♥ O Livro Perdido das Bruxas de Salém ♥ - Suma de Letras
Para Connie Goodwin, 1991 prometia ser um ano dedicado exclusivamente aos estudos para sua dissertação de mestrado em Harvard. Mas sua mãe, Grace, uma mulher tão esotérica e serena quanto Connie é lógica, prática e dinâmica, tinha planos distintos. A casa da mãe de Grace no interior do condado de Essex estava em ruínas e precisava ser reformada e vendida. Ao pedir à filha para tomar as rédeas deste problema, mal sabia ela que estaria alterando de forma profunda o curso da vida de Connie. Ou será que, sim, sabia? No condado de Essex, fica a cidade de Salem, palco dos julgamentos de 1692, quando mais de 150 pessoas foram presas e acusadas de bruxaria e mais de 20 condenadas à forca. O episódio é um dos mais infames da História dos Estados Unidos, um triste exemplo de histeria coletiva de proporções medievais, disseminada por um grupo de meninas pré-adolescentes e abraçada por uma comunidade em busca de vingança. "Todos os acusados eram pessoas que estavam fora de compasso com a cultura em que viviam", diz a escritora Katherine Howe. O Livro Perdido das Bruxas de Salem, o primeiro romance da autora, integra os fatos históricos a uma narrativa ficcional de tom feminista. Ao se estabelecer na casa da avó, Connie começa a mergulhar no passado da região e mais especificamente no de Deliverance Dane, uma mulher cujo nome estava num pedaço de papel guardado junto de uma chave na casa. Uma mulher que se dedicava a curar pessoas doentes receitando remédios e poções. Por isso mesmo, como tantas contemporâneas suas, malvista por parte de sua comunidade. "No período anterior à Revolução Científica, a conexão entre fé, saúde e ciência era bem escorregadia", diz Katherine, que tem mestrado em História Americana e da região da Nova Inglaterra.
   O Livro Perdido Das Bruxas De Salem

Inicialmente tive um certo problema para pegar no tranco com a leitura desse livro, acho que o peguei em um momento pouco propício. Estava com minha alergia no ápice e praticamente dopada pelos antialérgicos, então demorei um pouco a engrenar nessa leitura cheia de detalhes e minúcias que necessitam de toda a atenção do mundo.

Gostei do livro mais pela aula de história e pela identificação com a personalidade da mocinha do que pelo fato do livro ser aquela coisa maravilhosa.  A riqueza de detalhes por muitas das vezes é cansativa, mas vocês se pega fazendo um milhão de perguntas do tipo: O que vai acontecer mais adiante? Será que Connie vai achar o livro? Quem está querendo assustá-la? Porque seu orientador de pós-graduação está tão interessado nessa pesquisa?

A história fica sempre nesses suspense investigativo do passado. Quem foi Deliverance Dane? Ela realmente era uma bruxa? Tudo indicava que sim. Por mais racional que o enredo do livro vai caminhando, Connie vai descobrindo a magia em sua pessoa com pequenos feitiços murmurados. Nada que ela realmente vá levar muito a sério, mas que vai ser crucial para o desenrolar da trama.

Connie passou a infância aturando as maluquices da mãe hippie e quando cresceu escolheu por trilhar uma vida regrada e racional. Nada de auras, OM e coisas misticas. Apaixonada pela história de seu país ela se esforça muito para ser a melhor no que faz, não é qualquer um que consegue uma bolsa em Harvard e ela faria qualquer coisa para mantê-la.

Ela conseguiu a aprovação dos professores de Harvard e agora precisa encontrar algo interessante e consistente para sua próxima tese. Com uma ligação da mãe ela se vê diante da casa deteriorada de sua falecida avó e de uma misteriosa Deliverance.

Enquanto ela investiga a vida dessa misteriosa bruxa em busca de seu livro de receitas perdido para escrever sua tese, Connie, vai passando por bons e mal bocados. Mas acima de tudo, ela vai entender que toda lenda tem um quê de verdade e que o amor também pode bater a porta de uma mente brilhante e solitária.

O enredo caminha sempre nessa investigação histórica, em visitas a museus, igrejas e etc. Enquanto ela tenta lidar com a casa da vó que está caindo aos pedaços e investigar o passado, ela conhece Sam, um rapaz simpático que nutre pelo trabalho uma paixão tão grande quanto a de Connie pela história. Mas nada poderá deixá-la mais pasma que descobrir que aquela história que a fascina tanto está ligada a ela pelo sangue... Deliverance, a bruxa, era sua ancestral. E ter de lidar com o poder que há nela e no livro colocará a todos em risco, principalmente quando todos os envolvidos são céticos.

No desenvolver da história a autora te leva ao século passado com interlúdios históricos relacionados às mulheres que ela está investigando no futuro, o que faz o leitor estar sempre um passo antes de Connie nas investigações. Achei essas partes muito bem organizadas, pois você é levado do nada para outro século, sem se perder do enredo principal o que é muito difícil de encontrar nos livros com estrutura parecida.

Em suma, gostei muito do livro. Indico para aqueles que gostam de livros detalhados, com pouco romance, mas com muita, mas muita aula de história. Com certeza será um livro que lerei novamente na posteridade.

P.S: Achei a capa brasileira mais bonita que a americana... 

book cover of 

The Physick Book of Deliverance Dane

4 Comentários

  1. Este foi um dos poucos livros que eu abandonei... Talvez porque a temática de bruxaria não tenha me convencido ou porque eu comecei a ler o livro na época errada, mas agora, depois de ler sua resenha, acho que vou tentar retomar... Eu achei confuso o lance do vai e vem entre passado, presente e futuro, mas acho que faltou concentração da minha parte mesmo. Também achei a capa brasileira mais bonita!!! bjs

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    1. É um livro que precisa de atenção, ele suga bastante nesse quesito, mas é um livro bom e bem escrito e o fato de ser baseado em pessoas reais torna a coisa mais interessante :)

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  2. Interessante o livro, achei muito boa a forma de como a história é contada. realmente precisa de atenção , mais é um livro que prende o leitor é cativante, ótimo para quem é amante de livros!

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  3. De uma maneira geral eu gosto de livros com explicações históricas, mas as vezes acaba sendo um pouco cansativo...
    Também preferi a capa brasileira!
    beijos :)

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