♥ Violino ♥ - Ed: 1ª - Rocco
"O Brasil não é outro país. É outro mundo, onde os sonhos assumem formas diferentes, as pessoas se comunicam todo dia com espíritos, santos e deuses africanos que se fundem em altares dourados." No Rio de Janeiro, para se apresentar em concerto no Teatro Municipal, assim se expressa Triana, agora uma grande musicista, aclamada em todo mundo - simplesmente porque se apossou do violino de Stefan, atormentado fantasma de um aristocrata russo do século XIX. A princípio vítima do feitiço do violino mágico de Stefan, dominada por ele, Triana vai se libertando aos poucos para compreender a força da música e luta por sua própria vida. No fascinante estilo narrativo de Anne Rice, Violino atravessa séculos e continentes, de Viena a Nova Orleans, de Paris a Veneza e Nova York, para atingir seu clímax no Rio de Janeiro, em meio à "deslumbrante floresta tropical, às mágicas árvores da avenida Atlântica, à irresistivel sedução mística da cidade".
Violino

Violino é uma obra controversa, não digo isso por conta do enredo, mas por conta dos leitores e suas criticas mordazes, secas e cruéis. Este é meu primeiro contato com uma obra escrita de Rice, já vi os filmes baseados em seus trabalho e sempre tive consciência da densidade do que ela escreve e sobre qual é o foco dos seus trabalhos. 

Que ela sempre nos brindou com romances vampirescos maravilhosos não é nenhuma surpresa, mas imaginem quando ela decide falar de si mesma e nos brindar com um delicioso culto a música e a morte? Se eu tivesse de descrever este livro em poucas palavras diria, perfeitamente gótico. Se alguém consegue trabalhar com o gótico com maestria e poesia... esse alguém é Anne.

Ao contrário de tudo que foi dito, estou irremediavelmente apaixonada por este livro. Os personagens são turbulentos, densos, loucos e simplesmente apaixonantes. Confesso que caí de amores pelo Stefan, com seu sofrimento, sua dor, seu amor pela música a intensidade com que vive sua amaldiçoada sina. Triana não é lá a melhor das mocinhas, muitas das vezes fiquei com raiva dela, principalmente quando ela rouba o violino de Stefan, achei-a infantil demais para uma mulher de cinquenta e quatro anos, porém quando Stefan a leva para conhecer seu vida e sua morte eu me vi arrebatada novamente pelo belo fantasma.

A história é narrada pela Triana, uma mulher de cinquenta e quatro anos que acaba de perder o marido para a AIDS. Triana teve uma vida turbulenta, nasceu na miséria, deixou que seu primeiro marido se deitasse com sua melhor amiga e passou os últimos anos cuidando de Karl seu segundo marido. Ela amou seu primeiro marido intensamente, mas o que sentia por Karl era diferente, ele era sua alma gêmea e mesmo sabendo que ele era aidético permanece ao seu lado até os últimos minutos. 

Ela sabe quais os procedimentos para os casos de AIDS, ela sabe que irão cremar o corpo de seu amado Karl, psicologicamente abalada ela fica trancada em casa dois dias com o corpo do marido. Como seu único alento a música vinda do belo estranho sob sua janela. Triana é uma mulher com a estima baixa, gordinha e cheia de estigmas que se corrói diariamente com a culpa pela morte das pessoas que ela mais amava. Ela cuidou dos pais, da mãe alcoólatra, da filha que teve em seu primeiro casamento e essa é a pior de suas culpas, pois ela estava ébria quando a menina morreu. Ela não pudera estar consciente ao lado de sua menininha. Essa é a sua fraqueza, suas dores, suas culpas e são elas que Stefan trabalha para deixá-la louca.

Stefan estava entediado, nunca conhecera alguém com tamanho amor pela música e nenhum talento como Triana e achou que seria divertido deixá-la insana (mas quem tem mais poder pra tirar qualquer um do sério nesse livro é a irmã mais nova da Triana, nossa que mulher insuportável!). Porém ao conhecê-la, ao conhecer suas dores, seus tormentos, ele acaba se envolvendo e ficando completamente dividido. Triana não é uma pessoa fácil de enlouquecer, muito menos uma pessoa fácil de se lidar e é quando ela rouba seu valioso Strad é que a relação de ambos muda. 

Amor, ódio, tristeza, dores e dramas unem esses dois personagens atormentados e você se vê mergulhado na dor de cada um deles. Cada toque, cada palavra, cada momento dividido entre eles te leva do riso ao mais intensos sentimentos que podem ser vividos.

Sim, eu recomendo este livro. Não para aqueles que enxergam os dramas com olhos reais, mas para aqueles que conseguem ouvir a mais suave melodia com o coração. Seja a Triana, sinta com ela, viva com ela essa intensa estória de loucura e sanidade e não irá de arrepender.  

 book cover of 

Violin

5 Comentários

  1. Mais um livro da autora que deve ser muito bom!
    Bjs, Rose.

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  2. Acompanhei os quotes deste livro no seu facebook e fiquei curiosa. Embora a temática não me seduza completamente, fiquei interessada porque eu sei que a Rice sabe escrever muito bem. Não curti muito a capa, mas eu dou muito pouco valor para as capas. bjs

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  3. Este livro parece bem denso, cheio de sentimentos contraditórios, gostei.
    Não o leria no momento, mas quem sabe em um futuro próximo.

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  4. É um bom livro Rose, mas tem de ser lido com paciencia e uma certa atenção, as personagens lidam com coisas bem conflitantes, dores, perdas e necessidades... mas é maravilhoso, principalmente quem curte o estilo gótico.

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  5. fiquei na duvida sinceramente nunca li nada gótico, mais essa resenha me deixou com agua na boca, sabe quando vc fica curioso,mais tão curioso que já começa a forma a historia na cabeça e tem que correr para encontrar o livro em questão? Esta sou eu correndo para encontrar e ler. Graças a Deus outro livro fora da mesmice.

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