Olá amados!

Voltei agora com um bate-papo bem legal com a escritora Josiane Veiga. Quem não conhece a autora, nesta postagem vou conhecer um pouquinho sobre ela e sobre sua rotina como escritora. É maravilhoso ver alguns autores conseguindo chegar onde querem. Vida de escritor neste país não é fácil e ver o povo batalhado e conseguindo é muito gratificante! E fico realmente muito feliz.

Esse bate-papo foi proposta da Adriana Vargas, que é umas das responsáveis da MODO Editora. Eu já acompanhava a Josiane pelo Twitter, mas ainda não tive o prazer de conhecer o trabalho dela na íntegra, talvez isso possa mudar agora.

Vamos conhecer um pouquinho sobre ela, antes de começarmos?

Foto -Josiane Biancon da Veiga

Josiane Biancon da Veiga nasceu no Rio Grande do Sul. Desde cedo, apaixonou-se por literatura, e teve em Alexandre Dumas e Moacyr Scliar seus primeiros amores. Aos doze anos, lançou o primeiro livro “A caminho do céu”, e até então já escreveu mais de quarenta histórias, de originais a contos envolvendo o universo da animação japonesa. Atualmente é securitária, e escritora nas horas vagas.

Seu mais recente lançamento pela MODO Editora é A Insígnia de Claymor. Para conhecer a sinopse, basta clicar na imagem abaixo.

A Insígnia de Claymor

Para conhecer todos os trabalhos dela clique AQUI e divirta-se!

Agora... vamos ao bate-papo e ver o porque de eu tê-la escolhido para ser entrevistada...

L.R - Acho que todo escritor tem uma fonte de inspiração, seja em outro autor, filme ou música. Quais são as suas inspirações?

J.V - Ah, eu sou a exceção, rsrs. As histórias costumam vir do nada, de situações até estranhas. No caso do livro A Insígnia de Claymor, que foi lançado pela Modo Editora, o texto surgiu aos 15 anos, quando no inverno eu secava os cabelos no sol, numa manhã de sábado. Eu literalmente vi a personagem fazendo o mesmo, e o restante da história surgiu nos momentos seguintes. Levei vários anos para começar o livro, queria estar pronta, mas em nenhum momento tive algum ponto de inspiração. Tenho alguns autores favoritos, dos quais tiro ensinamentos, mas quem ler IDC saberá que a forma de escrever é diferente. Gosto do ar irônico e cruel de Scliar, e a forma de narrativa de Veríssimo (o pai). Mas, não me inspiro em nenhum autor ou situação durante o processo de criação. Até surgiu uma situação engraçada esses dias, pois no momento estou escrevendo sobre a 2° Guerra Mundial. Ao saber do que se tratava meu próximo livro, recebi de leitores uma chuva de indicações de filmes e livros. A todos, educadamente, recusei. Não quero ler nem ver nada, pois preciso estar focada no meu próprio texto para evitar inspirações. 

L.R -Como é sua rotina como escritora? Tem muito tempo para escrever, ou se dedica algumas horas? Conte-me essa rotina como escritora.

J.V -  Eu trabalho de segunda a sexta-feira numa corretora. Então, meu tempo para escrever é à noite, depois das 19 horas. Dedico dois dias ou três por semana a isso, e nos dias restantes vivo a história na mente. Meu maior problema é o cansaço. Quando era mais nova, escrevia dez páginas por dia. Hoje escrevo dez páginas por semana.

L.R - Todos os livros de um escritor são como filhos de papel. Sei que todos têm um valor sentimental imenso para você, mas com certeza tem um que é o seu favorito. Qual é?

J.V - Redenção, o segundo livro da Saga Jishu. A Saga Jishu, aliás, foi o que fez os olhos da maioria se voltar para mim. Meu nome subiu nas vendas, e adquiri muitos leitores. Então, Rendição, o primeiro livro, devia ser o favorito, mas não é simplesmente porque foi em Redenção – o 2° - que eu dediquei completamente minha alma e meu coração.

L.R - Seu primeiro lançamento pela MODO é A Insígnia de Claymor. Como se sente a respeito dessa nova fase de um trabalho já tão bem aceito?

J.V - Como autora independente eu tinha total controle sobre quem comprava e lia meus livros. Estar numa editora faz com que você tenha surpresas. Recebo seguidamente e-mails de pessoas que compraram o livro e me escrevem para comentar. Pessoas que eu jamais atingiria como autora sem editora, pessoas que foram chamadas mais pelo trabalho impecável da editora no processo de estética e divulgação, etc,, do que propriamente pela autora. É maravilhoso, acolhedor. Sinto-me amada a cada mensagem recebida, a cada resenha, a cada palavra de alguém ansioso e apaixonado pelo livro. Só tenho elogios a Modo.

L.R - Já pesquisei um pouco e acompanhei seu Twitter e sei que também trabalha romances homoafetivos. Um tema um tanto delicado e diversificado. O que te levou a seguir este caminho tão pouco difundido no país? 

J.V -  O fato de ser um caminho pouco difundido, rsrs. Eu sempre escrevi históricos, e me sentia apenas “mais uma” no gênero. Mas, no caso de livros dedicados ao publico GLBT, sinto-me uma rainha amada (rsrs). Os maiores canais gls do Brasil já me entrevistaram, eu sou respeitada por muitos leitores e leitoras que se sentem felizes porque alguém escreve PARA ELES sem necessariamente escrever pornografia. Escrevo cenas sexuais sim, com detalhes, mas nenhuma é baixa ou algo nesse sentido. São apenas atos que envolvem a vida humana. Meus personagens comem, bebem, choram, amam, tomam banho, trabalham, a maioria tem animais de estimação, e quase todos fazem sexo. Ponto. Vida humana, sem mais nem menos. Quando alguém lê minhas obras descobre que ser gay não torna ninguém diferente. É apenas a sexualidade. No mais, a vida do homossexual e do heterossexual é igual.

L.R - Ser escritor no Brasil é difícil e normalmente é complicado se fazer conhecer. Encontrou algum empecilho para seguir o que queria? Ou até que foi fácil a aceitação geral do publico?

J.V -  Fácil não é. A literatura no Brasil é complicada, não se tem nenhum apoio e a maioria das pessoas acha que autor não tem conta pra pagar, não é ser humano, etc. Recebo inúmeros pedidos para fornecer o livro de graça, como se ser escritor não fosse uma profissão. Normalmente eu olho para pessoa e diante da profissão dela eu me pergunto se ela trabalha de graça também. Mas, vale a pena mesmo assim. Ontem mesmo eu comentava isso no meu facebook, estava na tpm, tive um dia cansativo, etc. Fui para casa, e quando fui no computador dar uma olhadinha nos e-mails antes de ir dormir vi que havia um de um leitor, comentando apaixonadamente sobre um livro. Quer presente maior que esse? Eu escrevo para ser lida, e a cada leitor novo conquistado, comemoro como um prêmio.


Espero que tenham gostado desse papo rápido. Amo fazer perguntas para os autores e mais alguns virão aqui nesta tag falar um pouco sobre seu amor pela escrita e suas fontes de inspiração brevemente. 

Não deixem de acompanhar!!!

Beijos ~Raíssa

2 Comentários

  1. Realmente para nossos autores mostrarem seus trabalhos é um duro e longo caminho. Parabéns por insistir e sucesso!
    Bjs, Rose.

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  2. É bem complicado encontrar apoio nesse mar de estrangeiros que nós mesmos insistimos em valorizar mais do que os nossos... Eu fico sempre mt feliz em ver autores como a Josiane conquistando seu espaço de direito nas estantes alheias.
    Muito sucesso sempre!

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