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Algumas coisas são verdade, quer você acredite nelas ou não." City of Angels

► Recadinho aos leitores: E então queridos? Estão gostando do romance da Cassia? Ainda foram poucos os comentários por essa razão só vou publicar o próximo capítulo quando mais pessoas comentarem algo sobre a história e/ou sobre o trabalho na Cassia. Não é justo eu disponibilizar uma coisa, ser cobrada por ela, mas não ter o mínimo de reconhecimento de vocês né? Então, se querem que o próximo capítulo saia bem rapidinho... deixa ai seu comentário!Beijos ~Raíssa


♥ 23. MACHUCADA POR DENTRO ♥
  

Andei pela estrada de cabeça baixa. Não me conformava com o que havia acontecido e agora entendia o porquê do nervosismo de Arthur no caminho de volta. Todas as horas que ficamos juntos passou por minha cabeça, um verdadeiro filme. Flashes da primeira vez que o vi, de quando nos beijamos e ele saiu quase correndo, de quando ele me encontrou no laboratório de química e à pouco, quando acordei e ele estava dormindo ao meu lado, lembrei da sensação de passar os dedos por seu rosto. Lembrei de quando ele me salvou na estação.
  Minha respiração falhava. Eu sabia que o frio era intenso e que meus dentes tremiam um pouco, mas estava desconectada de meu corpo. Não me importava que as pessoas passassem em seus caros e me observassem, não me incomodava estar andado sem rumo. O que eu precisava estava bem longe dali.
  Senti algumas gotas caindo em minha pele exposta – meus pés descalços ficando molhados – e logo depois vieram outras, mais fortes e em maior quantidade. Em questão de segundos uma chuva tórrida desabava do céu e senti meus músculos começarem a se contrair, mas os braços que eu ansiava para me aquecer não estariam mais ao meu alcance.
  Um ronronar de motor me chamou atenção. Esse carro não passava pela estrada como os outros, na era um ruído de velocidade e sim de parada. Levantei lentamente a cabeça – uma faísca de esperança aquecendo meu peito – e encarei a estrada à minha frente. Um Jeep preto estava estacionado no acostamento há alguns metros e Richard corria na chuva em minha direção – ficando encharcado como eu. Meu coração latejou com o alarme falso. Olhei para baixo novamente e parei de andar – meu cabelo havia soltado e pude sentir os fios em meu rosto – o cabelo colando em minha bochecha.
- Sammy! – Richard me abraçou. Sua voz era frenética.
  Despedaçada e completamente sem mundo – como um urso polar na ponta de um iceberg que está afundando – encostei a cabeça em seu peito, foi o máximo que consegui. Tentei falar, mas não encontrava minha voz. Tudo o que saía de minha boca era minha respiração forçada.
- Sammy – ele estava nervoso –, o que aconteceu? – ele me abraçou mais forte. Todas as palavras escritas na carta passaram em minha cabeça, uma extensão de uma tão pequena: Adeus.
  Uma dor aguda apunhalou meu peito e ofeguei. Era mil vezes mais doloroso que a tortura de Jany.
- Me... ajude – sussurrei. Minha última reserva de força acabou. Minhas pernas amoleceram e desmoronei, arrastando Richard, que não me soltou um segundo. Fechei os olhos, pensando que fosse desmaiar a qualquer minuto, mas nada aconteceu. Estava lúcida e fragmentada.
  Desde o momento em que li a carta que as lágrimas não deixavam meus olhos e ainda agora continuavam sem som. Richard colocou o paletó em meus ombros – mesmo estando molhado, senti que aquecia – e me abraçou por mais alguns instantes.
- Venha – ele me içou.
  Continuei com a cabeça encostada em seu peito – sem abraçá-lo – enquanto ele me rebocava até o carro.
  Richard abriu a porta e me ajudou a entrar. Contornou o carro rapidamente e logo estava ao meu lado, ligando o aquecedor. Só quando o jato de ar quente bateu em meu corpo, percebi que tremia. Devagar, olhei para ele.
- Vou encharcar seu carro – murmurei sem vida.
- Não estou muito mais seco que você – ele me fitou com os olhos semicerrados, o cabelo pingando. Virei a cabeça e encarei o acostamento. Ouvi um suspiro e o motor sendo ligado.
  Fiquei em silêncio – e ele também – enquanto íamos para algum lugar diferente de minha casa, pois o caminho era contrário. Após alguns minutos, ele parou na frente de sua casa e me tirou do carro. Em silêncio, andei com ele me abraçando até seu quarto, onde ele me sentou.
- Rick, vou molhar sua cama – suspirei – Por que não me levou para casa? – perguntei enquanto ele ária o guarda roupa e pegava roupas para mais de uma pessoa.
- Sammy... – ele se virou – Você não quer ir pra casa.
  Olhei para baixo. Ele me conhecia mais do que eu supunha.
- Vista isso – voltei a olhá-lo e em sua mão havia uma camisa que em mim fiaria como um vestido curto.
- Obrigada – sussurrei. Ele franziu o cenho.
- Vou fazer um chocolate quente pra você – ele pegou a muda de roupas que estava ao meu lado e saiu do quarto, fechando a porta ao passar.
  Levantei da cama e tirei o prendedor do cabelo – que veio com alguns fios – e o coloquei em cima da cama. Com cuidado para não molhar ainda mais o quarto dele, tirei o vestido, agradecida pela camisa de manga longa ser escura e vesti. Deixei o vestido no chão e me enfiei debaixo do edredom, poucos minutos depois, os tremores passaram, mas eu ainda estava com a sensação de estar congelando.
  Virei de lado – ficando como uma bola – e encarei o chão, as lágrimas caindo de meus olhos. Em algum momento fiquei exausta o bastante e como meus olhos estavam doendo, os fechei. Até que em algum instante a escuridão me tomou.
  Abri os olhos com um barulho. Olhei ao redor e encontrei Richard me encarando com cara de culpada, roupas trocadas e o cabelo quase seco.
- Desculpe, bati na cama – ele sentou no colchão.
- Tudo bem – o encarei por um segundo e me sentei encolhendo as pernas e abraçando os joelhos.
- Está melhor? – ele me analisava.
- Não – baixei a cabeça. Ele se aproximou.
- O que houve? – sua mão afagou meu cabelo.
- Ele se foi – foi a única coisa que consegui dizer. Senti Richard me envolvendo, dessa vez retribui seu abraço e não consegui suportar mais. Desmoronei em seus braços totalmente despedaçada e chorei – lágrimas que saiam em soluços entrecortados e desesperados de alguém que foi completamente puxada para o escuro total.
  Eu sabia que Arthur teria que partir um dia, mas sempre via esse fato num futuro muito distante do meu presente.

  Os dias passaram e ficava cada vez mais difícil. Arthur estava mais presente em minha vida do que eu imaginava e toda vez que entrava em meu quarto e o via retratado no quadro, sentia que aia sufocar. Não conseguia segurar o choro ao ver a foto que tiramos no dia em que ele me deu o colar. O colar, ele também me machucava. A cor de seus olhos estava estampada nele.
  Agora Richard não me largava mais – ele fazia de tudo pra me ver sorrir, mas era impossível – e Myllena, mesmo sendo extremamente compreensiva, estava começando a ficar com ciúmes. Sophia – principalmente – e os outros conversavam comigo. Eu até entrava na conversa, mas no final sempre se tornava um monólogo. Por um tempo, eu quase entrei em estado vegetativo.
- Sammy, já chega! – Richard reclamou quando estávamos na casa dele no sábado à tarde, sentados no sofá.
- O que foi? – perguntei assustada.
- Você escutou o que acabei de falar?
- Você disse que queria comprar uma bicicleta?
- Não. Eu disse que ia fazer panquecas! Sammy, não pode continuar assim. Já faz quase dois meses e você continua do mesmo jeito. A gente conversa com você e você até responde e conversa, mas depois de dez minutos você volta a ficar à deriva. Sammy, isso não é bom – ele estava nervoso.
- Eu sei Rick – sussurrei de cabeça baixa – Mas não consigo. Tudo ainda me lembra ele, parece que ele deixou sua marca em tudo.
- Sammy, sei que já tentou de tudo para voltar ao normal, mas será que não estar na hora de você gostar de outra pessoa? – sua voz ficou suave.
- Não! – o encarei – Não, Richard! Não! – disse em voz alta – Não vou usar ninguém para tirar Arthur do meu coração, nunca! Vou esquecer ele, mas não trapaceando. Vu sofrer muito mais se fizer isso – levantei do sofá – Tchau – Richard levantou num rompante e segurou minha mão.
- Sammy, posso te ensinar a me amar – ele murmurou.
- O quê?! Não! E Myllena?
- Terminei com ela ontem. Na verdade, ela terminou comigo.
- Por quê? – perguntei surpresa.
- Ela percebeu que nunca deixei de amar você – ele deu de ombros.
- Vou pra casa – virei a caminho da porta.
- Por favor?
- Não Richard – abri a porta e olhei para ele – É ele quem amo, sempre será ele.
  Cheguei em casa totalmente desnorteada e corri para meu quarto. Joguei-me na cama e chorei, meu coração ficando cada vez mais apertado e encharcado a cada lágrima que escorria, me deixando sem ar. Como eu iria sobreviver sem Arthur se eu não conseguia em ao menos força para aceitar que ele havia partido? Era que Richard estava certo? Será que eu realmente tinha que tentar reabrir meu coração para outro amor? Meu interior rejeitava essa ideia com todas as armas que tinha. Arthur nunca sairia de dentro de mim e não queria isso. Sei que Richard será sempre só um amigo – o melhor de todos, mas só isso -, tinha que ser só isso.
  Porque mesmo que um dia eu consiga guardar Arthur me algum lugar escondido de meu coração, sei que tudo virá à tona na hora em que outros lábios tocarem os meus, no momento em que outros braços em abraçarem e sei – que em vão – minhas mãos procuraram a presença daquele que mais amei.
  A tarde se foi e logo caiu a noite. Desci para comer alguma coisa e papai, junto com Nathália, assistiam a um filme. Sem prestar atenção, andei até a cozinha e peguei biscoito no armário. Coloquei leite no copo e sentei na cadeira.
- Sammy? – Nathália perguntou.
- Oi?
- Evan e eu vamos sair. Brenda também vai com Hillary, quer vir? – ela perguntou insegura.
- Nathália... – franzi o cenho, prestes a dizer não, mas eu realmente não ia parar minha vida por conta de um namorado – Ok, eu vou.
- Sério? – ela perguntou surpresa. Papai virou para me olhar.
- É, eu vou. Posso chamar Sophia?
- Claro – ela estava quase histérica.
- Ok. Vou me arrumar – escovei os dentes e liguei para Sophia, que me encheu de parabenizações por querer sair e disse que chegaria logo. Depois que desliguei, peguei uma camiseta e uma calça jeans e vesti. Ainda esperamos um tempinho pelo Evan – que agora era namorado de Nathália e deixava meu pai louco quando dizia que ia levá-la pra dar a volta ao mundo com quinhentos dólares – e pela Sophia.
  O filme era uma comédia e era muito boa, porque conseguiu arrancar alguns risos de mim. Depois do filme passamos na lanchonete e Evan comprou um hambúrguer para ele. Ficamos conversando um pouco e depois cada um tomou seu rumo.
  Quando eu já estava na cama – depois de um bom banho – concluí que a noite não tinha sido ruim, eu conseguia ficar anestesiada por um tempo.
  Acordei de madrugada com Nathália me sacudindo. Eu ofegava e estava com a testa molhada de suor.
- Sammy? – ela estava preocupada.
- O que foi? – perguntei beirado a histeria.
- Você estava falando e se mexendo sem parar e gritou o nome de Arthur, não sei como o papai não acordou. Você está bem?
- Estou – suspirei – Foi só um pesadelo – sentei na cama e passei a mão pela testa, afastando o cabelo.
- Quer falar?
- Eu corria pra alcançá-lo, mas não tinha velocidade suficiente, eu nunca saía do lugar. Comecei a me apavorar e gritei por ele, daí você me acordou – dei de ombros.
- Você ainda o ama, não é? – ela passou a mão em meu rosto.
- Sim – murmurei.
  Os dias se passaram e eu não melhorava. Todas as noites tinha o mesmo sonho, a diferença é que eu não falava mais e Arthur ficava cada vez mais distante. Por quatro dias lutei contra o sono – com medo de ter pesadelos – e sempre perdia, me rendendo no final. Até que em uma noite o cenário era diferente.
  A inconsciência me recebeu com primeira vez que o vi. No começo estava tudo igual ao que aconteceu, mas na hora em que ele me olhou, o rosto que apareceu foi o de Iron. Tudo começou a ficar escuro e voltou ao pesadelo que já era rotineiro e como sempre, acordei no meio da noite suada e ofegante.
  Na escola tudo estava igual. Eu sentia falta dos Mason – principalmente da Ashley – e até do abraço sufocante de Bryan. Eu queria tê-lo agora.
  Richard – como sempre – ficava comigo em todos os lugares. Eu gostava de tê-lo por perto, ele me deixava menos destruída. Ele era o único que não me olhava com pena e que quando sorris conseguia me deixar mais leve. Ele conseguia me fazer ser a Sammy de algum tempo atrás por alguns momentos, até eu ficar à deriva – como ele havia falado – novamente.
  Era um dia de domingo quando fui arrumar a casa. Nathália disse que ajudaria e limparia o andar de baixo. Quando fui limpar meu quarto – que eu havia deixado por último – deixei cair a caixinha aveludada onde estava o colar e ela se abriu, mostrando a carta de despedida que eu havia guardado nela.
  Sentei na cama com ela nas mãos e li novamente, e como da primeira vez senti meu mundo explodir, desaparecer em uma nuvem escura.
  Você é meu anjo, ele havia dito.
  Nessa hora tive a certeza de que nunca o esqueceria.

  Na terça feira quando terminei de estudar, desci para a cozinha. Nathália estava na sala assistindo alguma coisa e me preparei para fazer o jantar.
- Sammy – Nathália chamou.
- Oi – apareci na sala.
- Vem assistir comigo – ela convidou sem olhar.
- O que é? – perguntei, pronta responder: Já assisti, é legal.
- Cidade dos anjos – ela virou para mim. Suspirei, procurando algo em que me apoiar – Está tudo bem? Você está pálida – ela perguntou preocupada.
- Nathália, pode fazer o jantar? – murmurei.
- Posso, mas...
  Corri para meu quarto, trancando a porta ao entrar. Sentei na cama e não pude evitar as lágrimas que surgiram. Olhei para o quadro que ele havia me dado e não consegui aguentar. O corte em meu coração se abriu mais e a dor era insuportável. Todo esse tempo tentando voltar ao normal e o nome de um filme me faz cair! Deslizei pelo colchão e sentei no tapete felpudo, meus dedos apertando o tecido, como alguém querendo arrancar grama. A dor em meu peito me fazia ofegar. Tateei pelo chão, até que meu rosto encostou no linóleo frio e fechei os olhos.
  Seu rosto foi a primeira imagem que veio e mais um jorro de lágrimas encheu meus olhos.
- Pare de insistir, mas que droga! – gritei com Richard no estacionamento quase vazio na quarta feira.
- Sammy, eu amo você – ele sussurrou.
- Richard – disse entre dentes –, já disse que não. Você me faz ficar pior, falando essas coisas.
- Mas não posso mentir – ele contestou.
- Então não fique comigo! Olha, é isso. Vai ser melhor assim, ok? Até amanhã – abri a porta de meu carro.
- Não vai à minha casa hoje? – eu sempre fazia isso. Passava as tardes enfiada na casa dele, enquanto seus pais não chegavam.
- Não. Agora somo amigos normais – entrei no carro e dei ré, cantando pneu.
  Não aguentava mais ouvir Richard dizer que me amava e que queria ficar comigo – todas essas palavras soavam piegas em sua voz.
  Dirigi até em casa me sentindo culpada. Qual era a parcela de culpa dele em me amar? Não podemos escolher por quem nos apaixonamos. E eu já podia sentir o vazio se arrastando para mim. Mesmo que eu quisesse, não poderia ficar sem ele, sem meu melhor amigo. Ele havia se tornado minha luz.
  Desci do carro discando seu número. Demorou um pouco para atender – pelo que o conhecia, ele tinha ficado encarando minha chamada até decidir falar comigo – e pelo tom de sua voz, ele estava arrasado.
- O que quer Sammy?
- Richard – fiz uma pausa – Me desculpe – minha voz ardia de arrependimento. Encostei no carro esperando por sua resposta.
- Vai ser sempre assim? – ele discutia comigo.
- Como é? – saí andando até a porta. Ela não quis abrir e tive que apoiar o celular entre o rosto e o ombro para poder abri-la.
- Você vai falar que não me quer mais por perto e depois, morrendo de culpa, pedir perdão? Ainda tenho sentimentos – escutei ele buzinar.
  Joguei a mochila no chão e sentei no braço do sofá.
- Rick, só não gosto quando você insiste nesse assunto. Será que é tão difícil parar de bater na mesma tecla?
- Mas eu te amo! – ele buzinou de novo.
- Mas eu já sei, droga! Não precisa ficar repetindo o tempo todo, já está parecendo uma mentira! Já é a quarta vez que brigo com você por causa disso! Será possível? – gritei.
- Então não brigue! – ele bufou.
- Então não me tire do sério! – me joguei para trás, caindo deitada no sofá.
- Só é você ficar calma – pude ver o sorrisinho debochado em seu rosto e senti minha cabeça esquentando.
- Não, só é você não falar mais isso.
- Mas você parece não me enxergar!
- Porque nunca vou enxergar você da maneira que quer – dei um impulso e fiquei sentada.
- Isso é tortura – ele grunhiu.
- Desculpe, queria poder viver sem isso – murmurei.
- E eu queria poder viver com você – sua voz era quase inaudível.
- Richard Bulevarck – disse entre dentes.
- Ok, ok, já entendi – ele bufou – A propósito. Perdoo você. Ainda vem aqui hoje? Acabei de chegar em casa.
- Hoje não. Amanhã, talvez.
- Ok. Ligo à noite.
- Com sorte ainda estarei fazendo minha lição de casa.
- Você vai conseguir.
  Subi com minha mochila e larguei no chão, perto da cama. Sentei no colchão, virada ara o quadro de Arthur, uma de minhas poucas lembranças substanciais dele. Um dia, talvez eu fosse forte o bastante para tirá-lo de mim. A questão não era esquecer, era tomar a iniciativa para tanto.
  Passei a tarde fazendo as lições do colégio. Era noite quando acabei o último capítulo de genética. Cansada, fiquei debaixo do chuveiro por um bom tempo, esperando que a água fria me desse algum ânimo.
- Oi pai – disse ao chegar à cozinha, onde ele pegava umas fatias de pizza no microondas.
- Como está? – ele me olhou preocupado. O mesmo olhar era lançado todos os dias durante três meses.
- Bem – lancei um sorriso tímido e sentei.
- Falei com Lucy hoje – Nathália disse.
- Como ela está? – peguei um prato da mão de papai.
- Bem. Nicolas mandou um abraço pra você e Lucy um beijo. Ela também perguntou se você estava melhorando – ela disse a última frase diminuindo o volume a cada palavra.
- Ok.
  Quando acabei de organizar a cozinha e escovar os dentes, peguei meu Iphone junto com os fones de ouvido e sentei na escada da varanda apoiando as costas no corrimão. Não havia lua, mas milhares de pontos de luz brilhavam intensamente.
  Eu estava sentada, sozinha na varanda, fitando o céu deserto sem luar, quando uma frase ultrapassou o volume da música.
Eu te amo, por toda a eternidade.
  Era sua voz. Assustada, olhei para os lados a procura dele, mas não havia nada. Suspirei e fiquei quieta, tentando entender o que havia acontecido. Eu não estava tendo alucinações, disso eu estava completamente certa.
  Alguma parte de meu cérebro lançava para mim a resposta, mas não conseguia captar e rápido demais o que quer que fosse já havia adormecido novamente. Desisti e voltei a encarar o céu, quando uma estrela cadente passou, e com ela veio o que eu precisava saber.
- E onde quer que eu esteja sentirei seu amor – sussurrei. Talvez ele soubesse que eu estava pensando nele. Talvez realmente estivesse ali comigo, afinal anjos podiam ficar invisíveis aos olhos humanos.
  Pensar que talvez ele estivesse ficado comigo durante alguns segundos me fez ficar inteira por um instante.
  Quando senti que o sono começava a me invadir, entrei. Nathália e papai estavam na sala assistindo ao noticiário.
- Boa noite – disse subindo as escadas. Minha voz era animada, fiquei surpresa ao ouví-la.
- Boa noite – os dois responderam sem me olhar.
  Fui para meu quarto e abri a janela que ficava atrás de minha cama, peguei o porta retrato em que u estava com Arthur e levei comigo até a cama. Coloquei o Iphone no criado mudo, junto com os fones de ouvido e liguei o abajur.
- Você nunca será só uma lembrança – sussurrei – Você ainda é a parte mais importante de mim... Eu te amo Arthur Mason – fechei os olhos e beijei seu rosto de papel, enquanto lágrimas caiam de meus olhos. Levei o porta retrato ao coração. Uma suave ventania circulou por meu quarto, um assobio vindo com ele – Fique comigo e vele meu sono – olhei para a foto e fechei os olhos. Por trás de minhas pálpebras, o vi sorrir.
  Acordei com o sol batendo em meu rosto. Ari os olhos e vi que havia dormido – pela primeira vez desde que ele havia ido embora – por oito horas direto. Sorri ao ver o relógio, apaguei o abajur e levantei da cama. Coloquei a foto dele no lugar ao ir para o guarda roupa. Peguei o que precisava para um banho e voltei à janela aberta. Olhei uma vez para o céu e fechei.
  Encostei a testa na janela e fechei os olhos.
- Obrigada – sussurrei, desenhando o rosto de meu anjo em minha mente.



  OUTONO

  
  O vento frio circula pela casa, enquanto do lado de fora folhas secas e flores são levadas por ele. Os galhos das árvores se balançam, fazendo barulhos e formas estranhas – principalmente à noite – assustando as crianças. Mas galhos e rangidos não são o bastante para me assustar. Havia os sonhos, que tornavam pesadelos ao final. Eu acordava – suada e ofegante – no meio da noite e ficava fitando o quarto até ficar cansada demais e cair no sono novamente.
  Mas de todo não era ruim. Os sonhos-pesadelos eram a única forma de passar algum tempo ao lado de quem eu nunca deixaria de amar.
  Talvez o outono conseguisse reverter a situação, trazendo-o de volta... Tornando o sonho, uma realidade.


 INVERNO


A chuva batia forte na janela, enquanto o inverno se arrastava, levando com ele todo meu esforço para tentar parecer com a Sammy e algum tempo atrás. Mas com a chuva e a impossibilidade de fazer algo além de olhar as gotas e às vezes flocos de neve caindo do céu, ficava mais difícil espantar certas recordações.
  Mas eu insistia, até que minha mente por puro instinto de preservação tentasse cicatrizar cada toque que meu coração insistia em relembrar.




 Um Romance de:

~CONTINUA~

5 Comentários

  1. O que será que o inverno vai trazer para nós?
    Bjs, Rose.

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  2. adoro O Despertar amo Cassia Marina acho que ela escreve muito bem, e quero logo saber o que vai acontecer daqui para frente

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  3. ameii, sou apaixonada por romances com anjos

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