadas aos saltos e saí de casa.
- Sammy?! – ouvi a voz de papai. Entrei no carro e acelerei, cantando pneu.
- Não, ele não – disse com as mãos agarradas ao volante.
  Eu não podia deixá-lo ir, mas talvez já fosse muito tarde, há essa hora ele já podia estar dentro do avião que o levaria para longe de mim. Nesses últimos meses foi Richard quem me empurrara para a vida. Ele tinha feito tato por mim, seria esse o agradecimento que ele teria? Richard não merecia e seu adeus havia deixado um vazio enorme no meu peito. Eu já começava a sentir a dor se arrastando lenta e insuportável para preencher o buraco negro deixado por ele. Eu precisava de Richard mais do que imaginava, mais até do que queria.
  Necessitava de seu sorriso, abraço; precisava dele por completo para que meu coração se aquecesse um pouco. Para que eu tivesse um pouco de paz.
  Precisava dele para aprender a viver sem Arthur.
  Para aprender a viver sem nenhum motivo para isso.

  Corri pelo aeroporto e procurei no quadro de embarque algum voo para Louisiana, mas não achei. Fui até o banco de informações.
- De que horas é o voo para Louisiana? – perguntei sem fôlego para uma moça morena.
- O último voo foi há vinte minutos – ela respondeu.
- O quê?
  Minha respiração parou enquanto uma dor vertiginosa me atingia. Eu havia chegado tarde demais.
- Mas há um marcado para daqui a dez minutos – ela disse olhando para a tela do computador.
  Havia uma esperança. A última.
- Obrigada – olhei novamente para o quadro. Baton Rouge- Louisiana estava no topo da lista, no portão seis.
  Corri para lá, empurrando algumas pessoas, e tropeçando em outras, fazendo um homem derrubar as malas. Cheguei à sala de embarque e procurei por ele. Richard estava na fila, prestes a entregara passagem.
- Richard! – gritei correndo. Ele olhou para trás até me encontrar e vi a surpresa e alegria misturados em seu rosto. Ele saiu da fila e veio para mim, eu me jogando em seus braços – Não vá, por favor, não vá – disse chorando.
- Sammy, não aguento... – ele me afastou e repousou a mão em meu rosto.
- Então prefere estar longe e saber que estou morrendo, do que estar aqui e me fazer sorrir todos os dias? – disse sem ar.
- Não – ele fechou os olhos. Coloquei as duas mãos em seu rosto.
- Richard, eu já perdi Arthur. Não me faça perder você – pedi chorando.
- Sammy... – ele abriu os olhos e deu alguns passos para trás.
- Por favor, não – sussurrei. Ele parou e olhou para cima.
- Não – ele semicerrou os olhos e me abraçou – Eu te amo – ele me afastou e beijou minha testa.
- Você é o motivo de eu querer estar viva amanhã – ele me puxou para seu peito.
  Eu estava a salvo.
  A escuridão, afinal, não me devorou.



  

        VERÃO



O sol ilumina e aquece tudo que está ao seu redor, menos meu coração que continua congelado. Mesmo com o verão atendendo aos pedidos de todos – que agora estão radiantes por finalmente poderem sair de casa sem todo um arsenal – ainda continuo envolvida por uma redoma de vazio e solidão.
  Mas uma faísca de esperança me az acreditar que o calor possa arrancar de mim algum sorriso. Que o verão o traga de volta.






  Não há quem possa deter o tempo. Ele passa, mesmo que com ele vá nossa vontade de viver, vá todas as forças que reunimos para suportar a dor dilacerante que habita nossa alma.
  Mas há quem diga que o tempo cura todas as feridas.
  Ainda estou veementemente esperando que isso aconteça.




                                       PRIMAVERA




Eu podia sentir o silêncio ecoando pela casa... O vento movimentando-se sorrateiramente, invadindo os cômodos e os enchendo com o delicado cheiro das rosas.
  Minha esperança havia chegado ao final, enquanto a primavera estava só no começo. Sendo mais uma estação que passava, aumentando mais minha certeza de que sonhos foram quebrados.



 Um Romance de:

~CONTINUA~

Um Comentário

  1. Vou ter mesmo que voltar lá para o início, pois realmente não estou lembrando de nada.
    Bjs, Rose.

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