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Algumas coisas são verdade, quer você acredite nelas ou não." City of Angels


► Recadinho aos leitores:E então queridos? Estão gostando do romance da Cassia? Ainda foram poucos os comentários por essa razão só vou publicar o próximo capítulo quando mais pessoas comentarem algo sobre a história e/ou sobre o trabalho na Cassia. Não é justo eu disponibilizar uma coisa, ser cobrada por ela, mas não ter o mínimo de reconhecimento de vocês né? Então, se querem que o próximo capítulo saia bem rapidinho... deixa ai seu comentário!Beijos ~Raíssa


♥ 21. MARCADO NO CORAÇÃO ♥



  Os dias se passaram e se tornaram uma semana. Eu não tinha coragem de falar com ele, tinha sido tão estúpida que nem eu mesma conseguia me perdoar. Diversas vezes me vi pegando o celular e desistia assim que lia seu nome na lista de contatos.
  Na segunda feira já não conseguia mais controlar a culpa e o remorso. Eu andava de um lado pra outro da casa, tentando conter a agonia. Queria falar com ele, ouvir sua voz, sentir sua pele; mas não conseguia nem pensar na ideia de conversar com ele.
  Sophia – junto com todos os meus amigos – tinha vindo me visitar e acabei implorando pra que ela dormisse na minha casa.
Estávamos deitadas – eu olhando para o teto e ela embaixo, na bicama, lendo um livro – quando decidi conversar.
- O que eu faço? – perguntei do nada.
- Sobre? – pela sua voz ela ainda estava concentrada no livro.
- Arthur – murmurei.
- Até que fim você decidiu abrir a boca – ouvi o baque surdo do livro na madeira do chão – Você deve pedir desculpas. Sammy, ele te salvou de uma assassina.
- Isso não tem nada a ver.
- Ele podia ter deixado a polícia cuidar disso, mas não. Foi ele mesmo te resgatar.
- Você acha?
- Sim.
- Mas não tenho coragem de falar com ele. Tenho medo de que ele esteja magoado o bastante para não me perdoar.
- Preste atenção – ela levantou e sentou na minha cama – Você preferiu acreditar em qualquer uma que apareceu pela frente ao invés de pelo menos o deixar falar uma frase inteira. Se ele não aceitar suas desculpas, será só uma consequência do que você fez – ela sorriu se desculpando e pegou minha serra de unha que estava no criado mudo.
- Mas... – tentei protestar.
- Sabe que estou certa – ela apontou a serra pra mim e levantou as sobrancelhas.
- Eu sei – suspirei.
- Liga pra ele – ela voltou a serrar a unha.
- Agora? – perguntei com um nó na garganta.
- É – ela deu de ombros.
- Não! Sophia, hoje não, por favor– grunhi.
- Sammy – ela me olhou entediada – Você está começando a me dar nos nervos.
- Sophia, eu realmente não sei como fazer isso – disse apavorada.
- Sammy, você não vai dormir com ele, só vai pedir desculpas. DES-CUL-PAS – ela dividiu com as mãos as palavras – Entendeu? – ela semicerrou os olhos.
- Sim.
- Sabe por que você tem tanto medo de pedir desculpas? – ela apontou novamente a serra para mim, depois a baixou, voltando a serrar suas unhas – Porque você sempre andou muito na linha, os erros que você comete são tão insignificantes que não é nem preciso pedir desculpas. Você nunca erra! – ela colocou a mão para frente, olhando suas unhas lixadas – Só te digo uma coisa: - ela começou a serrar as unhas da outra mão – Não toma coragem quando já for tarde demais. Por que mesmo que ele perdoe, ficará a cicatriz – ela piscou e ficamos em silêncio até ela terminar de lixar suas unhas e voltar para sua cama.
 Fiquei acordada olhando para o teto, esperando que alguma coisa acontecesse, mas eu sabia que eu é que tinha que fazer alguma coisa. Já devia ser quase meia noite, quando – num ato de completa loucura – decidi ir à mansão.
- Sophia – sussurrei balançando de leve seu ombro.
- Hmmm... – ela disse virando para o outro lado.
- Droga. Sophia, acorde – falei mais alto.
- Hmmm...
- Sophia, acabei de cortar suas unhas e Bin Laden soltou uma bomba bem no meio do seu guarda roupa. Sabe aquela blusa da Prada? Não existe mais.
- O quê? O quê? – ela sentou na cama sobressaltada.
- Ótimo. Já sei como te acordar – sorri.
- Não teve graça. Minha blusa da Prada não, nem minhas unhas – ela olhou para suas mãos – Eu as cultivo com todo o cuidado e você me diz que as amputou? Está louca?
- Shhh... preciso da sua ajuda – murmurei.
- O que quer? – ela me olhou voltando ao normal.
- Tenho que sair de casa.
- Ah, não Sammy. Você vai fugir? Tá feito criança?
- Não, retardada – falei apressada e ela fez beicinho – Preciso que me ajude, porque vou à casa de...
- Ajudo sim – ela levantou num rompante sorrindo – De Arthur – ela revirou os olhos – Eu sei.
  Troquei de roupa – que Sophia escolheu. Uma blusa tomara que caia vermelha, com um tecido rendado preto por cima e uma calça jeans. Teimei em não usar salto, mas não teve jeito. Não era muito alto, mas não deixava te ser alto.
- Venha logo atrás de mim – ela sussurrou enquanto abria a porta. Nosso maior cuidado era com Lucy, que estava no andar de baixo.
  Andei nas pontas dos pés para não fazer barulho e Sophia desceu para a cozinha. Ao chegarmos no último degrau, Sophia parou.
- O que foi? – sussurrei.
- Lucy está na cozinha, bem de frente pra gente. Fique aqui. Quando eu falar , você sai.
- A porta deve estar trancada.
- Me dê a chave.
  Ela foi para a cozinha.
- Oi Lucy – pude ouvir sua voz gentil demais.
- Oi Sophia. O que faz aqui?
- O mesmo que você, vim pegar um pouco d’água. Onde ficam os copos?
- Aqui.
- Obrigada.
- Desculpe querida, mas vou me deitar. Vim só tomar um remédio para a dor de cabeça que estou sentindo.
- Ah, que pena – pude ouvir o sarcasmo na voz dela – Melhoras.
- Obrigada.
  Um segundo após, Sophia passava por mim.
- Venha – ela destrancou a porta.
- Pra que você queria a chave?
- Pensei que ela fosse demorar, iria dar uma desculpa de tomar ar fresco e quando ela fosse para o quarto, você saía. Vá logo, ela pode voltar – Sophia me empurrou e me entregou a chave.
- Obrigada – sorri e desci os degraus da varanda.
- Ei – ela murmurou.
- Oi – virei.
- Volte antes do amanhecer. Já é meia noite e meia.
- Ok, tchau.
- Cuidado – e ela fechou a porta.
  Corri para o carro e depois pelas estradas, tentando afastar qualquer pensamento. Eu sabia que se escutasse minha mente – minha mente, não minha consciência – eu voltaria pra casa e recomeçaria toda minha sessão de auto flagelamento interno.
  Não entrei na propriedade dos Mason, sabia que eles podiam escutar o ronco do motor e não ia me ajudar ter cinco anjos por perto quando fosse falar com ele – principalmente eu estando dentro da blusa que estava. Preferi nem olhar para mim quando desliguei o motor e comecei a andar pela passarela enorme que levava ao terraço dos Mason.
- Que esteja aberta – sussurrei.
  Mas havia outra entrada. A da garagem. Era mais óbvio se eles deixassem aquela aberta e não a porta.  Contornei até o lado direito da casa e pra minha alegria, lá estava. A entrada para a sala.
  Andei devagar, tentando escutar qualquer coisa que denunciasse que eles estavam acordados. Mas quem – além de mim – estaria acordado há essa hora? Subi cautelosamente até o terceiro andar, impressionada em como ninguém havia acordado. Eles tinham um sono de pedra. Relutei um pouco ao chegar à porta do quarto dele, mas eu não ia voltar.
Vá em frente – minha consciência disse com um sorriso.
- Ok – cuidadosamente empurrei a maçaneta longa e pude ver os primeiros objetos do quarto dele.
  Entrei em completo silêncio e não precisei me esforçar muito para ver. As paredes eram quase todas de vidro, a luz da lua entrava e iluminava o bastante pra se enxergar.
  Arthur estava dormindo de costas para mim e vi em seu criado mudo minha foto. Ele não tinha tirado. Sorri para mim mesma e tirei devagar os sapatos. Andei até ele e levantei o edredom, deitando-me ao seu lado. Encostei o rosto em seu ombro nu. Ele não acordou. Revirei os olhos e comecei a beijá-lo – do ombro até o pescoço. Ele virou.
- Sammy – o ouvi sussurrar de olhos fechados. Talvez ele estivesse pensando que era um sonho.
- Sou eu – sussurrei e beijei seus lábios. Em algum momento ele retribuiu e depois me afastou – sentando na cama –, suas mãos segurando meu rosto.
- Sammy? – ele não acreditava. Na verdade ele parecia... maravilhado.
- Me desculpe – sussurrei – Fui uma idiota com você. Prometo que nunca mais vou escutar qualquer coisa que me disserem sobre você – disse apressada, com medo de que ele me mandasse embora.
- Você não sabe o quanto esperei por isso – ele sorriu me admirando e como da primeira vez que nos beijamos, o vi olhar de minha boca para meus olhos. Sorri de lado e ele puxou meu rosto, nossos lábios se envolvendo. Lá fora, a chuva caia e a escutei batendo na janela, nossos corpos ficando com machas correntes por conta da luz da lua.
   Arthur prendeu uma mão em meus cabelos e as minhas rastejaram por seu peito nu, indo em direção ao seu pescoço, meus dedos se emaranhando em seus fios dourados. Sua outra mão apertou a base de minhas costas, a pele que a blusa deixava exposta e um calafrio percorreu meu corpo.
- Eu te amo – sussurrei beijando seu pescoço. Ele me afastou e só deu tempo de ver um sorriso lento crescendo em seu rosto, antes de eu o puxar para meus lábios.
  Enquanto o beijava, minha mão – em algum momento – parou no colar que ele usava. Ainda beijando-o, senti que havia dois pingentes. Ele ainda usava o que eu lhe dera. Dei um beijo rápido nele e baixei o rosto.
- O que foi? – ele passou a mão por minhas costas.
- Você não tirou – olhei para seus olhos e me arrependi de ter transformado o meu em cinzas.
- Não. Você disse que seu coração sempre seria meu. Nunca vou tirar.
- Desculpe pelo que fiz com o meu – toquei seu rosto. Ele sorriu.
- Na verdade, a lareira foi generosa – ele ergueu o braço e pegou em cima de meu retrato o colar. Arthur sorriu e colocou em meu pescoço – Comprei outra corrente e o joalheiro remodelou o que tinha sido estragado.
- Você pegou na lareira? – perguntei incrédula.
- Quando você jogou, não caiu exatamente dentro do fogo. Assim que você saiu, peguei.
- Obrigada – o abracei.
  Fiquei envolta pelos braços de Arthur por um bom tempo – ele encostado ao espelho da cama e eu com a cabeça repousada em seu peito. Ele falou de minha blusa, dizendo que eu havia trapaceado ao vesti-la pra vir vê-lo.
- Você ficou muito... provocante, seria a palavra mais amena – ele disse enquanto enrolava os dedos em uma mecha mais longa  de meu cabelo.
  Ficamos assim por um longo tempo e de relance vi a hora no relógio. Já ia amanhecer. A chuva havia me confundido.
- Arthur, tenho que ir – disse me soltando dele – Só tenho até o amanhecer.
- Pergunta: Seu pai deixou você vir até aqui no meio da noite? – ele perguntou desconfiado.
- Não. Na verdade ele acha que estou dormindo no meu quarto, junto com Sophia.
- E deixa eu adivinhar, ela também não sabe.
- Na verdade – mordi o lábio – ela me ajudou a sair.
- É claro – ele sorriu.
- Ok, vou indo – levantei e peguei os sapatos.
- Te levo até o carro.
- Não, alguém pode acordar – dei um beijo nele e disparei pela casa. Como eu estava descalça, não havia barulho, então corri até meu carro tranquila. A chuva estava fina e pude voltar para casa sem transtornos. Sophia havia deixado a porta destrancada e ao entrar tranquei para não levantar suspeitas.
- E aí? – ela perguntou sentada em sua cama quando entrei no quarto de ponta de pé para não acordá-la. Levei um susto ao ouvir sua voz.
- Pelo amor de Deus, vá dormir – ralhei.
- Está com sono e cansada?
- Sim – virei de costas e tirei a blusa, colocando a minha de dormir.
- Interessante – pude ouvir o sorriso em sua voz.
- Olhe, pare de insinuar coisas com essa sua vozinha, ok? – tirei o jeans e vesti meu shorts.
- Não está mais aqui quem falou – ela levantou as mãos teatralmente – Mas amanhã, quer dizer, mais tarde, quero saber – ela deitou.
  Bufei e cansada de ter andado a noite inteira pisando em ovos para ninguém me ver, me enrolei no edredom e adormeci quase instantaneamente.
- Hora de acordar – escutei Sophia falando. Virei de bruços e coloquei o travesseiro em cima da cabeça – Levanta Sammy, o mundo te espera – ela puxou meu edredom – Minha filha, desde quando você não vê a luz do sol?
- Olha quem fala! Você é quase translúcida – joguei o travesseiro nela.
- Fez as pazes com ele? – Sophia sentou na cama.
- Sim – me endireitei.
- Como você conseguiu entrar?
- A porta da garagem estava aberta e dava acesso à sala.
- E a sala dava acesso à escada, que ia para o quarto dele. Ok, entendi – ela revirou os olhos.
- É.
- E o que você fez quando chegou lá? – ela arqueou as sobrancelhas.
- Pedi desculpas – mordi o lábio envergonhada e passei a mão pelo cabelo – Eu o acordei com beijos. Acho que ele pensou que estava sonhando comigo. Só depois ele se tocou que era realmente eu.
- Que romântico – ela juntou as duas palmas e colocou na bochecha.
- Cala a boca – sorri e a empurrei de leve.
- Ei – ela levantou – Vamos ver Nathália, Rick ligou e disse que vai se encontrar com a gente lá.
- Vamos – disse levantando.
  Depois que tomamos banho, descemos para tomar café.
- Bom dia meninas – papai disse.
- Acordaram cedo – Lucy disse despejando alguma coisa em algum lugar.
- Sophia acorda com as galinhas – puxei a cadeira e sentei.
- Você que chega muito cedo para o café da manhã do outro dia – ele me fuzilou com os olhos. Como uma criança, dei língua – Bom dia também Sr. Mason – ela sorriu e sentou ao meu lado.
- Vão fazer o que hoje de manhã? – papai perguntou colocando café na xícara.
- Vamos nos encontrar com o Richard no hospital pra ver aNathália – respondi.
- Vamos agora também. Quer carona?
- Ok – disse.
- Como estão de férias, nada melhor no café da manhã como panquecas de chocolate – Lucy colocou na mesa uma bandeja delas.
- UAL! – Sophia disse atacando.
  Peguei uma.
- Isso tá muito bom – Sophia elogiou de boca cheia.
- Pai, você não vai trabalhar hoje não? – perguntei comendo.
- Só à tarde – ele levantou – Vou lá em cima.
- Vamos ver Nathália agora?
- Depois que elas terminarem – ele piscou pra mim e subiu.
- Já se decidiu? – Lucy olhou pra mim.
- Sobre?
- Arthur – ela disse. Engasguei.
- Ela falou com ele ontem de noite – Sophia disse. Olhei para ela – Pelo telefone – ela sorriu torto pra mim.
- Se acertaram?
- Sim – disse ainda sufocada.
- Que bom – ela sorriu e pegou os pratos pra lavar.
- Você é desequilibrada – disse entre dentes.
- Obrigada – Sophia sorriu de lado.
  Revirei os olhos e subi para escovar os dentes.
Fomos no carro do meu pai. Fiquei no banco de trás com Sophia. No caminho, ele colocou o Cd de 30STM e por pouco não enlouquecemos. Começamos a cantar as músicas com meu pai. Lucy se intimidou um pouco, mas aos poucos se rendeu.
- Sammy! – Richard chamou quando saímos do carro.
- Oi Rick – acenei. Ele correu até mim e me deu um abraço.
- Oi, tudo bom meninas? Como vão, Sr. Brandow, Lucy? – ele sorriu.
- Bem, obrigada – Lucy respondeu.
- Como vai Richard? – papai perguntou apertando sua mão.
- Bem, Sr.
- Sammy, vamos para indo na frente, ok? – papai falou.
- Tranquilo pai – respondi.
- Como você está? – Richard perguntou quando meus pais se afastaram.
- Bem. Parei de tomar os remédios ontem e no exame só deu uma lesão na parede muscular, que já se curou.
- Eu surtei quando Myllena me contou – seus olhos me fitaram.
- Já estou bem. O hematoma já está quase desaparecido.
- Que bom – ele sorriu. Sophia pigarreou ao meu lado.
- Errr... desculpe interromper o histórico médico de vocês, mas viemos ver Nathália.
- É verdade, vamos – disse desviando o olhar do rosto de Richard.
  Ele pegou minha mão e colocou em seu braço, fazendo o mesmo com Sophia. Ele piscou para mim enquanto íamos para dentro do hospital.
- Bom dia meninos – John sorriu quando nos viu.
- Bom dia – respondemos.
- Sammy seus pais estão falando com a enfermeira que cuida de Nathália – John disse.
- Ok. Como ela está? – Sophia se soltou de Richard e foi olhá-la pela janela de vidro.
- Tenho boas notícias. Ela mexeu a mão e talvez tenha balbuciado alguma coisa. Seus pais estão com a enfermeira que presenciou tudo.
- Isso é sério? – perguntei sorrindo. Quase não podia acreditar – Posso entrar?
- Claro.
- Se importam se eu for primeiro? – olhei para Richard.
- Não, claro que não – Sophia respondeu sem me olhar.
- Vai em frente garota – Richard sorriu.
  Nathália estava do mesmo jeito, mas não respirava mais com a ajuda dos aparelhos. Olhei para seu rosto de boneca e sentei ao seu lado na cama.
- Oi Nathália, como você está? Soube que melhorou – baixei a cabeça e peguei sua mão – Você vai ficar bem – olhei para seu rosto e toquei sua bochecha com a mão livre – Sabe, quando quase morri, pensei muito em você. Na verdade eu quis viver por você. Achei que nunca mais te veria. Mas mesmo que eu tivesse morrido, sempre estaria com você, te protegendo. Por toda a vida. Apesar de tudo, estou aqui e não vou te deixar novamente, eu juro – Eu te amo – beijei sua testa.
  Quando fui soltar sua mão, senti um leve aperto. Assustada, olhei para baixo e vi que seus dedos prendiam minha mão à dela. No mesmo segundo lágrimas inundaram meus olhos e escorregaram por minha bochecha, um sorriso se abrindo em meu rosto.
- Sam... – olhei apavorada para seu rosto – Sammy – Nathália disse.
- Nathália? Nathália! – chamei chorando. Não tinha escutado vozes. Ela havia falado meu nome – Meu Deus! – soltei sua mão e corri para a porta – Ela falou – disse do lado de fora. John ainda estava lá e sorriu ao me ver.
- Ela falou? – Richard perguntou sem saber o que fazer.
- Sim – o abracei – Ela disse meu nome – eu chorava e sorria ao mesmo tempo.
- Com licença, tenho que vê-la – John disse entrando no quarto.
- Richard! – disse abraçada a ele.
- Ela tá voltando Sammy! – ele me abraçou mais forte.
  Ao me afastar dele, vi Sophia e ao seu lado Arthur. Ele estava olhando para baixo e vi Sophia dar uma leve cotovelada nele. Ele a olhou e depois que ela acenou com o queixo para mim, seus olhos me encontraram. Arthur sorriu torto e quase me joguei em seus braços.
- Eu vou ter minha irmã de volta! – disse.
- Sim, você vai – havia um sorriso em sua voz.
- Preciso que venha comigo – ele disse em meu ouvido.
- Pra quê? – perguntei olhando para seu rosto.
- Venha – ele sorriu e pegou minha mão.
- Sammy? – John chamou.
- Sim? – virei e olhei para ele.
- Fico feliz que tenham voltado – seu sorriso era travesso.
- Obrigada. Você contou a ele, não foi? – perguntei envergonhada enquanto íamos para o estacionamento.
- Todos viram você, você que não viu ninguém – ele sorriu de lado – Confesso que odiei, por que não queria que Bryan a tivesse visto naquela blusa.
- Você é tão bobo!
- Sammy? – alguém me chamou. Olhei e vi Lucas.
- Oi, Lucas – disse surpresa ao vê-lo – Tudo bem?
- Sim, vim ver Nathália. Às vezes passo aqui pra saber como ela está.
- Bom saber. Ela melhorou.
- Vou indo vê-la então, tchau.
- Tchau.
- Oi, Arthur, tudo bem? – ele perguntou.
- Tudo – Arthur apertou sua mão.
- Ah, já ia esquecendo. Seu irmão está na recepção com um homem, parece que a recepcionista não quer deixá-lo entrar.
- Ah – ele franziu o cenho – Obrigada – Arthur olhou para mim quando Lucas saiu.
  Andamos até a recepção e vi Bryan falando com uma moça, ele parecia estar tentando se controlar. Ao seu lado, um homem alto de cabelos meio claros falava ao mesmo tempo que ele. O homem fazia gestos, parecia estar tentando explicar algo.
- O que está acontecendo? – Arthur perguntou. Bryan parou de falar e nos olhou.
- Sammy, que bom que chegou – ele disse aliviado.
- Por quê? – perguntei desconfiada.
- Esse é Nicolas Waytt – ele apontou com o polegar para o homem que acenou com um sorriso torto
 - O pai de Nathália? – eu estava paralisada.
- Sim – ele respondeu.
- Desculpe, eu não sabia, eu... – A recepcionista disse apressada – Aqui consta que o pai dela é Rudolf Brandow.
- E é – respondi.
- Mas então...
- Nicolas é o pai biológico.
- Ah. Me desculpe. Posso deixá-lo entrar?
- Claro – franzi o cenho.
- Quem é você? – Nicolas perguntou.
- A irmã dela.
- Você também é...
- Não – respondi. Era óbvio que eu não era sua filha – Sou dois anos mais velha.
- Ah, desculpe.
- O que veio fazer aqui?
- Ver minha filha – ele respondeu como se fosse óbvio demais.
  Voltamos para o quarto onde Nathália estava. Ele foi direto para a janela de vidro, onde a ficou olhando.
- Posso entrar? – ele perguntou ansioso.
- Pode. Passe álcool nas mãos antes – ele sorriu e assim que Lucas saiu do quarto, ele entrou – Por que você o trouxe? – perguntei para Bryan.
- Ele é o pai. Tem direito de conhecê-la – Bryan respondeu.
- Quem era pra ter decidido isso era ela. Bryan, ele nem sabia que ela existia.
- Está sabendo agora.
- Bryan, isso é assunto de família. Na verdade, isso é assunto dela e do papai.
- Sammy, só quis ajudar.
- Eu sei Bryan, mas deveria ter falado comigo pelo menos – Bryan olhou para Arthur.
- Sammy, ele falou comigo. Bryan só fez isso porque concordei.
- Arthur... – balancei a cabeça negativamente.
- Desculpe.
- Vocês não deviam ter feito isso.
- Oi garotos – papai cumprimentou se aproximando. Não respondi.
- Tudo bem Sammy? – Lucy perguntou ao seu lado.
- Não – disse com raiva – Nicolas Waytt acaba de conhecer sua filha – apontei para o quarto e saí marchando.
- Sammy! – Arthur falou atrás de mim. Não virei – Sammy, me escute! – virei para ele num rompante.
- Como vocês o acharam?
- Bryan perguntou a Lucy o nome dele.
- Ela sabe? – arqueei as sobrancelhas.
- Não.
- Como...?
- Bryan sabia que você é de Dallas, provavelmente o pai de Nathália seria. Só foi procurar na lista telefônica.
- E como vocês conseguiram a lista telefônica de Dallas? – perguntei incrédula.
- Internet.
- Droga – passei a mão pelo cabelo.
- Sammy...
- Arthur, vocês não vêem o que fizeram? Com certeza ele vai ficar em Boston até Nathália acordar. Quando ela o conhecer, no começo vai ser durona, mas do jeito que ela é mole, em duas semanas ela o chama até de pai. Você imaginou como nosso pai vai se sentir? Vocês interferiram em algo que não lhes dizia respeito. Sei que só quiseram ajudar, mas...
- Sammy, calma. Você está pensando só em seu pai e Nathália. Mas e o Nicolas? Ele passou quinze anos sem ter noção de que tinha uma filha, ele tem esse direito.
- Não Arthur. Se eles decidissem que continuaria assim, seria assim.
- Isso é um absurdo – ele fez uma careta.
- Vocês não são da família, não tinham nada que se intrometer – rebati. Ele baixou a cabeça – Arthur, ele pode pedir a guarda dela – ele me olhou e viu lágrimas em meus olhos. Ele não tinha pensado nisso, estava nítido em seus olhos – Nicolas não sabia que tinha uma filha, isso o torna vítima. E Lucy, cometeu adultério, abandono de lar, forjou a própria morte porque não queria a filha e ainda omitiu o verdadeiro pai de sua filha. Pra piorar, ainda mora conosco. Algum juiz que não esteja bêbado ou drogado vai dar a guarda pro papai, que é um estranho? – perguntei segurando o choro.
- Não é assim.
- Você ainda duvida que Nicolas ganhe na justiça?
- Se isso chegar ao tribunal, o que eu acho bem difícil, o juiz perguntará com quem Nathália quer ficar.
- E você acha que ela ficará conosco? Ela odeia Lucy que mora sobre o mesmo teto que ela e meu pai quase lhe deu uma surra. Ela vai ter a oportunidade de voltar a morar no lugar que ela amava. Ela é a cópia dele, eu a achava parecida com Lucy, mas não me lembrava bem dela. Arthur até o jeito dela é parecido. Você viu o sorriso dele? É idêntico ao dela. Eles vão se dar bem e se ele pedir a guarda, não vai ter Lucy ou Rudolf no mundo que impedirá.
- Sammy, confie um pouco mais na sua irmã. Ela não conhece o Nicolas. Não é porque brigou com o pai, que vai querer ir embora pra Dallas.
- Ela é imprevisível.
- Ela não vai – ele ma abraçou – Venha, vamos voltar.
  Ao voltarmos Lucy conversava com Nicolas. Papai se aproximou de mim.
- Ele está muito feliz com a ideia de ser pai.
- O que quer dizer?
- Ele não vai voltar pra Dallas nem tão cedo – ele estava com raiva.
- Mostre a ele quem manda. Você é o pai dela, assuma esse papel. Se Nicolas ver que tem espaço, ele não vai hesitar em tentar tomar seu lugar. Mostre quem é a família dela. Assim, ele terá um lugar na vida da Nathália, mas não o seu.
- Obrigada – ele me abraçou.
- Será que um dia farei isso com minha filha? – o modo como ele falou minha filha me deu náuseas. Soltei meu pai e olhei para ele.
- Talvez. Mas ela não vai sentir por você o mesmo que sente por ele.
- Sammy – Lucy repreendeu.
- Não vou enganá-lo. Sei que está feliz por ter uma filha, mas o verdadeiro pai dela é outro – ele desviou o olhar e Lucy tocou em seu ombro.
- Sammy – Arthur sussurrou perto de mim.
- Eu sei, mas vou conquistar o amor da minha filha.
- Boa sorte – dei de ombros – Só não espera que ela veja em você a figura de um pai.
- Samantha! – Lucy reclamou. Olhei gélida para ela.
- Assim como não verá em você a mãe dela – ergui o canto da boca. O rosto de Lucy desmoronou.
- Sammy – papai disse.
- O que foi? – perguntei – Querem que eu minta. Pois muito bem, lá vai. Lucy, conhece a mãe que nós sempre quisemos ter e Nicolas você vai ganhar de goleada para meu pai e Nathália vai implorar para ir com você pra Dallas. Todos satisfeitos? – perguntei sarcástica.
- Não tenho obrigação de aguentar desaforo seu, garota! – Nicolas disse.
- E eu não tenho que aguentar minha família sendo destruída dia após dia – minha raiva havia sumido, só restava o vazio, que começava aos poucos a ser preenchido pelo medo. Todos ficaram e silêncio, até que Richard e Sophia voltaram.
- Onde estavam? – Arthur perguntou ao meu lado.
- Na lanchonete – Richard respondeu – Tudo bem Sammy?
- O pai de Nathália voltou – murmurei de braços cruzados.
- Voltou? Mas...
- Ele apareceu, deixa de ser burro – Sophia deu um tapa na cabeça dele.
- Ah, sinto muito.
- Ok – respondi.
- Quer ir pra casa? – Arthur perguntou.
- Quero.
- Eu te levo – Richard sugeriu.
- Ok. Vem com a gente? – perguntei a Sophia.
- Sim.
- Pai, vamos pra casa. Richard vai nos levar.
- Tudo bem.
- Sammy, desculpa – Bryan disse quando passei por ele.
- Tudo bem, ia acontecer mais cedo ou mais tarde. Está perdoado, cunhadinho – tentei fazer o mesmo que ele, mas meu humor estava enterrado.
  O caminho de volta foi silencioso, pelo menos da minha parte. Sophia ia na frente com Richard, enquanto eu fiquei no banco de trás do Jeep Grand Cherokee  preto. Fiquei olhando pela janela pensando no que fazer. Mas não havia muito. Nicolas tinha todo o direito de querer conquistar Nathália, até porque ele não sabia que tinha uma filha. Será que minha irmã escolheria ele? Pensar nela indo para Dallas me sufocou.
  Quando Richard me deixou em casa, estava a ponto de explodir.
- Sammy, você entrou no carro muda e saiu calada, está tudo bem? – ele perguntou quando saí do carro.
- Mais ou menos – respondi indo para sua janela.
- Qualquer coisa, me liga? – ele sorriu de leve e pôs a mão em meu rosto.
- Claro – murmurei.
- Tchau Sophia! – ele acenou.
- Até mais Rick – ela sorriu.
  Assim que entramos em casa, desabei no sofá, tirei o all star e encolhi minhas pernas, abraçando-as.
- Quer conversar? – Sophia sentou ao meu lado calmamente.
- Estou com uma sensação ruim – murmurei.
- Defina – ela me observou.
- Quando penso em Nathália se apegando ao Nicolas, meu coração é reduzido a uma ervilha.
- Está com medo que ela saia de casa?
- Minha família está acabando aos poucos. Primeiro foi a imagem que tínhamos de Lucy. Ela mesma voltou do túmulo e começou o caos. Depois Nathália ficou quase altista, descobriu que meu pai não é o mesmo que o dela, quase levou uma surra, sofreu um acidente...
- E todas as vezes você conseguiu administrar a situação. O que está havendo agora?
- Sophia, antes eu ficava péssima, mas eu é que tentava consertar tudo. Agora quem está no controle é Nathália. Ela que toma as decisões agora, não eu. Se ela optar por viver com o pai, não vou pode r fazer nada. E o pior, não saberei como reagir a isso. Como eu vou lidar com minha família destruída? – baixei a cabeça.
- Você não pode querer sempre cuidar de Nathália – Sophia afagou minhas costas.
- Eu sei – levantei a cabeça – Mas não sei como deixá-la partir. Não vou suportar vê-la indo embora – senti as lágrimas surgindo em meus olhos.
- Você está contando com alo que nem aconteceu. Nathália não vai abandonar a família pra viver com o pai desconhecido. Sammy, você está sendo precipitada. Espere ao menos ela acordar.
- Sophia, estou morrendo de medo – disse chorando.
- Vem cá – ela colocou uma almofada nas pernas e deitei – Seja forte. Onde está aquela guerreira que eu conheço? Onde foi parar esse lado da minha melhor amiga? – ela perguntou afagando meu cabelo.
- Talvez a força dela esteja enterrada – funguei.
- Então vou ficar aqui do seu lado pra resgatá-la – ela passou a mão por minhas lágrimas.
- Obrigada – sussurrei.
- Vou começar a cobrar pelos serviços – ela sorriu – Ei, o que é isso aqui? – ela tocou no cato de meu olho.
- O quê? – perguntei franzindo o cenho.
- É uma ruga! Tá vendo! Quando eu falo que chorar dá rugas, ninguém acredita! E logo você, que ultimamente parece uma cachoeira!
- Pelo amor... – disse sorrindo.
  Não almocei, não tinha um pingo de fome. Sophia também parecia estar igual, por que mal comeu uma maçã. Passamos o dia assistindo séries na TV a cabo, mas eu não prestava realmente atenção, às vezes minha mente estava muito além dos crimes arquivados da série. Quando chegou ao final da tarde, papai fez questão de levar Sophia em casa. Decidi aproveitar o tempo que eu tinha antes que ele chegasse e fui falar com Lucy.
- Posso entrar? – perguntei insegura, batendo na porta de seu quarto.
- Pode – ela respondeu. Respirei fundo e entrei. O quarto estava igual a última vez em que eu havia vindo, exceto por uma foto minha e da Nathália em seu criado mudo.
- Lucy, desculpe por hoje. Não devia ter falado aquilo com você.
- Tudo bem – ela respondeu sem me olhar.
- Não, não está. Olhe, eu errei feio e de verdade... me desculpe.
- Sammy, só quero uma chance na vida de vocês. Sei que não reconquistarei Rudolf e aceito isso porque o fiz sofrer demais. Mas quero poder ser uma mãe pra vocês, será que nunca terei essa oportunidade? – ela perguntou chorando.
- Lucy, você sempre será nossa mãe. Gosto de você, mas é que às vezes quando o corte é muito profundo, demora pra sarar e quando acontece, toda vez quando olharmos para o lugar que estava ferido veremos uma cicatriz que nada desfaz. Pode amenizar, mas ela sempre estará lá. Mesmo que a gente te dê a chance que você quer, sempre haverá uma barreira entre nós. Nunca saberemos se amanhã você vai estar aqui ou vai embora de novo. Sei que não fará isso, mas a dúvida nunca vai sumir.
- Eu fiz muito mal a vocês, não foi? – ela passou a mão no rosto.
- Sim.
- Obrigada por dizer o que sente.
- De nada – dei as costas e abri a porta.
- Sammy? – ela chamou.
- Sim?
- Eu te desculpo.
  Sorri gentilmente e saí do quarto. Fui para a sala mais aliviada e assisti o fim do episódio de uma série boba que passava. Arthur ligou para mim quando eu já estava na cama, conversamos um pouco e disse que havia pedido desculpas a Lucy.
  As semanas seguintes passaram normalmente. Nicolas ia todos os dias ao hospital e passava horas olhando Nathália pela janela de vidro. Eu evitava cruzar com ele pelos corredores, mas era difícil encontrar um horário em que ele não estivesse velando o quarto. Optei por ir na hora do almoço, afinal alguma ora ele tinha que sair dali para comer.
  Na segunda semana de Agosto – quase no fim das férias de verão – acordei com o Iphone vibrando embaixo do meu travesseiro e Jared Leto cantando Bad Romance.
- Alô? – disse grogue.
- Sammy?
- Pelo amor de Deus Sophia, vai dormir. Você já não passou a noite falando comigo? O que é que você tanto tem pra falar? Não dá cãibra na sua língua, não garota? – grunhi de olhos fechados, já voltando a adormecer.
- Sammy – ela falava rindo – Sou eu, Arthur.
- Ah, desculpe – tentei dizer envergonhada, mas o sono não deixava.
- Tava dormindo?
- Não, meu amor. Treinando pra morte.
- Desculpe - ele riu.
- Você não podia ter ligado de nove horas? – cobri os olhos com a mão.
- Já são oito, não errei tão feio. Lembra que você está me devendo uma visita?
- Unhum... – concordei - Não sei, é?
- Sammy, acorda!
- Ai, desculpa. Estou com sono, Sophia não parava de falar ontem, quer dizer, ontem e hoje de madrugada.
- Estou esperando você. Acorde agora, se arrume e venha. Tchau.
- Ah, não – grunhi.
- Por favor, minha preguiçosa? – sua voz era suave.
- Assim você vai me pôr pra dormir de novo. Tchau, daqui a pouco chego aí – desisti abrindo os olhos.
  Peguei uma muda de roupas e fui para o banheiro. Quando saí, me arrumei e desci para a cozinha, onde Lucy colocava algo no forno.
- Bom dia – ela disse sem me olhar.
- Bom dia - respondi – Cadê o papai? – abri a geladeira e peguei alguns morangos.
- Saiu com uns amigos.
- Ah. Olha, vou na casa de Arthur, ok?
- Vai almoçar lá? – ela me olhou.
- Depende, o que você está fazendo?
- Lasanha.
- Pode contar comigo no almoço – mordi o morango – Tchau – falei de boca cheia, indo para a porta.
  Ouvi de leve a risadinha de Lucy. O caminho para a casa dos Mason estava tranqüilo. Decidi aproveitar o sol e ao invés de usar meu companheiro pra todas as horas ar condicionado, abri as janelas e deixei a vitamina D e os raios ultravioletas baterem em minha pele.
  Quando cheguei, vi Arthur andando de um lado para outro do terraço. Quando me viu, sorriu e correu para mim quase voando.
  Desliguei o motor e antes que eu pudesse sair, Arthur abriu a porta do carro e me suspendeu, girando comigo em um abraço.
- Que bom que você veio – ele sorriu.
- Falei que vinha – disse sorrindo.
- Venha – ele me colocou no chão e entrelaçou seus dedos nos meus. Passamos pela piscina, mas quando pensei que íamos para a mansão, ele desviou, indo para o lado da casa.
- Aonde estamos indo? – perguntei curiosa.
- Vai ver – ele sorriu para mim. Ao chegarmos atrás da casa, vi uma construção em vidro. Eu nunca tinha ido até lá e me surpreendi com a área verde que tinha. Parecia uma fazenda.
- O que é? – perguntei olhando.
- A estufa de Suzan.
- Ah.
- Vem – ele puxou de leve minha mão e o olhei. Um pouco mais distante da estufa vi algo como uma torre. Andamos até ela e antes de entrar Arthur olhou para mim – Vamos?
- O que tem aí dentro? – ele sorriu e abriu a porta. Por dentro era tudo incrivelmente claro, a luz do sol refletia nas paredes de vidro e iluminava o interior. Havia uma escada em espiral que Arthur me incentivou a subir. Ao chegarmos no topo, fiquei abismada. Lá de cima dava pra ver boa parte de Boston. Era lindo, um verdadeiro cartão postal particular. Andei até o parapeito sentindo o vento forte colocando meus cabelos para trás e a luz do sol. O calor começava a surgir, tornando minha pele quente, as maçãs de meu rosto, vermelhas.
- É lindo – murmurei.
- Não trouxe para mostrar isso, que realmente é lindo – ele falou atrás de mim. Virei para olhá-lo.
- Não? – perguntei confusa.
- Quero te dar uma coisa que fiz – ele sorriu. Arthur mantinha as mãos para trás e inclinei a cabeça para tentar ver.
- Calma, feche os olhos.
- Ah, não – contestei.
- Por favor? – ele me lançou o sorriso travesso que eu amava.
- Tá bom – desisti. Fechei os olhos e ouvi seus passos vindo me minha direção.
- Pode abrir – sua voz era ansiosa.
  Era um quadro. A moldura era de algum tom de laranja misturado com amarelo e vermelho. Olhei para a pintura. O fundo era negro e outra cor que beirava esse tom. Se não estivesse no plano, eu diria que a janela comprida cujas cortinas esvoaçavam – que lembrava a que ficava atrás de minha cama – onde estava retratado o nascer do sol, era a figura mais distante dali. Olhei para os detalhes. Era realmente meu quarto. Em cima do criado mudo estava o livro que eu parara de ler. O Conde de Monte Cristo. Ele sabia que era meu preferido. No lado esquerdo da pintura estava uma moça de cabelos longos – que balançavam o suposto vento existente ali. Ela olhava o nascer do sol, mas em seu rosto não tinha muita luz. Atrás dela um rapaz – ele estava mais escuro que ela – que a estava abraçando. Olhei atentamente e vi que um anjo a abraçava enquanto suas asas envolviam a garota – cujas mãos estavam colocadas delicadamente no braço dele. Com lágrimas escorrendo por meu rosto, percebi que Arthur havia nos pintado. Olhei para ele absolutamente sem palavras.
- Gostou? – ele perguntou inseguro. Eu continuava sem saber o que dizer – Sammy? – ele incentivou – Sammy, por favor me diga. Estou ficando nervoso.
- É a coisa mais linda que alguém já e deu – sussurrei e olhei para seus olhos – Arthur é perfeito.
  Le veio até mim e me abraçou.
- Obrigada – disse em se ouvido.
- Fiz pra você sempre se lembrar de mim.
- Nunca vou te esquecer – beijei sua bochecha.
- Você é tudo pra mim – disse ele olhando em meus olhos.
  Arthur sorriu e me beijou, todo o amor que eu sentia por ele brotando em minha pele. 


Um Romance de:

~CONTINUA~

5 Comentários

  1. Adorei muito legal não vejo a hora de ler o próximo

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  2. o amor da Sammy e do Arthur é tão lindo, e eles tem uns momentos tão fofos.<3 tudo tão M.A.R.A.V.I.L.H.O.S.O <3

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