"Algumas coisas são verdade, quer você acredite nelas ou não.
City of Angels
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9. CICATRIZES DE UM ANJO.


Era uma terça feira e após toda a minha rotineira manhã em casa fui para o colégio. Ao chegar, vi Miguel encostado em seu carro com um livro na mão. Estacionei e fui para perto dele.
- Quem vê até pensa que você estuda – brinquei.
- Oi Sammy – Miguel sorriu fechando o livro.
- Oi, tudo bem?
- Mais ou menos – seu sorriso desfaleceu.
- O que houve? – perguntei preocupada.
- Eu gosto de uma garota que nem sabe que eu existo.
- Putz. Quem é a cega?
- Bianca.
- Bianca? – levantei as sobrancelhas.
- Sim, por quê?
- Tá todo mundo gostando dos amigos agora.
- É. Você e Arthur, Rick e Myllena.
- Espero que tenha sorte.
- Olha, ninguém sabe, então não comenta, ok?
- Pode deixar, ninguém ficará sabendo que...
- Shhh...
- Oi pessoal! – Sophia disse chegando perto de nós.
- Oi Sophia – respondemos Miguel e eu no meso instante em que Anita e Bernard estavam se aproximando.
- Já soube das novidades – Sophia disse vindo para o meu lado.
- Quais? – perguntei.
- Você contou para o Sr. Brandow sobre Arthur.
- Ah, é verdade. Como você soube?
- Nathália – nós duas dissemos na mesma hora.
- Como você está depois de ter contado?
- Do mesmo jeito de antes, por quê?
- Pensei que você não quisesse contar por medo dele pegar no seu pé ou coisas do gênero – ela deu de ombros.
- Ah, não! Meu pai confia em mim, ele sabe que não vou fazer besteira.
- Nada é besteira com Arthur Mason – ela falou, enquanto eu a encarava de boquiaberta.
- Ok, Sophia, ele é o meu namorado.
- Não vou atacá-lo, tenho amor a minha vida.
- Que bom que tem noção.
- Até parece – ela riu e me empurrou com o braço.
- Bom dia Sophia! Cunhadinha! – disse Bryan se aproximando de onde estávamos.
- Oi Bryan! – Sophia respondeu com um sorriso enorme. Encarei seu rosto por alguns segundos.
- Oi. Bryan será que seria pedir muito se eu dissesse pra você me chamar de Sammy?
- Por quê? Não gosta? – ele parecia incrédulo.
- Não é isso, é que...
- Irrita ficar ouvindo isso o tempo todo, Bryan – Arthur se aproximou dando um tapinha leve em seu ombro.
- Arthur – sorri.
- Oi Sammy – ele me deu um beijo rápido e ficou ao meu lado, o braço envolvendo minha cintura.
- Cadê Ash? – perguntei.
- Já está chegando – ele respondeu e sorriu de leve – Creio que ainda está penteando aquele metro de cabelo.
- Ei, pessoal, o que vocês acham de irmos para a praia nesse final de semana? – Anita sugeriu.
- Podemos alugar um ônibus ou cada um vai com seu carro – Miguel propôs.
- Acho melhor alugar – Bernard falou.
- Concordo com ele. É melhor irmos juntos – Arthur disse – O que você acha, Rick?
- Acho sobre o quê? – ele estava indiferente.
- Talvez a gente vá pra praia esse final de semana. Estamos discutindo se vamos alugar um transporte ou cada um vai de carro – Bryan explicou.
- Acho melhor alugar – disse Ashley se apoiando no ombro de Richard por trás – Oi Rick! – ela sorriu pra ele.
- Oi Ash!
- Então está decidido. Vamos esse final de semana, mas onde nos encontramos? – perguntou Sophia.
- Pode ser aqui na escola – Anita sugeriu.
- É – respondi –Todos concordam?
- Sim – responderam.
- Temos que falar com Beatriz, Bianca, Myllena e Melissa – Sophia enumerou nos dedos.
- Falo com Beatriz, tenho aula com ela agora – Miguel falou.
- Ok. Você tem aula de quê Sammy?
- Literatura. Falo com Melissa – suspirei.
- Eu falo – Arthur disse em meu ouvido e beijou minha cabeça. Assenti agradecendo por dentro.
- Eu falo com Bianca e Myllena, tenho aula de trigonometria – Sophia fez uma careta – no primeiro tempo.
- Falar o que comigo? – Myllena perguntou chegando com Melissa.
- Sobre a praia. Olhem, nesse final de semana...
- Então quer dizer que seu pai nos aprovou? – Arthur chamou minha atenção.
- Sim. Até achou boa a minha escolha. Parabéns, seus pontos com meu pai estão altos.
- Será que com a filha eu também estou assim? – seus olhos prenderam meu olhar.
- Acho que sim – pensei – Porque a filha... bom, ela gosta muito de você...
- Isso é muito bom – ele sorriu e me deu um leve beijo.
- Sammy? – Myllena chamou e olhei para ela – Quero falar com você, depois.
- Tá – sussurrei. Ao seu lado, Richard me encarava. Olhei por um momento para ele e desviei o olhar.
- Oi galera! – Beatriz cumprimentou.
- Oi! Por que você se atrasou? – perguntou Sophia.
- É uma história bem longa...
- Então você conta depois, tenho que falar...
- Sammy? – Richard chamou e lentamente olhei para ele – Posso falar com você?
  Respirei fundo e olhei para Arthur.
- Arthur vou ali, rapidinho.
  Segui Richard até meu carro, uma distância segura de Arthur.
- O que você quer?
- Olha, é muito difícil falar isso, mas, é o que tem que acontecer – cruzei os braços, esperando. Ele suspirou antes de continuar – Temos que acabar com isso, não podemos mais fingir que nada aconteceu então precisamos resolver essa situação. Você tem que se acostumar que estou com Myllena e tenho que aceitar você com Arthur. Podemos ser amigos, como sempre fomos – ele estava falando tudo aquilo, mas eu podia ver como custava para ele pronunciar aquelas palavras.
  Mas ele estava certo, não podíamos permanecer assim.
- Sim, mas nunca será a mesma coisa. Nós mudamos Rick. Descobrimos que existia algo entre nós que nunca pensamos que teria e querendo ou não, nos beijamos isso muda muito as coisas. Nunca teremos a mesma amizade de antes, mas, eu morreria se perdesse você. – ele sorriu e me abraçou. Retribui seu abraço e ficamos por um tempo assim, cada um reconstruindo seu coração. Ao me afastar dele percebi que uma lágrima descia por meu rosto, a enxuguei.
- Eu também morreria se te perdesse – ele disse, encerrando nossa conversa.
  Quando voltamos ao carro, todos já estavam andando em direção ao colégio. Aninhei-me ao braço de Arthur e seguimos para nossas aulas. A aula de literatura passou como um jato. O Sr. Smith nos mostrou algumas Tragédias e pediu para que fizéssemos uma pesquisa sobre Shakespeare para entregar na próxima aula.
- O trabalho pode ser feito em dupla. Estão liberados – disse ele quando o sinal tocou.
- Vai fazer em dupla? – Bernard perguntou.
- Não sei – respondi terminando de arrumar minhas coisas – Vamos?
- Você só está esperando para ver se Arthur fará sozinho – ele disse enquanto estávamos saindo da sala.
- Não Bernard – revirei os olhos -Provavelmente ele vai fazer com Melissa.
- Errada – virei e Arthur estava parado atrás de mim, uma mão segurando alça da mochila, a outra no bolso da calça e no rosto, um sorriso torto. Como alguém podia ser tão perfeito?
- Encontro vocês no refeitório – escutei Bernard falar.
- Anda escutando a conversa alheia? – perguntei quando ele veio para o meu lado.
- Não é alheia. Éa conversa da minha namorada – ele passou o braço por minha cintura.
- De qualquer jeito, escutou a conversa – insisti como uma criança birrenta.
- E? – ele deu de ombros.
- Um da você pode se arrepender. Escutar algo que não goste.
- Impossível. Pelo menos com você.
  A essa altura já estávamos no refeitório. Parei de andar e me virei para poder olhá-lo. Seus olhos eram incompreensíveis ao me fitar.
- O quê?
- Como não vou querer escutar sua voz Sammy? Como não vou gostar de escutá-la, se é o mais lindo som que já ouvi?
  Arfei e baixei a cabeça. Sua resposta tinha me tirado o fôlego. Arthur colocou o indicador em meu queixoo suspendeu delicadamente. Ao encontrar meus olhos, ele sorriu.
- Ainda que não fale coisas boas quero ouvir sua voz – ele deu um sorriso torto e se inclinou – Você irritada é bastante provocante – ele sussurrou em meu ouvido.
- Você é inacreditável – sussurrei.
  Pegamos o almoço e fomos para a mesa onde Bianca estava falando sobre a praia.
- A gente vai levar alguma coisa?
- Tipo o quê? – Melissa perguntou.
- Prancha de surf, ola, raquete, algo do tipo – ela explicou.
- Espero que o dia esteja bom para pegar umas ondas, não é Bernard? – perguntou Miguel, dando um tapa com as costas da mão no peito de Bernard.
- Quero só ver você durar mais de um minuto em cima de uma prancha – ele provocou.
- Infelizmente você vai estar muito ocupado engolindo água para ver alguma coisa – Miguel revidou.
- Ok, grandes surfistas, vamos parar por aqui, certo? – Bryan encerrou a discussão.
- Ei, Arthur, o que você acha da lancha e dos Jet Skis? – Ashley perguntou empolgada.
- Boa ideia, finalmente uma dentro! – Arthur disse enquanto o rosto de Ashley se distorcia em uma careta.
- Talvez não precisemos alugar um transporte, ou se quiserem, aluga só na ida ou na volta.
- Como assim? – Richard perguntou confuso.
- Nós temos uma lancha e três Jet Skis. A gente podia levar pra praia ou ir com eles – Ashley respondeu.
- E se ainda quiserem ir de carro, nos encontramos lá. – Melissa sugeriu.
- Dr. Mason vai deixar? – Beatriz perguntou duvidosa.
- É nosso – Ashley deu de ombros.
- Sammy?
- Sim, Myllena?
- Posso falar com você agora?
- Claro.
  Andamos até o lado de fora o refeitório, onde tinham umas mesas ao ar livre que quase não eram usadas.
- O que quer? – perguntei aos sentarmos.
- Não é problema – ela disse sorrindo.
- Menos mal – sorri também.
- Eu queria te contar que Richard me pediu em namoro – seu sorriso quase não cabia na boca.
- Que bom – ele já havia me contado.
- Acho que ele só precisava de um tempo pra colocar os sentimentos no lugar.
Não, ele precisava de um tempo para tentar me fazer deixar Arthur.
- Deve ter sido – concordei.
- Obrigada Sammy
- Pelo quê? – perguntei confusa.
- Por ter conversado com ele e ter o feitoele voltar para mim.
- Eu? – perguntei lentamente.
- É, ele me contou tudo.
- Ah, ele contou? – perguntei ironicamente.

♥ ♥ ♥ 

  Ao entrarmos no refeitório, parei atrás de Richard e passei os braços por seu pescoço.
- Sua tática foi muito boa, mas deveria ter me dito que eu que fiz você voltar pra ela – disse em seu ouvido. Ele soltou uma risada. Eu sorri de leve e fui para o lado de Arthur, ainda sem acreditar em como eu havia me tornado a heroína.
  Quando eu estava indo para a última aula, Ashley me alcançou.
- Já tenho minha roupa – ela me abordou.
- Que roupa? – perguntei sem saber.
- Para o jantar – ela parecia estar me chamando de burra com os olhos.
- Que jantar?
- O único que teremos juntas nos próximos dias.
- Ah – disse indiferente.
- Você já tem a sua?
- Não. Como você já tem a sua, se falei com Arthur ontem à noite?
- Eu não disse que comprei a roupa, boba.
- Então...
- Tenho o desenho.
- Desenho? Que desenho? – aquela conversa de bêbado estava me dando nos nervos.
- O da roupa, Sammy! Oh meu Deus! – ela jogou os braços no ar.
- Você desenhou uma roupa para um jantar? – perguntei sem acreditar.
- Sim. Já sabe como você vai?
- Não. Mas provavelmente, de calça, blusa e...
- Não Sammy, você não vai assim – ela parecia ter visto uma notícia horrível na TV.
-Aham... – respondi sem lhe dar crédito.
- Você não vai estragar a noite que estou planejando. Não vai mesmo – ela enfatizou a última palavra.
- Ai meu Jesus – grunhi.
- Não se preocupe.
- Eu estou entrando em pânico.
- Garota absurda – ela murmurou.
- Não invente de desenhar roupa pra mim, entendeu?
- Eu não desenhei nem a minha...
- Então...?
- É a Melissa.
- Se você quiser faço um pra você – Melissa disse aparecendo do meu lado com um sorriso gentil no rosto. Fiquei pasma ao ver seus dentes sendo utilizados para algo além de mastigar.
- Pode ser – disse amuada.
- E eu faço a maquiagem – Ashley decretou.
- Eu não vou de maquiagem.
- Vai sim. Ou você quer que eu diga a Mel como desenhar sua roupa?
- Tá bom, agora pare. Você está me deixando louca! – disse entrando na sala.
  Quando a aula acabou fui para o estacionamento com Ashley me flanqueando, tagarelando sobre todos os tipos possíveis de maquiagem. Desliguei-a de minha mente para não matá-la ali mesmo.
- O jantar vai ser domingo, as oito – disse Arthur quando cheguei perto dele.
- Ok.
- Vou começar a desenhar sua roupa hoje – Melissa disse timidamente.
- Vamos Sammy – Sophia chamou
- Aonde vai? – ele perguntou.
- Vou estudar na casa dela – disse olhando-a.
- Ah.
- Bom, tchau – segurei seu rosto com as duas mãos e dei um beijo rápido.
  Depois de duas horas cansativas de estudo, me arrastei até minha casa quase implorando por um banho e minha cama.
  Eu estava enxugando meu cabelo quando entrei em meu quarto e notei um buquê de rosas vermelhas e um cartão da mesma cor, com um delicado laço dourado lacrando-o. Revirei os olhos e fui pegá-lo em minha cama.

Te encontro na Courageous Sailing Center às 19:00 hs.

Com um sorriso incrédulo olhei para o relógio. Ao ver o pouco tempo que eu tinha, corri para o guarda roupa e fiquei remexendo-o a procura de uma blusa adequada. Quando desisti, peguei uma regata branca de algodão, uma calça jeans escura e uma bota sem salto. Desci as escadas com a chave do carro na mão, o Iphone e um casaco preto que tinha aparecido primeiro perto de mim.
- Aonde vai? – papai perguntou do sofá.
- Hmmm... casa da Sophia – disse a primeira coisa que passou por minha mente. Ainda bem, porque se eu contasse a verdade, teria que começar a planejar uma maneira de sair pela janela de meu quarto. Por sorte ele não sabia que eu havia estado o final da tarde na casa dela.
- Ok, volte cedo – ele disse enquanto eu disparava porta afora.
  Joguei o casaco no banco do carona, coloquei o Iphone perto do cambio e liguei pra Sophia.
- Oi Sammy – ela atendeu ao segundo toque.
- Oi, preciso da sua ajuda.
- Fala.
- Se alguém ligar pra sua casa perguntando por mim, confirme que estou ai, ok? – pedi enquanto dirigia.
- E por que eu faria isso? – sua voz era desconfiada.
- Por favor – grunhi.
- Sabe que vai ter que me explicar, não sabe?
- Depois eu explico com detalhes – Nem todos, óbvio.
- Não se envolva com drogas, drogados, nem nada ilegal, está bem?
- Ok – sorri.
- Eu realmente vou querer saber de tudo.
- Está bem. Obrigada.
- Você se arrependerá de ter me feito esse pedido – ouvi seu riso maquiavélico e depois mais nada.
  Assim que cheguei à marina procurei por algum sinal de Arthur, mas não havia nada, nenhuma pessoa andando por perto.
  Desliguei o motor e desci do carro deixando o Iphone e o casaco.
  Procurando, andei devagar até o píer que conduzia até os barcos. Eu estava quase na metade quando começou a chover.
- Ah, ótimo... – olhei para o céu – Lá se vai meu perfume da Calvin Klein – na minha visão periférica, vi um iate cujas luzes estavam acesas – Arthur? – chamei. Ninguém respondeu. A chuva havia ficado mais forte e sem esperar por uma resposta entrei no iate.
  Era muito luxuoso, uma mansão compacta com capacidade de navegar. Mas foi quando cheguei à sala que meu estômago se contraiu dolorosamente.
  Iron estava com o braço apoiado na bancada de um bar bem abastecido com um sorriso de lado nos lábios.
- Olá Sammy.
- Iron – disse entre dentes.
- Gostou da surpresa? – ele estava se divertindo.
- Você forjou a letra de Arthur.
- Admita, fiz bem feito. Sempre faço – seu sorriso era quase perverso.
- Fez. Mas foi inútil – virei as costas e deu tempo de dar dois passos até Iron me alcançar e me puxar, minhas costas batendo contra seu peito.
- Me solte! – reclamei.
- Você vai me escutar – ele apertou meu braço e me jogou no sofá negro ao seu lado. Tentei levantar e seus olhos me fitaram, quase fatais. – Fique aí. Eu só quero conversar. Sabe que não posso machucar você – seu tom se amenizou – Você precisa saber por mim o que aconteceu comigo. Não acho justo que tenha uma versão alterada. Agora fique quietinha.
- Seja breve – disse com raiva. Eu não queria estar ali, mas quanto mais eu lutasse, mais tempo ficaria.
- Eu pertencia a família Mason. Suzan e John tinham meio que me adotado. Estávamos no início do século XIX, na Inglaterra. Em Londres, mais especificamente. Os arcanjos havia me dado uma missão e os outros iriam auxiliar. O nome dela era Bethany Foster – seus olhos azuis perderam o foco e pude ver que ele revivia tudo – Nós nos tornamos amigos, mas sempre senti que havia algo a mais entre nós. Um dia, ela estava em seu quarto, chorando de raiva de seu namoradinho – ele disse com desprezo – e quando me contou que havia terminado com ele fui invadido por um sentimento que não deveria estar ali. Fiquei feliz que ela não estivesse mais com ele. Antes mesmo que seu choro cessasse, a beijei. Bethany retribuiu e em minutos nossas roupas estavam no chão. Eu a amava. Meu coração me garantia isso a cada toque, a cada vez que ela sussurrava meu nome. Foi a melhor noite de minha vida. Mas então o amanhecer tirou-a de mim. – seus lábios cerraram-se e seus olhos ficaram estreitos – O idiota do namorado dela pediu desculpas e como uma tonta ela voltou para ele. Eu havia comprado um buquê pra ela, mas ao chegar à sua casa a encontrei fria, nenhuma paixão em seus olhos. Era como se não me conhecesse. Bethany disse que nunca me amou e que havia me usado. Ela me desprezou, jogando em mim um balde de água fria. Eu me senti afundando em um iceberg. Os dias se passaram e eu não aguentava o vazio que sentia. Foi aí que tudo começou. Passei a ir pra cama com qualquer uma que eu achasse que tinha alguma semelhança com ela, por mísera que fosse. Eu a queria. Não era mais amor. Era desejo, obsessão, luxúria. Pouco tempo se passou até que três arcanjos me encontraram numa rua escura e me raptaram. Eu não era forte o bastante para detê-los e desisti. Eu sabia o quanto tinha errado. Um deles arrancou de mim o pingente onde estava escrito o nome de Bethany e pôs esse no lugar. – ele tocou a aliança prateada que estava na corrente – Fiquei trancado em um quarto por um tempo e quando saí, descobri no que tinha me transformado. Quando fui devolvido aos Mason, já sabia que Arthur havia me denunciado. O odiei com todas as minhas forças e prometi vingança – seus olhos recuperaram o foco e percebi que me fitavam.
- Agora que acabou, já posso ir – levantei e passei por ele.
- Ainda não terminei – ele pegou em meu braço e me puxou, minhas costas batendo na parede.
- O que você quer? Será possível? – briguei com ele e tentei inutilmente me libertar de seus braços.
- Você – seus olhos azuis me encararam e no momento em que a raiva me subiu a cabeça – eu estando prestes a rebater – sua boca dominou a minha.
Me retorci tentando escapar, mas minha força era igual ao de uma criança quando comparada a dele. Mesmo sem querer, uma labareda há muito inativa dominou meu corpo e pude sentir cada terminação nervosa sendo envolvida pelo fogo. Seus lábios eram famintos em meu pescoço, descendo por meus ombros e de volta a minha boca, enquanto minha tentativa de afastá-lo virava cinzas.
  Mas não virou. Como uma fênix, voltei a lutar contra ele, contra o corpo que me apertava e reuni todas as minhas forças para afastar o desejo de mim.
- Saia – o empurrei, Iron dando alguns passos para trás com os olhos confusos.
- O quê? Você está resistindo, é isso? Onde está enterrada a Sammy fervente que conheci? – ele sorriu de lado e se aproximou.
- Não está enterrada, mas é outro que a tem – disse com raiva – Não caio mais nos seus jogos, Iron.
- Prefiro você assim, com raiva. É tão... – ele me olhou de cima a baixo – quente. – em meio segundo seu rosto estava a um centímetro do meu – Você me quer, não pode negar isso. Eu vejo o fogo nos seus olhos – Iron encarou meus olhos enquanto lentamente aproximava os lábios dos meus.
  O sangue pulsou em minhas veias e um estalo soou no iate, o rosto de Iron ficando de lado com o tapa que dei. Ele voltou a me olhar vagarosamente e seus olhos estavam cobertos de fúria.
  O fitei por um segundo antes dele começar a rir.
- Você é tão idiota – ele disse – Você é a missão de Arthur, sua imbecíl!
- É mentira – disse cheia de convicção – Arthur me falaria se eu fosse. Desista Iron.
- Nunca – seu riso cessou e ele se aproximou de mim.
- Eu amo Arthur. É ele, sempre – encarei seus olhos azuis e o empurrei, saindo do iate quase correndo.
  A chuva estava torrencial e quando cheguei a metade do caminho, Iron tentou novamente.
- Promessa de anjo não pode ser desfeita – ele gritou quando virei-me para olhar.
  Um calafrio de medo percorreu meu corpo e ensopada corri para o carro. Minhas mãos tremiam e quando olhei pelo para-brisa Iron já não estava mais lá. Apavorada, liguei o motor e lutando contra mim mesma, tomei um caminho diferente do de casa.
- Sammy? – Arthur me olhou confuso e surpreso ao me receber na porta de sua casa – O que houve? – ele olhou para minhas roupas molhadas.
- Iron – murmurei assustada. A expressão de Arthur era indecifrável.
  Ele me conduziu até o escritório. Depois de trancar a porta, ele me encarou por um segundo.
- O que houve? – ele repetiu a pergunta.
- Iron forjou sua letra e me fez ir até a marina. Quando cheguei, ele me forçou a escutar sua história, como ele havia se tornado anjo da morte – tremi ao falar a última palavra – Mas depois... – olhei em seus olhos – ele me beijou – minha mente recriou o fogo que me inundou. Balancei de leve a cabeça pra espantar o pensamento – Eu, eu o afastei mas ele disse que promessa de anjo não pode ser quebrada.
- Ele beijou você? – Arthur estava em fúria.
- Sim – abaixei a cabeça.
  Ouvi um grunhido de raiva escapar de seus lábios e voltei a olhá-lo.
- Ele vai se arrepender – Arthur deu as costas, indo para a porta.
- Não! – quase gritei. Arthur virou-se para mim e com uma expressão indecifrável se aproximou.
- Ainda sente algo por ele? – ele me olhou nos olhos.
- Arthur, eu amo você – respondi.
- Não estou perguntando se você me ama, estou perguntando se ainda sente alguma coisa por ele.
- Não quero responder essa pergunta – disse. Eu não sentia, é claro que não. Mas ainda estava me perguntando de onde havia vindo o fogo que me tomou quando Iron me beijou.
- E essa: O que acontece quando eu beijo você? – o azul de seus olhos ardia nos meus e minha voz esvaiu-se.
  Arthur se aproximou e ainda surpresa o vi se inclinar para mim. Sua mão prendeu minha nuca – por cima de meus cabelos quase secos – e sua boca dominou a minha quase instantaneamente. Uma corrente elétrica de maior voltagem possível invadiu meu corpo e quase pude sentir a capa de eletricidade a minha volta.
  Eu nunca havia visto Arthur dessa maneira. Ele estava selvagem, explorando cada parte de meu corpo como um caçador. O que eu nunca havia sentindo com ele aconteceu. Meu corpo fusionou fogo e eletricidade e eu estava a ponto de ter um colapso.
  O ar entrava em meus pulmões quase de maneira hercúlea e meu coração estava a ponto de explodir. O sangue pulsou audivelmente por minhas veias e então eu tinha total consciência de cada toque.
  Arthur me fez dar alguns passos para trás até que a mesa me impedisse. Ele me libertou por um instante e me olhou nos olhos antes de me erguer, sentando-me em cima de alguns papéis colocados na mesa. Desci minhas mãos até a gola de sua camisa e o puxei para mim, minha boca voltando a sua enquanto suas mãos navegavam por minhas curvas, parando em minhas coxas, ele as encaixando em seu corpo. Meus dedos passaram pela frente de sua camisa, desabotoando-a e ao terminar, percorreram o caminho de seus músculos até suas costas e o puxei. Minhas mãos contornaram suas costas largas até chegar a seus cabelos dourados onde emaranhei meus dedos. Minha respiração estava quase minada, mas não me importava mais com isso.
  Meu sangue havia percorrido meu corpo inteiro quando algo em minha mente acionou meu instinto não muito humano.
  Aprisionei o corpo de Arthur com minhas pernas. Minha boca passou a seu pescoço beijando a linha de sinais que ele tinha do lado esquerdo e mordisquei a ponta de sua orelha. Um gemido baixo soou em sua garganta e ele prendeu suas mãos em minha cintura, colando-me mais a ele.
  Arthur abandonou meus lábios por um instante e fitou meus olhos. Ele sorriu torto e abaixou meu corpo lentamente, beijando a pele que ficava ao alcance de sua boca. Uma de suas mãos soltou-me e ouvi barulho de papéis sendo arremessados da mesa. Com um impulso, pus-me sentada novamente e prendendo meus dedos em seus cabelos, fiz nossos lábios se encontrarem.
- É como se meu sangue fosse uma corrente elétrica e meu corpo estivesse em chamas – sussurrei ofegante a resposta a sua pergunta.
  Sua mão acariciou meu cabelo e contornou meu ombro, fazendo-me fechar os olhos. Seus lábios voltaram aos meus e senti suas mãos tirando minha blusa. Elas navegaram por minha pele exposta e ouvi um gemido em sua garganta enquanto nossos lábios se movimentavam.
- Arthur – sussurrei em seu ouvido e fiz em beijos o caminho até seu ombro. Meus dedos desceram até os botões de seu jeans.
  De repente seu corpo congelou. Suas mãos seguraram minha cintura e me afastaram.
- O que foi? – perguntei confusa, voltando a olhá-lo.
- Não – sua voz era firme.
- Por quê? – eu não estava entendendo.
- Desculpe Sammy – com um grunhido ele se afastou, pegou minha blusa no chão e me devolveu. A peguei ainda olhando em seus olhos, esperando por uma resposta coerente, e desci da mesa.
  Antes de passar pela porta olhei para trás e o vi com as mãos em cima da mesa, a cabeça baixa.
- Oi Sammy! – Bryan me encontrou vestida na sala.
- Oi – disse friamente.
- Tudo bem? – ele ainda estava animado.
- Tchau Bryan – respondi passando por ele e depois pela porta.
  Passei o caminho inteiro pensando num motivo coerente para eu ter sido negada daquele jeito humilhante. Milhões de hipóteses encheram minha mente, mas nenhuma parecia ser ruim o bastante para se encaixar na situação.
  Minha noite foi péssima. O desprezo confuso de Arthur me deixou com uma sensação ruim.
  Eu estava no corredor do colégio, quando o vi encostado em meu armário, a cabeça baixa. Soltei um suspiro pesado e marchei até ele.
- Por que não? – perguntei assim que cheguei perto.
- Me desculpe – ele me olhou. Parecia envergonhado.
- Que você não quer, tudo bem. Mas não poder – disse sem entender – Se você não quiser, eu não ligo. Não faço questão. Não é que eu não faça. Eu não ligo se... calma – respirei fundo – A questão é que você foi muito frio. Se tivéssemos parado de outra maneira, tudo bem. Não foi porque não aconteceu, foi o modo como não aconteceu. Olhe, sei que não sou a melhor coisa do mundo, mas aquilo foi humilhante. Você está me entendendo?
- Você é a melhor coisa do mundo pra mim – ele disse com um sorriso torto.
- Obrigada, mas continuo sem uma resposta.
- Eu não posso Sammy – seu sorriso desapareceu.
- Não pode o que?
- Os dois. Lhe dar uma resposta e ir adiante com você.
  Minha mente deu um estalo. Eu já sabia seu motivo.
  - É isso, não é? – perguntei com lágrimas começando a encher meus olhos. Uma dúvida se tornando uma certeza – Você não me ama, só deseja. É por isso. Se você tiver meu corpo poderá se tornar igual a Iron – disse chorando, a convicção se enraizando em mim.
- Não, não! – ele disse beirando o desespero – Nunca subestime o que sinto por você.
- Então me diga.
- Eu não posso – ele segurou meu rosto – Por favor – era quase um lamurio – Eu nunca negaria seu corpo, quando o que quero é tê-lo.
- Eu também não posso – abaixei suas mãos, olhei em seus olhos e fui para minha próxima aula continuando sem poder entendê-lo.

Romance de:

 
Continua...

Um Comentário

  1. Muito bom esse livro ja indiquei a varias amigas que inclusive estão lendo, agora é esperar o proximo capitulo

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