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Algumas coisas são verdade, quer você acredite nelas ou não." City of Angels
► Recadinho aos leitores:E então queridos? Estão gostando do romance da Cassia? Ainda foram poucos os comentários por essa razão só vou publicar o próximo capítulo quando mais pessoas comentarem algo sobre a história e/ou sobre o trabalho na Cassia. Não é justo eu disponibilizar uma coisa, ser cobrada por ela, mas não ter o mínimo de reconhecimento de vocês né? Então, se querem que o próximo capítulo saia bem rapidinho... deixa ai seu comentário!Beijos ~Raíssa


♥ 20. ROMPIMENTO ♥


Eu estava consciente e talvez até conformada com a morte, mas a situação foi totalmente alterada quando o vi quase se jogar na minha frente.
- Não Jany, não! – eles gritaram um segundo antes de uma luz forte e dourada surgir ao redor de Arthur.  Asas enormes nasceram em suas costas e se abriram – alvas e macias como veludo, pude sentir quando uma delas roçou na pele de meu braço – fazendo seu corpo parecer uma cruz.
  Tive um vislumbre da garota que havia vindo com os Mason de olhos arregalados, indo para perto de Jany que tremia.
 Procurei por Iron e o vi com um joelho apoiado no chão, uma luz prateada nevoenta abraçando seu corpo. Semicerrei os olhos para ver melhor – no mesmo instante em que seus olhos encontraram os meus – e vi os dele tornando-se violeta e depois todo seu globo ocular era negro.
  A luz prateada ganhava força e parecia que o estava levantando. O vento chicoteava por todo lugar – fazendo meus cabelos baterem no rosto – e me esforcei para não sair correndo dali. Seu rosto se distorceu e ele gritou agoniado. Um par de asas enormes e negras saiu de suas costas – a camisa se rasgando –, as pontas virando-se para frente, encostando uma na outra.
  O colar que estava em seu pescoço ficou suspenso e depois caiu no chão. A luz nevoenta e prateada que o envolvia começou a cobrir seus pés, enquanto mais gritos agoniados escapavam de sua garganta. Era quase um rugido.
  Iron olhou para o lado, para além de onde nós estávamos e o acompanhei.
  Uma mulher – de cabelos dourados na altura dos seios e olhos azuis quase iguais aos de Arthur – encarava Iron acima do vitrô, enquanto seu vestido longo cor de creme esvoaçava junto com uma névoa que parecia uma capa, logo atrás dela, misturando-se a neblina que circundava a estação.
  Ela arqueou uma sobrancelha e Iron rugiu novamente. Ao olhar para ele, vi que a luz já cobria seu abdômen. Ele inclinou a cabeça para trás e depois voltou, seus olhos encarando os meus. Pude ver neles algo que não me permitia deixá-lo sofrer. Ele queria me matar, mas eu não suportava vê-lo daquele jeito.
- Pare, por favor. Pare! – gritei olhando para ela. A mulher me olhou e Arthur se movimentou para me manter fora de seu campo de visão.
  Olhei para Iron – seus olhos tinham voltado ao azul – e o vi pronunciar meu nome.
  A luz prateada envolveu o que faltava de seu corpo. E o anjo negro se fora. Para sempre.
  Aterrorizada, olhei para a mulher e a capa de neblina atrás dela a cobriu. Acima da elevação do vitrô não existia mais nada.
- Iron – sussurrei.
  As asas de Arthur se abaixaram e o ouvi suspirar.
- Sammy – Ashley me abraçou. Eu não a tinha visto nem chegar perto.
- Ai – gemi quando ela encostou em minha barriga. Arthur se virou no mesmo instante e fiquei boquiaberta com o que vi.
  Seus olhos estavam mais azuis do que eram, duas pedras de safira colocadas em seu rosto. Sua pele estava bronzeada com mínimos pontos de luz dourada. Seu rosto era ainda mais perfeito. Um brilho chamou minha atenção e vi que no colar dele estavam mais pingentes do que o normal. Mas não foi isso que me chamou atenção. A aliança dourada que ele carregava estava emitindo feixes de luz dourada. Algo estava nele, alguma palavra que era escrita dos dois lados do anel.
  Afastei-me de Ashley e cheguei mais perto dele. Arthur prendeu a respiração quando peguei o pingente.
  Samantha Brandow.
  Meu nome estava brilhando e era verdade. Eu era sua missão.
  Olhei para seus olhos e estavam em êxtase, muito diferente da expressão de seu corpo.
- Sammy... – ele parecia me admirar. Arthur lentamente colocou a mão em meu rosto – na parte que não tinha sido machucada – e sorriu, o sorriso mais feliz que eu já tinha visto – Eu consegui. Você está viva.
- Sim, estou – sussurrei.
  Lágrimas encheram meus olhos e escorreram por meu rosto, ardendo onde Jany havia pisado
- Sammy... – Arthur me puxou pela nuca e me envolveu em seus braços, seu corpo mais quente que o normal contra o meu.
   Mesmo estando magoada, o amor que eu sentia era muito maior, além do fato dele ter salvo minha vida. Afastei-me um pouco dele e cautelosamente pus meus dedos em seu rosto. Eles percorreram cada pequeno fragmento, demorando em seus olhos fechados e em seus lábios.
- Arthur – sussurrei e desmoronei.
- Shhh... está tudo bem agora. Estou com você – ele disse em meu ouvido, abraçando-me de novo.
  Suas asas começaram a diminuir e tremi.
- Sammy? – ele perguntou preocupado quando me soltei dele.
- Suas asas... – apontei.
- O que tem?
- Estão diminuindo – murmurei.
  Na verdade há esta hora já tinham sumido.
- Você quer que eu fique anjo para sempre? – ele sorriu voltando ao normal – Desculpe por isso – ele apontou para as asas que se foram.
- Você é tão... lindo – olhei para seu corpo. Instantes atrás estava quase brilhando – O que é isso? – toquei numa marca avermelhada em seu peito, parecia um machucado quase cicatrizado.
- O tiro que Jany disparou – ele pegou minha mão.
- Temos que ir – Melissa disse. A polícia já está aqui embaixo.
  Arthur me carregou ao ver que eu estava sem condições de andar. Depois que a adrenalina se dissolveu em meu corpo, todas as dores ficaram bem piores, quase insuportáveis. Bryan rebocava Jany, que me encarava constantemente. Incomodada, enterrei o rosto no peito de Arthur e ele beijou minha cabeça, fazendo Jany tentar se debater contra Bryan.
  Estávamos passando pela entrada, quando uma lufada de vento bateu em nós. Assustada, olhei por sobre o ombro de Arthur.
  Uma fumaça negra tomava forma na câmara e vi a imagem de Iron. Ele estava cabisbaixo, o azul de seus olhos sem vida. Ele me olhou por um instante e pronunciou sem som alguma coisa que não entendi. Apertei os olhos e ele desapareceu. Gelada da cabeça aos pés, me apertei contra o corpo de Arthur.
  A polícia elogiou a coragem de todos e a minha, de ter escolhido morrer no lugar de alguém. Kamilla havia chamado a polícia e contado tudo. Jany gritava com ela, chamando-a de traidora, mas Kamilla se mantinha firme.
- Obrigada – agradeci encostada no carro na viatura enquanto esperava Arthur terminar de ser interrogado.
- De nada – Kamilla respondeu – Como está?
- Mal, bem mal.
- Ao menos está viva – ela sorriu gentilmente.
- É.
- Parabéns Sammy – ela disse e fiquei sem entender.
- Por quê?
- Ele fez de tudo pra salvá-la – ela olhou para Arthur – Quando estávamos vindo, um cara tentou assaltá-lo. Bom, ele bateu muito nele, mas por mais estranho que pareça – ela riu sem humor – era por você. Eu nunca vi nenhum homem se desesperar tanto por uma mulher. Ele estava sem rumo, como se você estivesse pedindo socorro sem ele poder correr o suficiente para te salvar.
- Sinto muito por você – disse indiferente. Eu sabia por que ele tinha me salvo – Deve gostar muito dela – olhei para dentro de outra viatura, onde vi Jany de perfil.
- É como uma irmã – ela baixou a cabeça.
- Vamos – Arthur se aproximou – Obrigada por tudo e desculpe pelo grito que dei em você – ele falou pra Kamilla.
- Tudo bem – ela sorriu levemente.
- Venha – ele pegou minha mão.
  Ashley queria dirigir, mas Melissa não aceitou, alegando que ela havia ficado a noite inteira sem dormir. Extremamente contra a vontade, Ashley foi para o carro de Bryan, ficando no banco de trás para dar um cochilo. Seriam mais doze horas. Kamilla foi dirigindo o Audi de Bryan, enquanto ele ia dormir ao seu lado. Melissa assumiu a direção do Jaguar e Arthur ficou comigo no banco de trás.
- O que aconteceu com Iron? – perguntei enquanto saíamos dali.
- Ele se desintegrou – Arthur respondeu semicerrando os olhos.
- Por quê?
- A única coisa que pode fazer um anjo da morte deixar de existir, é se um guardião se tornar anjo na sua frente, para detê-lo de algo.
- Mas ele não me mataria. Seria a Jany – eu sussurrava por conta da dor.
- Sim, mas você morreria de qualquer jeito e sua promessa se cumpriria.
- Obrigada – me icei com esforço e dei um beijo em sua bochecha.
  Por doze horas eu esqueceria suas mentiras.
  Arthur me aninhou em seus braços e me vi pegando no sono em meio à chuva que voltava a cair.
  Pelo que pareceu ser um longo tempo, minha mente ficou vazia, nada a habitava. E depois eu estava em um lugar escuro, não havia absolutamente nenhum som. Eu olhava desesperada para os lados, mas não encontrava nenhuma forma de sair. Ouvi uma gargalhada maquiavélica atrás de mim, quando virei, vi Jany. Ela estava apontando uma arma para mim e sorria enquanto via o medo em meu rosto. Depois ela atirou, mas na senti nada. À minha frente, um anjo caía de joelhos, a mão no coração. O rosto diabólico de Jany havia se distorcido, agora era puro pavor. Corri até o anjo e quando o olhei, vi o rosto de quem eu amava.
  Arthur estava em meus braços, sangrando. Eu chorava compulsivamente. Coloquei a mão em cima da dele, a minha enchendo-se de sangue.
O que é eterno nunca morre, Arthur balbuciou e fechou os olhos, um último suspiro saindo de sua boca. Debrucei-me em seu peito, enquanto meu choro era quase insuportável, a dor saindo em cada grito. Não havia mais ninguém, só ele e eu. Jany havia desaparecido e onde ela estava vi um par de olhos azuis me encarando, um sorriso de lado vagamente iluminado. Depois mais nada, tudo era negro.
- Sammy, Sammy – Arthur me balançava. Eu estava com a cabeça deitada em sua perna.
- Arthur – chamei por ele.
- Estou aqui meu amor, estou aqui – sua voz era tensa.
- Jany, Iron...
- Eles se foram, eles se foram – ele passou a mão por minha testa suada, afastando meu cabelo – Melissa? – sua voz era quase um grunhido.
- Oi?
- Ela está fervendo em febre – seus olhos estavam assustados.
- Veja se tem algum ferimento – Melissa respondeu.
- Sammy, você se feriu?
- Meu braço – murmurei fraca, apontando para o braço esquerdo.
  Arthur rasgou mais a manga – do casaco e da blusa preta – com cuidado e gemi quando vi o sangue colado à minha pele.
- Está doendo muito? – ele perguntou.
- Não, ela atirou em mim, mas pegou de raspão.
- Isso foi um tiro? – ele perguntou entre dentes.
- Sim.
- Melissa...
- Eu escutei, mas não acho que ela esteja com febre por conta disso. Sammy, você se machucou mais?
- Dois chutes na barriga que me fizeram tossir sangue – disse com dificuldade, meu corpo inteiro parecia doer. E estava frio, muito frio.
  As narinas de Arthur inflaram e vi que ele lutava para se controlar.
- Pelo amor de Deus, ela é uma psicopata! – Melissa disse exasperada – Arthur, não temos nada para dar a ela. Quer parar num posto médico?
- Não. Acelere e vamos logo para casa. John vai nos esperar lá. Já está quase entardecendo.
  Isso significava que estávamos chegando, contando que havíamos saído de lá pela manhã. Arthur ligou para John e lhe contou sobre meu estado. Pelo que entendi da conversa, ele armaria em casa uma enfermaria pra me receber.
  Não demorou muito para eu começar a ver as primeiras coisas familiares. Eu tinha me erguido, ficando sentada, enquanto Arthur afagava minha cabeça repousada em seu peito. Ele tinha muito cuidado em me tocar, sempre perguntando como estava minha barriga. Minha resposta era sempre a mesma: Estava doendo cada vez mais. Em algum momento o cansaço físico me dominou novamente e me fez adormecer.
  Senti alguém me pegando nos braços e supus que fosse Arthur, porque senti vagamente sua pele exposta tocando a minha e o único que estava sem camisa era ele.
  Abri os olhos e estava em um quarto, percebi então que era o de Ashley. Eu me sentia um pouco melhor, talvez até disposta. Tentei trazer meu braço para mim para ver seu estado, mas algo atrapalhava. Olhei e vi uma intravenosa presa a um tripé de alumínio que sustentava uma bolsa de soro. Devia haver algum medicamento ali também.
  Fitei o teto por dois ou três minutos, até escutar passos vindos em minha direção.
- Como vai nossa garota? – John entrou no quarto e mexeu no soro.
- Melhor.
- Ela acordou? – Bryan, Ashley e Melissa se apoiaram na entrada para me olhar. Arthur passou por eles e veio para o meu lado, já vestido.
- Sammy! – papai passou apressado pela porta abarrotada e quase caiu de joelhos ao meu lado.
- Oi pai – murmurei. Eu me sentia melhor,mas a cada palavra que eu pronunciava, parecia que um rasgão se abria em minha barriga.
- Pelo amor de Deus, nunca mais faça isso! – ele beijou desajeitadamente minha testa e senti uma lágrima em minha pele.
- Desculpe pai, mas não podia deixá-las morrer – sussurrei.
- Obrigado Sammy – John falou atrás de meu pai. Ele sorriu para mim e vi que era sincero.
- Disponha – sorri de leve.
- Sammy, minha filha! – Lucy entrou quase correndo no quarto, seus olhos vermelhos, assim como seu rosto.
- Estou bem – assegurei. Lucy revirou os olhos e sorriu, mantendo distância.
  John havia cuidado de todos os meus ferimentos e da torção em meu ombro, além de ter gasto quase todo seu spray com minha barriga. Também levei uma bronca por ter contraído os músculos a hora do chute, poderia ter causado uma hemorragia e eu morreria em minutos. O sangue que eu havia posto para fora foi devido a alguma lesão na parede muscular, ou até mesmo no próprio estômago, teria que fazer um ressonância para saber.
  Como médico, ele havia conseguido praticamente fazer da mansão, um hospital e meu pai seguiu sua recomendação e me deixou passar a noite na casa. Eu estava desconfortável com a ideia. Agora que eu já não corria mais perigo, as lembranças do sequestro eram bem mais nítidas e uma única frase girava em minha mente: Ele só está com você, por que é sua missão. Arthur havia me enganado – assim como os outros – e eu não podia aceitar aquilo. Na verdade, eu não queria aceitar, queria que tivesse sido só mais um blefe da Jany. Mas como eu podia explicar meu nome escrito na aliança que era o elo entre a missa e o guardião?
  Não sabia o que John havia colocado no soro, mas eu não conseguia permanecer muito tempo acordada. Fechei os olhos ao que parecia ser um segundo e quando os abri, estava recostada no peito de meu pai – o que eu não fazia há uns dez anos.
- Hora de acordar, Sammy. Sabe, fiz um esforço enorme para tirar Arthur de perto de você por uma hora – ele me disse com uma voz gentil.
- Oi pai – ignorei seu comentário sobre ele. Quase não havia dor em minha barriga.
- Como se sente? – ele olhou para mim.
- Melhorzinha.
- Sammy, eu tive tanto medo de te perder. Quando John me contou...
- Shhh... pai. Já estou aqui e estou bem, ok? Já passou.
- Minha filha, eu te amo tanto – ele me abraçou forte. Por sorte não era o lado do braço e ombro machucado.
- Eu também.
  Ficamos abraçados por algum tempo, enquanto o sol se pronunciava pela janela do quarto da Ashley.
- Você tem que fazer alguns exames – John entrou acompanhado de Suzan – que sorriu e murmurou Obrigada para mim.
  Ashley e Melissa me deram roupas limpas – que meu pai havia levado – e após muita teimosia, consegui fazer com que me deixassem tomar banho sozinha. Peguei um pouco do shampoo e condicionador que tinha no suporte dentro do box, além da escova de cabelo dentro do armário. Olhei-me no espelho por um minuto, percebendo que sem aquele cicatrizante que John havia passado em meu rosto, a situação não estava tão ruim. Tirando o hematoma enorme que era minha barriga.
  Desci flanqueada por Ashley e Melissa e quando todos me viram, sorrisos apareceram em seus rostos. Arthur se aproximou enquanto eu descia o último degrau.
  Era hora de falar com ele.
  Meu coração se agitou, enquanto minha mente o fazia parar, insistindo que era o certo a fazer.
- Estamos muito atrasados? – perguntei.
- Não – papai disse dando de ombros.
- Posso falar com ele antes de ir para o hospital? – perguntei apontando para Arthur que estava ao meu lado.
- Claro, vão lá – papai acenou com as mãos.
- Estaremos no escritório – Arthur disse me conduzindo para lá.
- O que houve? – ele perguntou ao me deixar passar pela porta. Olhei para trás e ele a fechava.
- Ontem, enquanto eu estava com Jany...
- Sammy...
- Deixe-me terminar – respirei fundo e olhei para baixo – Ela me contou que foi a missão de vocês.
- E o que tem? – ele cruzou os braços. Dei um passo para trás e me apoiei na mesa de John.
- Ela disse que se apaixonou por você.
- Sim – ele parecia nervoso – Sammy, poderia olhar pra mim? Estou ficando agoniado – fiz o que ele pediu – Melhor agora. Incomodou que ela tenha dito isso? – ele franziu o cenho.
- Não foi isso – balancei negativamente a cabeça, de sobrancelhas unidas.
- E o que foi?
- Arthur, pare de me fazer de idiota – disse entre dentes. Ele ficou surpreso ao me ouvir.
- O quê?
- Já sei de tudo. Jany e muito antes, Iron, me contaram que sou sua missão e depois que vi meu nome escrito na sua aliança, não tenho mais dúvidas – disse com a voz embargada.
- Sammy eu queria...
- E também sei que só está comigo por conta disso – um buraco abriu em meu peito, as lágrimas escorrendo em meu rosto.
- Não! Não, Sammy, não! – ele ficou desesperado e se aproximou.
- Não precisa mais mentir. Jany o viu dizer Deus, me dê forças para terminar minha missão, justamente num dos dias em que mais precisei de você. Sou só um fardo, não é? Como disse Jany, o dever de casa que você tem que cumprir. Você mentiu – disse chorando. Apoiei minhas mãos no beiral da mesa, segurando-o com força.
- Não Sammy – seus olhos ficaram arregalados – Eu não...
- Sim você fez. Desde o primeiro dia. Você me usou e Iron me contou mais uma coisa. Você não pode ir adiante por que vai ser condenado. Mas não existe amor, então tudo volta ao outro lado da moeda. Você poderia se tornar como ele.
- Sammy... – ele se aproximou mais, o rosto desmoronado. Sua máscara estava no chão.
- Por que, Arthur? – cobri o rosto, as lágrimas despencando em minhas mãos.
- Sammy, eu nunca faria isso – sua voz era tingida de dor. Uma falsa dor – Eu te... – ele segurou meus braços.
- Me solta, não toca em mim! – gritei, afastando-me dele.
- Sammy, tem que me escutar. Se deixar, explico tudo – ele disse apressado às minhas costas.
- Não quero explicações, Jany e Iron me deram todas.
- Você vai acreditar neles?
- E em quem mais acreditaria? – virei para ele – Você? Pelo menos Iron nunca mentiu pra mim. Desde o começo ele me disse quem era. No primeiro dia em que o conheci, depois ele falou no iate sobre eu ser sua missão, mas de idiota não acreditei. Como fui cega! – olhei para cima exasperada – Você só queria se aproveitar mais da situação, não é? Ser amigo não bastava, cumprir sua missão assim.
- Deixe-me falar – ele estava quase desesperado.
- Não, não terminei. Tem mais uma coisa que tenho que dizer. Esse tempo todo escondi, pra não te magoar, por que mesmo que não tenha significado nada pra mim, ia significar pra você.
- Do que esta falando? – ele franziu o cenho.
- Logo no começo de nosso namoro, Myllena me contou que ele a havia beijado e dito meu nome. Fui tirar satisfações com ele e ele me beijou. Mas isso nem se compara ao que você fez.
- Mas não fiz nada! – ele gritou.
- Pare de mentir – gritei de volta – Já estou cheia de mentiras, desde o começo é tudo mentira! – minha voz falhou devido às lágrimas.
- Como pode acreditar neles e não em mim?
- Como? Como eu posso? Ela viu você pedindo forças. Até pra ficar comigo você precisava de forças!
- Não! Eu te... – ele segurou meu rosto e me obrigo a olhá-lo nos olhos.
- Pare! – o empurrei – Pare, por favor – disse aos prantos – Não aguento mais mentiras – pedi com os dedos emaranhados em meus cabelos – Sabe o que eu queria? – abaixei as mãos – Queria que você desaparecesse – disse entre dentes, minha raiva grande demais pra se transformar em um grito – Morresse – no mesmo instante sabia que era um blefe. Eu nunca suportaria sua morte. Meu coração doeu e vi lágrimas caindo de seus olhos.
- Como? – era quase como um último pedido de socorro.
- Como o quê? – ralhei.
- Como posso morrer se você é minha vida? – ele perguntou sem forças, as lágrimas correndo por seu rosto. Fiquei paralisada encarando-o, a raiva dissipada.
- Você é louco – disse ainda chocada.
- Se amar é sinônimo de loucura, então sim.
- Acabou Arthur – murmurei.
- Não Sammy – sua voz era um tom mais alto – Não me deixe.
  Balancei a cabeça negativamente e virei. Ele segurou minha mão.
- Não vá, me escute. – ele implorou. Olhei-o nos olhos e vi uma centelha de esperança surgir neles – Não vá – ele repousou a mão em meu rosto.
- Acabou – abaixei sua mão enquanto a outra deslizava pela minha. Em um vislumbre, vi em seu colar a asa que eu havia dado. Pus a mão em meu pescoço e puxei o meu.
- Não – ele disse em um soluço.
- Alguma vez você se importou com meu coração? – olhei para o pingente em seu pescoço. Virei e ao passar pela lareira joguei o colar. Abri a porta e saí correndo para a sala.
- O que houve? – Ashley perguntou preocupada.
- Pergunte a seu irmão – respondi chorando – Pai vamos embora.
- O que aconteceu? – ele perguntou preocupado vindo para mim.
- Por favor – o abracei chorando.
- Venha, vamos.
- Depois passamos no hospital – Lucy disse.
- Claro – John falou com os olhos em mim.
- Sammy, te ligo mais tarde – Melissa disse. Soltei-me de meu pai para vê-la.
- Não ligue – murmurei. Ela franziu o cenho e olhou para trás, Arthur chegando à sala. Seu olhar era morto e ele ainda chorava. Virei-me para meu pai.
- Vamos – disse com lágrimas mudas caindo de meus olhos.
  Os Mason deviam ter trazido meu carro de volta, por que ele estava bem na frente da mansão. Pedi para que me deixassem dirigir, alegando que precisava de um tempo sozinha. Meu pai concedeu, dizendo para eu segui-lo. Lucy me passou às chaves do carro e meu Iphone.
  Agora – dentro do carro –, vendo a estrada passar por mim, era difícil acreditar que ele pudesse ter mentido para mim. Meu coração estava em pedaços. Eu havia feito o que minha mente mandara e agora cada batida era longa e dolorosa. Lágrimas começaram a surgir em meus olhos e pisquei, fazendo-as escorrer por meu rosto. Arthur não havia sido meu primeiro namorado, mas meu primeiro amor. E também minha primeira ilusão. Isso dois mais do que qualquer coisa.
  Ao chegar em casa, corri para meu quarto e me joguei na cama, ignorando a dor em minha barriga que começava a incomodar. Fiquei um tempo debruçada no colchão, enquanto chorava feito louca, meus pulmões protestando sem ar, minhas amídalas doendo quando eu tentava conter o choro.
  Depois me encolhi, ficando como uma bola. O choro havia se tornado silencioso.
  Um longo tempo depois, ouvi uma batida leve na porta.
- Entra – disse sem me mexer.
- Como você está? – Lucy sentou na cama.
- Do mesmo jeito – respondi melancolicamente.
- Quer conversar? – ela afagou meu cabelo.
- Não vai ajudar – O que eu diria a ela? Mesmo estando profundamente magoada, seu segredo estaria guardado.
- Talvez se você desabafar, melhor – ela não queria pressionar, só estava preocupada.
- Não posso, dói muito – sussurrei.
- Vocês brigaram feio, não foi?
- Eu terminei com ele – funguei.
- Eu sinto muito.
- Tudo bem – voltei a chorar.
- Quer ficar sozinha?
- Quero.
  Lucy beijou minha cabeça e levantou.
- Mãe? – consegui chamar.
- Sim? – ela me olhou.
- Me abraça? – sentei na cama, abraçando os joelhos.
- Sammy – Lucy me abraçou, enquanto mais lágrimas escorriam por meu rosto.
  Alguns minutos depois, me afastei.
- Você já terminou com algum namorado? – perguntei com a voz embargada.
- Já Sammy, claro que sim – ela sorriu gentilmente e passou a mão por meu rosto, limpando as lágrimas e afastando meu cabelo.
- E você sentiu que tinha feito a coisa certa, mas doía muito?
- Não. Quando acaba, é porque não tinha mais como seguir com o namoro. Claro que se fica mal, mas Sammy, não como você. Desde que chegamos você não parou de chorar um minuto.
- Mas...
- Ele fez algo muito ruim? Não precisa me contar, sei que não está pronta, mas responda.
- Fez – sussurrei.
- Você o escutou?
- Não.
- Deveria ter ouvido o que ele tinha a dizer.
- Mas ele mentiu pra mim o tempo todo. Ele diria mais mentiras – minha voz aumentou um tom.
- Como sabe?
- Ja... Me disseram – uni as sobrancelhas enquanto Lucy arqueou as dela.
- Vai acreditar no que te disseram? Era alguém confiável?
- Não – Jany estava longe de ser um pessoa de confiança – Na verdade a garota que me contou disse que queria estar no meu lugar – murmurei.
- Sammy, como você foi boba. Agora, ela conseguiu o que queria: Te tirar do caminho.
- Mas ela não pode ficar com ele.
- Ainda assim vocês continuam separados. Você fez o que ela queria.
- Fiz a coisa errada? – olhei para ela sufocada.
- Desde o começo em dar crédito a qualquer um. Arthur te ama. Se ele fez algo errado, deixe-o se explicar. Você o ama?
- Muito – sussurrei chorando.
- Vamos supor que ele realmente tenha mentido, ok?
  Assenti e ela continuou:
- O perdão é uma das mais nobres expressões de amor. Perdoe-o. Tirará o peso do seu coração e essas lágrimas vão sumir – ela passou os dedos em minha bochecha vermelha.
- E se ele não me perdoar pela confusão que fiz? – perguntei soluçando, lágrimas novas despencando de meus olhos.
- Ele vai te perdoar. Quando ele entrou naquela sala vi em seus olhos que você é tudo pra ele. Sammy, você é o mundo de Arthur – ela colocou uma mecha de meu cabelo para trás.
- E ele o meu – a abracei. Lucy endireitou o corpo, encostando-se na cama e deitei a cabeça em sua barriga – encolhida como uma bola – enquanto ela afagava meus cabelos longos.
  Ficamos em silêncio enquanto eu tentava me reconstruir. Tentei encaixar todas as minhas peças – de todas as maneiras – mas não importava o modo como eu fizesse, sempre faltava uma.
  Sem ele, eu sempre seria um quebra cabeças incompleto.

Um Romance de:

~CONTINUA~

5 Comentários

  1. Muito boa Autora, tá de parabéns ...

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  2. não acredito que Sammy fez isso com o Arthur, ela devia ter escutado primeiro a explicação dele. coitadinho acho ele tão fofo.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Eu estou amando essa historia e os personagens realmente me cativaram,
    e CASSIA MARINA você virou uma das minhas escritoras favoritas te adoro muitooo

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